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    China


    Er Nai ou, simplesmente, segunda esposa.

     
     

    Er Nai ou, simplesmente, segunda esposa.

    Eu já havia lido em alguns livros sobre a questão das segundas esposas ou concubinas na China antiga. As regras eram claras e isso chegou a causar muitas brigas, ciúmes e tragédias na história do Império. Num dos livros que recomendei aqui no blog, “A boa terra” de Pearl Buck, relata o sentimento da esposa do camponês quando ele decidiu trazer uma segunda esposa para dentro da sua casa. No livro  ‘A Ultima Imperatriz’, da mesma autora, toda a história é calçada na ascenção de uma comcubina ao papel de ‘preferida’ e, literalmente, dominante dentro do Império.

    Mas isso foi há muito tempo, e com a revolução cultural, as mudanças radicais que aconteceram na China nos ultimos 60 anos, não captei que isso ainda era uma prática corrente. Mas sábado passado, tive uma aula sobre marketing na China e dentre alguns artigos que lemos, estava o de Tom Doctoroff, publicado em fevereiro de 2011, que tem como título:’Segundas esposas e efervecência do mercado de luxo na China’ (tradução literal), que pode ser conferido aqui para quem tiver curiosidade (em inglês).

    Bom, claro que isso ficou martelando na minha cabeça, até porque a discussão também nos levou a conclusão que é ainda uma prática comum na China. E continua causando os mesmos problemas sociais que haviam no império: ciúmes, disputas de poder em familia e, se não tragédias, ao menos algumas discussões acaloradas entre as ‘esposas’.

    A última Imperatriz, concubina que deu o filho homem ao imperador e se tornou uma das mulheres mais poderosas da história da China.

    E ai, o que posso contar a vocês é que as Er nai (二奶), segunda esposa  ou Xiao San (), amante (ou no sentido literal do chinês: a terceira jovem, a terceira pessoa dentro do relacionamento) não são oficialmente aceitas, mas também não são discriminadas completamente. Na realidade são aceitas pela cultura na sua essência! Para o homem que escolhe ter a‘er nai’, elas representam status, pois isso significa que eles podem manter duas mulheres confortavelmente dependendo dele.

    E, acreditem: elas são caras. Pois levam o status de xiao san e querem ser reconhecidas por isso mostrando o quanto o ‘marido’ cuida bem delas e lhes dá do bom e do melhor (e que melhor...).

    Lá no passado, bem longinguo, era claro e mandatório que todo homem para ‘cumprir seu mandato do céu’ teria que ter um filho homem. Se a primeira mulher não havia lhe dado isso (até hoje os homens em geral, teimam em pular a aula de biologia que explica que o sexo do bebê é definido por eles, mas isso é outra história...rs), eles tinham o direito de buscar esse filho com a segunda esposa. Mas claro que a primeira era a primeira, se é que é possivel se manter de cabeça erguida, com uma moça muito mais jovem, as vezes morando na mesma casa, e sabendo que ela está lá para cobrir uma falha dela. Cruel, no minimo.

    Aí voltamos naquele ponto que sempre tento ressaltar quando falamos da cultura chinesa: o que vai contra os nossos princípios, nossa criação judaíco-cristã ou como vocês queiram chamar os nossos códigos sociais, nos assusta e muitas vezes nos causa revolta e/ou repulsa. Mas não para eles. Na realidade a recíproca é verdadeira na mesma proporção. Nós também chocamos eles em muitas das nossas atitudes corriqueiras.

    Então, para recapitular e catar o fio da meada, precisamos entender que infidelidade nem sempre é desprezada pela sociedade e amor não é a base para o casamento. Pelo menos aqui na China. E já escrevi sobre essas ‘razões para o casamento’nesse post aqui.

    E num dos muitos artigos que li, a entrevistadora perguntou ao homem porque ele mantinha o casamento se, publicamente, assumia sua predileção pela amante. E ele, sem nenhum tipo de constrangimento, respondeu que era por conveniência. As duas familias estavam felizes com o casamento, eles haviam feito um patrimônio considerável e romance eles buscam em algum outro lugar. E é assim mesmo. Casamento aqui é troca de interesses, dotes, soma de patrimônio, conveniência para o status social. Assim já era na época dos imperadores e continua sendo em pleno século 21.

    Mas o fato é que parece que esse fenômeno, que até havia dado uma trégua durante os anos da revolução (afinal o que tinham as pessoas para conquistar uma er nai?), está ganhando força e vulto tão rapidamente como as contas bancárias e fortunas inimagináveis dos chineses. Vários blogs aqui na China, a maioria de estrangeiros, relatam e mostram as grandes confusões que são armadas pela China afora. Por que, hoje em dia, as mulheres chinesas já não são tão passivas quanto eram. E aí, li muita história de esposas que acham ótimo que o marido tenha a er nai e a deixe tocar a vida como bem entende, mas também tem as que vão atrás e saem literalmente no braço, como nessas fotos desse blog, que coloquei abaixo. E só para esclarecer, o marido está protegendo a segunda esposa e deixou a primeira no meio da multidão.


    Agora, também li estórias de er nai que vai na sua BMW na casa da esposa oficial e fala horrores para ela, com a intenção de desmoralizá-la e quem sabe ter o caminho livre para ser a oficial. Ai, o ser humano! No final esses sentimentos básicos são universais, apesar das diferenças culturais.

    Ah, já ia me esquecendo: tudo isso começou por causa do artigo da aula de marketing, que queria mostrar que as ‘er nai’ são o segundo maior volume de compras no mercado de luxo chinês, já que além delas exigirem o que podem, os homens também querem mostrar que podem proporcionar o que há de melhor para suas segundas esposas. E um dado interessante nesse artigo é que o governo proíbe os seus funcionários de terem uma er nai. Mas nada tem haver com defesa da moral e dos bons costumes. É só para evitar mais corrupção, porque está claro que um funcionário do governo não tem como manter a familia oficial e mais a sua segunda esposa dentro dos padrões básicos requeridos para isso!

    O primeiro lugar no movimento desse mercado de luxo fica com os homens de negócios que usam as griffes para presentear seus fornecedores, clientes e membros do governo, mantendo a harmonia do seu relacionamento empresarial (e isso também dá um bom texto... fica para a próxima!)

    Zài Jiàn.

     



     Escrito por Christine Marote às 01:34
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    Fatos da China

     
     

    Fatos da China

    SEDA

    De acordo com a lenda chinesa, a seda foi descoberta em 3000 AC por Xi Ling Sui, esposa do legendario imperador Huang Di. Quando um casulo do ‘bicho da seda’ caiu acidentalmente dentro da sua xícara de chá quente, percebeu que o casulo era formado finos fios que se soltaram na água quente. E assim surgiu a seda. A China ainda hoje é a produtora de 54% de toda seda no mundo.

    Museu da Seda em Suzhou - 2011

    SOBRENOME

    Apesar de existirem milhões de sobrenomes na China (ou nomes de familia), os 100 mais comuns, que juntos são menos de 5% dos existentes, são usados por nada mais, nada menos que 85% da população chinesa. Os 3  mais comuns dentre os comuns são: Li, Wang e Zhang, que respectivamente representam 8, 7,5 e 7% desse montante. Esses números representam aproximadamente 300 milhões de pessoas e já dá para saber que são os sobrenomes mais comuns no mundo (quando a estatística é feita em cima de população, a China não dá chance a mais ninguém!). Em chinês a frase ‘três Zhang, quatro Li’ (Zhang san Li sì - 张三李四 ) é popularmente usada para dizer ‘qualquer um’.

    MATEMÁTICA

    A matemática chinesa, evoluiu independentemente da matemática grega e, consequentemente, é um tópico de muito interesse aos historiadores da matemática. Acredita-se que os chineses já usavam o sistema decimal antes do século 14 AC, ou seja, 2300 anos antes de ser conhecido na matemática européia. E também é possivel que eles foram os primeiros a utilizar um lugar ao zero.

    TABACO

    Já falei em algum momento, mas vamos de novo: a China é o maior produtor e consumidor de tabaco no mundo (claro). O número aproximado de fumantes é de 350 milhões (no minimo...) e aqui são produzidos 42% dos cigarros consumidos no mundo. Especialistas afirmam que aproximadamente 1,2 milhões de chineses morrem anualmente vitimas do tabagismo. E apesar das tentativas de informação à população sobre os maleficios do fumo e de algumas leis de restrição aos locais de fumantes, que começaram em 2010, estima-se que o número de mortes pelo tabagismo será de 3,5 milhões de pessoas em 2030. Agora, 60% dos médicos chineses (homens) são fumantes, a maior proporção no mundo! Então fica super fácil conscientazar a população, né?

    POPULAÇÃO

    Nanjing Pedestrian Street - Shanghai - outubro/2009

    São mais de 160 cidades chinesas que possuem mais de 1 milhão de habitantes! Nos EUA são 9 cidades e no Reino Unido, somente 2. Shanghai é a mais populosa, com 23 milhões de habitantes, segundo os dados de 2012. Me sinto literalmente uma ‘gota no oceano’!

    FRONTEIRAS

    A China possui aproximadamente 190.000 kilometros de fronteiras e é o país que faz fronteira com o maior número de países no mundo (alguma dúvida?). São 14 países, em sentido horário: Mongólia, Russia, Corea do Norte, Vietnã, Laos, Myanmar, Bhutão, Nepal, India, Paquistão, Afeganistão, Tadjiquistão, Quirguistão e Cazaquistão. Fora os países que estão muito próximos, mas o mar é a grande fronteira, haja visto as últimas discussões entre China e Japão. Talvez por isso eles se auto-denominem o ‘país do meio’ 中国 Zhōngguó.

    Zài Jiàn!



     Escrito por Christine Marote às 00:20
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    A Arte da Guerra - Livro

     
     

    A Arte da Guerra - Livro

    Como ando numa fase um pouco tumultuada, e ainda não consegui fazer com que o dia se estenda por mais umas 6 horas (uiii), o negócio é pensar em estratégias para encaixar o número de compromissos dentro das 24 horas disponíveis do dia (incluindo, ao menos 6 horas de sono!). Aí, como minha consciência fica muito pesada quando passo uma semana sem postar nada aqui, fiquei pensando e lembrei desse livro: quem sabe ele me ajuda a guerrear contra minha própria proscratinação para ir deixando para trás o que é mais complicado ou ir mudando as prioridades em questão de minutos.


    Mas brincadeiras a parte, ‘A Arte da Guerra’ – de Sun Tzu, é um clássico desde sempre. E muito antes da China ser o que é hoje , esse livrinho de não mais que 110 páginas já ocupava a cabeceira de muitos empresários, politicos e militares pelo mundo afora. A fama é tão grande a ponto de ser conhecido como ‘a biblia da Wall Street’ e ter sido comparado e considerado superior ao classico ‘O Principe’ de Maquiavel. Isso inclusive foi o que fez o livro ocupar a lista dos mais vendidods em todos os cantos do planeta ad eternun.

    O livro foi escrito há cerca de 2500 anos atrás, durante o periodo conhecido como “Primavera e Outono”(722 a 481 AC), por Sun Tzu, um general do exército chinês,  que serviu entre 544 a 496 AC.  O livro é composto de 13 capitulos, onde cada um deles é dedicado a uma estratégia de guerra e/ou batalha. Resumindo grosseiramente, Sun acreditava que a guerra é um demônio necessário, que jamais pode ser evitado ou menosprezado. Na realidade é o desafio que move o homem a conquista, certo?


    A estratégia primordial segundo Sun Tzu, a qual eu acredito ser a mais importante mesmo, é o autoconhecimento: entender qual é sua força e suas limitações de maneira clara, já te coloca em vantagem pois vc não irá fazer o que tem plena consciência que não sabe fazer, certo? Ok, nem sempre... =/ Mas, a teoria é perfeita. E com disciplina é possivel coloca-lá em prática.

    A segunda, tão ou mais importante que a primeira, é conhecer e estudar o inimigo. Buscar pelas suas fraquezas e reconhecer a sua força. Com isso se pode quebrar a resistência do inimigo sem lutar. E ainda completa “se você se conhece e ao inimigo, não precisa temer o resultado de uma centena de combates”.

    Para ele a arte de guerrear precisa ser governada por 5 fatores constantes: a Lei Moral, o Céu, a Terra, o Chefe e o Método e disciplina. E devem ser familiares a cada General: “quem os conhecer, será vencedor; quem não os conhecer, fracassará.”

    Em 1782, o livro teve sua tradução para o francês, por um jesuíta. E reza a lenda que o sucesso de Napoleão, principalmente no que diz respeito à mobilidade, deve-se a ele. Mas um dia, seguro que estava de si por tantas conquistas deixou o livro de lado e... foi derrotado! Somente em 1905 “A arte da Guerra’ foi traduzido para o inglês.

    Sun Tzù é leitura obrigatória no exército e pelos politicos soviéticos e Mao Tsé-Tung usou praticamente todo o livro na composição do seu famoso “Pequeno Livro Vermelho”, que era a compilação da doutrina e estratégia do partido comunista chinês.

    Para os nossos dias, posso dizer que nos ajuda e muito a entender a ‘logistica’ de uma batalha, seja na sala de reuniões do chefe ou na disputa de um cliente ou fornecedor. Me admiro de perceber que um livro escrito há quase 3 séculos pode ser tão atual e util. Mais uma vez concluo que o progresso avança a passos largos, mas o ser humano ainda age como seus ancestrais. E a história se repete, as ações e reações vão se tornando mais sofisticadas, mas a essência ainda está lá. Forte e presente.

    Esse deveria ser um livro mais aproveitado por todos e, principalmente, entendido e aplicado no dia a dia. No final, se todos usassem essa estratégias e seguissem o conselho maior de Sun Tzé: ‘quebrar a resistência do inimigo sem lutar, não chegaríamos às guerras! Simples assim.

    Por ser um best seller, o livro tem inúmeras versões, edições de luxo, de bolso, digital, além dos livros de auto ajuda que usam os ensinamentos de Sun Tzù para deixarem seu inteligentes autores estrategistas milionários! =] Pensem nisso... O ensinamento está lá, gratis para quem quiser entender.

    O que carrego há anos, é uma edição simples, cheia de anotações que adoro reler e ver como foi meu entendimento naquele momento e como é agora. Sim, às vezes uma frase pode ter vários significados dependendo do seu inimigo, da sua conquista, da sua estratégia.

          

    Mas meu tesouro é um edição especial que ganhamos em Chang Chun, acomodada em gaveteiro de cedro, numerada, com selo e carimbo e com 2 edições: uma escrita em mandarim e impressa em seda e a segunda com algumas gravuras e impressa em inglês, mas em papel arroz. Dentro de uma das gavetas vem uma luva para usar ao manusear o livro. Uma obra de arte e de edição limitada (se bem que isso aqui na China não é muito confiável...). Às vezes abro a caixa, calço a luva (que é super fina) e manuseio aquelas páginas. Um prazer inexplicável.

     


    Leiam, releiam. Não considero que esse livro deva ser lido como um romance. Mas sim em pequenos trechos, pensado. E depois retomado.

    Fica a dica!

    Zài Jiàn!

     

     



     Escrito por Christine Marote às 14:57
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    Ópera Chinesa

     
     

    Ópera Chinesa

     

    A ópera chinesa é famosa pelo mundo afora, mais pelo mito do que por ser reaamente conhecida pelo publico. De fato ópera de qualquer lugar do mundo é algo que não é popular, apesar de todo mundo saber basicamente o que é esse espetáculo. Mas a chinesa, alem de todos os mitos e pré-conceitos da ópera, ainda é made in China. O que dá um ‘it’ a mais nessa nossa história! =]

    A ópera chinesa é o tipo de drama dominante através da história da China de séculos e séculos. Acredita-se que há mais de 300 estilos de óperas, cada um com seus atributos particulares, mas sempre com alguma caracteristicas e influências dos ancestrais.


    Acredita-se que Qinqiang foi o antecessor da ópera chinesa, pois misturava danças e musicas folclóricas à pequenas performances. As primeiras informações palpáveis dessa prática vem de 2 séculos AC, in Shaanxi que fica ao lado do rio Amarelo. O amadurecimento e reconhecimento dessa prática como arte se deu durante a Dinastia Yuan (1279-1368 DC), com a inserção de outras performances como poesia, mimica e canto.


    Mas na Dinastia Ming (1368-1944 DC) se desenvolveu um peculiar estilo chamado Kunqu, com movimentos e musica mais elegantes e puros, que se tornou a mais popular manifestação artistica na China por mais de 200 anos. Esse estilo influenciou vários outros que foram surgindo depois e foi nomidado pela UNESCO em 2001 como “Obra-prima Oral e Intocável da História da Humanidade”.

    Depois de 2 séculos, o Kunqu caiu na popularidade graças a nova modalidade Jingju, que tinha como patrono a côrte real, o Império, e ficou conhecida como Peking Ópera, ou Ópera de Pequim. Obvio que ela sofreu forte influencia das duas peincipais antecessoras, Qinqiang e Kunqu, mas com um estilo mais simplificado e a introdução de acrobacias. E apesar de ser jovem, para os padrões seculares chineses, hoje ela é conhecida como a a Ópera Nacional da China.


    Basicamente a Tradicional Ópera Chinesa é formada por 4 personagens, que não possuem idade ou profissão, e tem suas perfomances baseada na história que está sendo encenada. São eles: Sheng , o herói; Dan , a  mulher; Jing  , representante do mal e que pode ter 3 versões principais (vocal, atuação e acrobacia) de acordo com seu papel na história; e Chou , o palhaço, que às vezes pode ser sombrio, outras espirituoso e ainda comico.

    As 4 óperas mais famosas na China são: Romance for the West Chamber, The Peony Pavillon, onde a original tem 55 atos e dura mais de 20 horas, mas nos dias de hoje é sensivelmente abreviada (porque ninguém merece, né?); The Peach Blosson Fan, que levou 10 anos para ser escrita; e The Palace of Eternal Youth, que foi baseada em fatos reais de um Imperador que se apaixonou por uma concubina. Resumindo, todas são histórias de amores impossiveis no melhor estilo estilo Romeu e Julieta, até onde consegui entender. =]

    Como já era de se esperar, durante a Revolução Cultural, a ópera também foi desacreditada pelo sistema e hoje é dificil retomar a tradição com a juventude chinesa, dentro de um ambiente informatizado e sem paciência para as peculiaridades dessa manifestação artistica.

    Hoje ela é apresentada em casas de óperas e no sétimo mes do calendário lunar, Chinese Ghost Festival, como forma de entreternimento aos espiritos e ao publico em geral. Uiii!


    Quando são usadas as máscaras,ou a pintura diretamente na face, as cores colocadas a cada personagem, não são aleatórias. Elas tem o significado, baseado na cultura chinesa e retratam as caractiscas de personalidade e emocional dos seus personagens.

    Branco é sinistro, diabólico, suspeito. Quem usa essa máscara geralmente é o vilão. E vejam que interessante, pois para nós ocidentais o branco é a cor celestial, de paz e harmonia. Só para completar, aqui se usa branco em enterros e luto.

    Verde é impulsivo, violento e sem auto-controle (caracteristica importantíssima nos relacionamentos interpessoais aqui na China).

    Vermelho é valente, nobre, virtuoso.

    Preto é imparcial, feroz, rude.

    Amarelo é ambicioso, cabeça fresca.

    Azul é inabalável, firme e leal.


    Como tudo que escrevo aqui, isso é somente uma pincelada na história da Ópera Chinesa, mas ao menos sabendo essa base a gente já pode entender muita coisa que se passa por aqui.

    E parafraseando um professor que tenho no MBA, para se viver bem aqui você tem que aprender a lingua, entender a história e a cultura. Os dois ultimos são moleza... rs

    Mas como Confucio tentava ensinar a séculos e séculos atrás: ‘Conhece o passado e entenderás o futuro’, não sei se exatamente assim, porque é o que retive na memória, mas tá valendo...

    Zài Jiàn!

     

     



     Escrito por Christine Marote às 12:14
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    Instrumentos Musicais - Bianzhong

     
     

    Instrumentos Musicais - Bianzhong

    Sinos sempre foram usados nas celebrações do império e nas campanhas militares na China. O Bianzhong  , que na tradução literal quer dizer ‘grupos de sinos’, apareceu na história há aproximadamente 3500 anos atrás, durante a Dinastia Shang.

    Esse sino de bronze difere dos demais tanto no som que emite, como na forma que possui. Seu formato ovalado não permite que as vibrações do som durem por muito tempo, além do que ele emite dois sons diferentes quando tocado por diferentes lados.


    Usado para armadura e armas, o bronze tinha um valor inestimado na China antiga, e a construção do Bianzhong cessou durante a Dinastia Han (206AC – 220DC), já que as guerras consumiram muito das riquezas e um sino desses poderia ter centenas de kilos.

    Graças a tecnologia moderna, pessoas com dinheiro suficiente podem encomendar seu próprio Bianzhong hoje em dia de algumas seletas fábricas de instrumentos. Aqui em Shanghai, no Bund, onde os prédios são do inicio do século 19, há um deles que ostenta um conjunto desses sinos, que foram encontrados na Provincia de Henan, por volta de 1957. A cada 15 minutos, o relógio da torre toca um pequeno trecho de ‘The East is Red’.


    O Bianzhong mais famoso da China, provavelmente é o de ‘Tomb of Marquis Yi of the State of Zeng’, o túmulo com os restos mortais do Marques Yi Zeng, um dos poucos encontrados intactos. Datado de uma época onde os nobres eram enterrados com seus tesouros de bronze, incluindo muitos instrumentos musicais, como esse bianzhong.  Calcula-se que esse conjunto de 65 sinos, com peso total de 2,5 toneladas, é de antes de 433AC e foi encontrado em 1977.

    Desde então ele foi ouvido somente 3 vezes: em 1978, logo após sua descoberta; em 1984 por ocasião das celebrações de 35 anos do PRC (Partido da Republica da China); e em 1997, quando Hong Kong voltou a pertencer à China.  E usado uma vez na apresentação da ‘Symphony 1997: Heaaven, Earth and Mankind’, composta por Tan Dun.

    Mais uma raridade da musica chinesa. =]

    Zài Jiàn!



     Escrito por Christine Marote às 13:49
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    Guqin

     
     

    Guqin

    A China possui muitas curiosidades, que com certeza vocês já notaram! E nada é diferente em relação à musica.

    A musica chinesa tem seu ritmo e cadência próprias e, de verdade, eu gosto de algumas que já ouvi. Em Chang Chun, por falta de opção, chegamos até a comprar alguns CDs chineses que acabaram caindo no nosso gosto musical. =]

    Mas alguns instrumentos merecem um capitulo à parte. E aos poucos vou compartilharalgumas informações a respeito de alguns deles que possuem uma história bem interessante. Começando pelo:

    Guqin  古琴


    A construção desse instrumento é toda baseada em simbolismos. Originalmente ele tem 5 cordas que representam os 5 elementos (metal, madeira, água, fogo e terra). King Wen of Zhou (1152-1056 AC) adicionou a sexta corda para chorar pela perda de seu filho. E seu sucessor King Wu, inplementou a sétima para motivar suas tropas nas batalhas. Os 13 entalhes no corpo do instrumento, representam os 13 meses do ano (incluindo o mês que existe a mais dentro do ciclo do calendário lunar). A superficie arredondada representa o Céu ou Paraíso, e a parte plana representa a Terra. O comprimento dado através de 3chi (), 6bu () e 5li () (sistema de medidas da China antiga), representam os 365 dias do ano.

    Resumindo, todos esses detalhes colocados juntos representam o conceito chinês de harmonia entre o homem e o universo.


    Literalmente, quer dizer ‘instrumento musical antigo’ (alguma dúvida?). Foi criado a mais de 3000 anos e tocá-lo era um das boas quatro habilidades que os literatos e as filhas de familias abastadas deveriam ter para serem bem vistos na sociedade. Era considerado um perfeito meio de se expressar espirutualmente e cultivar a mente.

    Mas mesmo com toda a importancia desse instrumento, não era de bom tom tocá-lo em determinadas situações como durante uma tempestade, em locais muito barulhentos, frente há um grupo de estranhos, quando não haviam assentos para todos se acomodarem durante a execução ou quando o musico não estavisse devidamente trajado e limpo!


    Guqin foi o unico instrumento a ser banido como um dos ‘4 demônios’ durante a Revolução Cultural, o que fez as pessoas deixarem esse instrumento de lado e se perder a tradição. Apesar disso alguns artistas o mantiveram, de alguma forma, vivo.

    Em 2003, a UNESCO declarou o Guqin como ‘Obra-prima da história oral e imaterial da humanidade’. E apesar do instrumento estar novamente em circulação como um belo ‘presente’ para impressionar, dificilmente ele voltará aos seus tempos de glória.


    Esse instrumento sempre foi retratado através da pintura e escultura chinesa e pode ser colocado no colo, como em mesas especiais para melhor acomodar o instrumento e o músico.

    Zài Jiàn!



     Escrito por Christine Marote às 16:21
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    O filho unico chinês.

     
     

    O filho unico chinês.

    Não é a primeira vez que escrevo sobre esse assunto, mas depois do post sobre a quantidade de homens na China e a previsão nada animadora para o futuro, algumas pessoas colocaram comentários, outras me escreveram, e sei que um monte fica sempre com o pé atrás em se tratando das ‘regras’ chinesas.

    A primeira atitude, em quase todos os casos e baseada na nossa cultura, na politica adotada em nosso pais e na experiência de cada um, é de indignação. Como pode um governo determinar quantos filhos cada casal pode ter? Como pode uma lei interferir na vida privada de tal maneira que obriga as pessoas a cometerem atos que são tão condenados na nossa sociedade cristã, como o aborto?

    E esse é mais um assunto polêmico, principalmente quando tento explicar o que para muitos é inexplicável: isso tem uma razão e dentro da realidade deles faz sentido e é completamente aceitável. É uma medida tomada em função da históra, do passado e por isso é possivel ao menos se tentar entender. E, por favor, explicar baseada em fatos passados e observação do dia a dia aqui, não quer dizer que eu concorde, que ache que é o modelo ideal, ou que apoie. Só procuro entender o sentido de coisas que são tão estranhas à nós ocidentais.

    Cartaz do governo na época que iniciaram a campanha do filho único.

    Na verdade, também já falei isso em algum momento nesse blog, a China conseguiu desestruturar razoalvemente minhas convicções, minha maneira de enchergar o mundo. Hoje pondero muito sobre certos assuntos, certas verdades e certezas e, sinceramente isso me incomoda bastante pois me tornou uma pessoa mais questionadora ainda, mais ‘advogada do diabo’ ainda, e no final ainda não encontrei o ‘fiel da balança’ para todos esses questionamentos. Sobre esse assunto especificamente, realmente não acho certo a proibição de ter mais de um filho (principalmente num pais onde há uma discriminação ao sexo feminino tão enraigada), mas também questiono a falta de planejamento familiar no Brasil, onde o próprio governo estimula através das tais ‘bolsas’, a procriação desenfreada. Onde o pobre, infelizmente, vê mais vantagem em ter filhos e não precisar trabalhar, já que para o universo deles o básico é o suficiente, sem se preocuparem com o futuro dessas crianças. Bom, mas isso é assunto para mais de metro, e só citei para que vocês possam entender como muitas vezes fico desesperada...rs. Sem saber para que lado ir. Claro, o ideal seria um ponto neutro, justo e que não fosse nem tanto ao céu e nem tampouco ao inferno, se é que vocês me entendem...

    Bom, a China possui mais de 50 etnias, 56 para ser mais exata. Mas 88% dos chineses pertencem a etnia HAN. Isso nos leva a fácil dedução de que todas as outras etnias são consideradas minorias. E como minorias, tem  alguns de seus direitos assegurados, ou seja, para esses grupos não há restrição ao número de filhos.

    Apesar de minorias, esses 55 grupos representam um pouco mais de  130 milhões de pessoas. Vamos combinar que se cada casal resolver ter 3 filhos, é gente prá chines nenhum botar defeito, né? Mas os 88% da etnia Han, realmente sofrem um rigido controle de natalidade. Abortos são encarados como procedimento normal, que se faz em qualquer hospital publico. Essa para mim é a parte mais desumana da lei. Porque de certo modo, facilita demais a falta de cuidados e coloca, mais uma vez, a mulher em situação de risco. Às vezes me pergunto quantas não morrem, quantas não ficam estéreis por um procedimento mal feito. E nem vamos entrar na questão do feto/bebê, pois não há limite para o procedimento.

    Quando foi adotada, no final da década de 1970, a medida tinha o objetivo de controlar o crescimento da população e facilitar o trabalho do governo, porque dar assistência médica e educação para mais 1 bilhão de pessoas é algo surreal. De acordo com estatísticas governamentais, foram evitados o nascimento de 400 milhões de bebês nesse período.

    Esse tópico tem sido motivo de bastante dor de cacbeça ao governo chinês. Há quase 30 anos, que a China iniciou sua abertura política e econômica, muita coisa mudou no pais. Inclusive a voz dos jovens da geração pós Mao, que não concordam com todas as regras impostas pelo governo.  E a questão do filho único é sempre motivo de protestos (dentro dos padrões de um governo comunista tentando abrir algum espaço para a manifestação popular). Por isso algumas excessões acabaram sendo autorizadas, mas isso causando mais polêmica e ambíguidade.

    Na zona rural, pode-se ter o segundo filho, principalmente se o primeiro for menina. E, principalmente pela falta de informação, o número de crianças que nascem com deficiência, seja ela qual for, são abandonadas sem se pensar duas vezes.

    Em Shanghai, devido ao custo de vida estar cada vez mais alto, um casal onde ambos forem filhos únicos, podem ter o segundo filho, quando o primeiro atingir uma certa idade. Acho que por volta dos 8 anos. Isso é baseado na cultura de se cuidar dos idosos da familia de forma digna, e cada dia ficaria mais dificil para o jovem que tivesse que assumir o sustento de seus pais e muitas vezes dos avós.

    Em Sichuan, na época em que houve o terremoto, que destruiu escolas em pleno período letivo, os pais que perderam ou tiveram os seus filhos gravemente comprometidos pelo acidente, puderam ter o segundo filho.

    E assim vai, cada dia uma nova regra aparece. Mas não pensem que nesses casos acima, os casais simplesmente possam engravidar. Antes disso eles precisam ter uma certificação do governo que permite a eles a segunda gravidez.

    Resumidamente é isso o que ocorre na China. Quem não segue essas regras acaba sendo punido com severas multas, além de ter que custear toda a educação e saude do segundo filho, que nesse caso é calculada pelo governo e tem que ser paga ‘in advance’, ou seja, antes da criança entrar na escola, por exemplo, toda a educação básica dela tem que ser paga.


    Polêmica é pouco para esse assunto, mas quando a gente anda nas ruas e vê tanta gente, mas muita mesmo, ficamos imaginando se não houvesse essa lei como seria. Por outro lado quanta injustiça foi cometida por conta disso. Entender a questão de uma forma teórica é uma coisa. Aceitar na vida prática, principalmente se é a SUA vida, é outra bem diferente.

    Fica aí para vocês pensarem... gostaria muito que o mundo, principalmente os paises em desenvolvimento, encontrassem um meio termo. Algo mais inteligente, humano e menos agressivo. Mas é dificil. Os extremos sempre ganham força. A ponderação não é uma das prioridades pelo que vejo.

    Zài Jiàn!



     Escrito por Christine Marote às 07:45
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    Curiosidades Chinesas... de novo! =]

     
     

    Curiosidades Chinesas... de novo! =]

    Eu não sei ao certo quantos posts já escrevi com esse titulo, mas é que sempre acho alguns ‘tips’ em revistas, livros, jornais locais. Aí vou juntando e quando tem um bom conteudo, passo para o blog. Mas esse pais tem curiosidade para mais de séculos de blog! Uiiiii e também estatistica para tudo!! Nunca vi tantos dados compilados e comparativos como aqui, disponibilizados em notas de rodapé, em destaque nas matérias, em colunas especializadas em divulgar esses curiosos dados.

    Então vamos às curiosidades selecionadas para hoje:

    ·         Existem hoje cerca de 52 bilhões de meninos a mais do que meninas na China. E com 119 meninos nascendo para cada 100 meninas (no mundo os dados são de 107 meninos para 100 meninas), a China será um pais de solteiros em breve. Segundo as estatísticas oficiais, a previsão é de mais de 40 milhões de homens solteiros em 2020!

    ·         De acordo com a lista da Forbes, 6 das 10 mulheres que construiram suas próprias fortunas no mundo estão em Mainland China, sendo a mais rica do mundo, com um patrimônio estimado em US$4.9 bilhões, Zhang Yin, conhecida como a “rainha do papel” de Guangdong.

    ·         Esclarecimento: a expressão ‘Mainland China’, que literalmente quer dizer China Continental, se refere a China dentro da jurisdição do PRC, ou seja a China propriamente dita excluindo-se as regiões  com Administração Especial como Hong Kong e Macau. Como vocês podem ver, os próprios chineses traçam em linhas bem claras o que é China e o que não é!

    ·         O ‘Exército da Libertação do Povo’ é a maior força militar do mundo, com aproximadamente 3 milhões de soldados. Também é o que tem maior número de reservas, chegando a 2,25 milhões de membros, parece muita gente, não é? Mas pensando na população da China que é imensa, esse número é somente 2,6  soldados por 1000 cidadãos chineses.  Só para comparar, os EUA possuem  7,9 soldados por 1000 americanos e a Russia 153,4 por 1000.

    ·         Durante a primeira metade do século 20, Shanghai era o unico porto no mundo com as fronteiras abertas aos Judeus fugidos do holocausto mesmo sem visto de entrada na China. A população de judaica na China em 1940 foi estimada em aproxidamente 36mil pessoas.

    ·         Acredita-se que há mais de 350 milhões de usuários de internet na China, sendo 2/3 deles jogadores compulsivos de jogos online.  O valor da Industria de Jogos online chinesa em 2010, era de mais de RMB20 bilhões.

    ·         China carrega uma infinidade de recordes no Guinness Book por maior quantidade de pessoas envolvidas em uma atividade (alguém  tinha alguma duvida sobre isso??). Entre elas podemos citar: 1197 jogadores de tenis de mesa se reuniram em Guangzhou para um torneio; 1032 pessoas participaram de uma aula de golf em Beijing (ao mesmo tempo...uiii);  1141 se juntaram para uma caminhada descalços em  Chengdu; 10.267 chineses montaram uma linha de dominó humano no interior da Mongólia. Impressionado? Dá uma olhada no website do Guinness... tem muitos outros ‘non sense’ recordes!

                

    ·         Os Jogos Olimpicos de Beijing em  2008 foram os mais caros da história dos Jogos, com o custo estimado em absurdos RMB 263 bilhões, cerca de R$ 85 bilhões (espero que o Brasil não esteja pensando em quebrar ESSE recorde). Os atletas chineses ganharam 51 medalhas de ouro, a maior marca do mundo. Foi a primeira nação, além da Russia e dos EUA, a ir ao topo da lista de medalhas desde os Jogos Olimpicos de 1936 (esse recorde nosso Brasil DEVERIA quebrar).

    Então por hoje é só pessoal! Em breve mais curiosidades sobre essa complexa, curiosa e intrigante cultura chinesa.

    Zài Jiàn!



     Escrito por Christine Marote às 07:43
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    Moeda Chinesa

     
     

    Moeda Chinesa

    Outro dia peguei um enfeite de porta chinês, e tinha algumas moedas com furo central. E me lembrei que desde sempre, nas lojinhas de produtos esotéricos/naturais no Brasil, vendiam essa moeda como um amuleto de prosperidade, fortuna, sorte. E descobri que não sabia nada sobre isso. Até porque isso não é mais a moeda em vigor por aqui.

    Hoje a moeda é chamada de Yuan, principalmente no mercardo internacional. Mas o nome oficial na China é REMEMBIE (RMB) que quer dizer ‘dinheiro do povo’. A unidade do RMB é que se chama ‘yuan’, 10 remembies e 1 yuan. Já as moedas tem o nome de ‘jiao’ e ‘fen’:  1 yuan = 10 jiao ou 100 fen, como se fosse 10 centavos e 1 centavo para simplificar.  As moedas são como as de qualquer outro lugar do mundo, sem nenhum furinho sequer.

    E de onde sairam os amuletos? As moedas com furo no meio? Essas moedas sempre existiram na China e foram sendo modificadas com o tempo, por desenhos, tamanho, forma e material.

                      

    Mas foi durante a dinastia Qing (1644 a 1912) que ela foi ligada à sorte. Os idosos durante o ano novo chinês passavam as moedas em um fio vermelho, pois acreditavam que essa moeda protegia das doenças e da morte, já que seu nome era Ya Sui Qian , que literalmente quer dizer ‘dinheiro que espanta os maus espiritos ou o diabo’.  Nessa dinastia que o vermelho começou a se fixar como a cor da prosperidade.


    Quando a imprensão se tornou mais simples, surgiram no lugar das fitas vermelhas o envelope vermelho – hong bao, presença obrigatória nas celebrações de Ano Novo Chinês e que se coloca dinheiro para presentear os familiares mais novos e desejar sorte e prosperidade.


    Então as moedas lindas, furadas no centro, foram as antecessoras do cobiçado hong bao! E até então eu nunca havia nem sequer imaginado tal ligação.

    No meu aniversário ganhei de algumas amigas uma Ya Sui Qian gigante! =O

    Obrigada meninas! Para quem achava que era só um enfeite redondo com um buraco no meio, fica a dica! Uiiii, não vale ficar brava, só não podia perder a piada! =P

    Já havia adorado a peça antes de saber disso tudo... agora então vou cuidar dela com muito mais carinho. =]

    Que ela nos traga muita sorte, prosperidade e, voltando às velhas tradições, nos proteja das doenças, da morte e espante os maus espiritos das redondezas. Ufa... coitada da moeda... quanta responsabilidade!

    Zài Jiàn!

     

    Ah... ainda em tempo: OBRIGADA por todas as manifestações de carinho na semana passada pelo aniversário do Blog! Vocês não imaginam como cada palavra me deixou feliz!

    E agradeço à Deus, acima de tudo, que me mostrou o  caminho, que nunca sequer havia passado pelos meus planos, para encontrar um sentido especial para viver aqui.

    Sou muito grata por tudo!

     



     Escrito por Christine Marote às 14:19
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    As boas mulheres da China (livro)

     
     

    As boas mulheres da China (livro)

    Esse foi um dos ultimo livros que li sobre costumes e sociedade. Escrito por Xinran, uma jornalista que vivia em Nanquim, o livro é a coletânea de relatos e entrevistas que ela fez num periodo de quase 10 anos (1989 a 1997), por diversos locais e provincias chinesas, tentando mapear qual seria a realidade da mulher chinesa pós revolução. Desde 1983, quando o então presidente Deng Xiao Ping, iniciou a abertura na China, mas dentro de um processo lento e cauteloso, além de controlado, os jornalistas puderam começar a se aventurar a buscar meios de passar as notcias da própria China e do mundo de maneira mais clara e direta. Até então (desde 1949) tudo era extremamente controlado, vigiado e severamente punido. As noticias do mundo pouco chegavam até aqui. Era como se nada existisse além daquela realidade, além da China.

    E, num parênteses,  isso foi muito interessante de notar, por exemplo, em 2005 quando estávamos em Chang Chun, percebemos que o Brasil era sinônimo de futebol. Até ai nenhuma novidade... Os idolos eram Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Ninguém podia perceber que éramos brasileiros que lá vinha o jargão: ‘Baxi football Lonaldinho han hao!’, a grosso modo: Brasil futebol, Ronaldinho muito bom! Mas se falávamos de Pelé, ninguém sabia quem era, se ouvia o conhecido ‘meyou’ ou ‘bu shi’. Ambas palavras negativas. Ai pensando um pouco cheguei a conclusão que realmente eles não poderiam saber quem foi o atleta do século na década de 1970!

    Bom, mas Xinran comandava um programa de rádio que tinha como objetivo ser um canal aberto para a mulher falar de seus problemas, medos, sonhos. Atividade extremamente audaciosa até hoje na China. Naquela época então, a considero uma desbravadora. Claro que esse programa era realizado na madrugada, e na maioria das vezes ela recebia cartas e relatos fora do ar. Para a mulher chinesa era e ainda é muito dificil falar de sentimentos. Melhor dizendo: para o chinês de modo geral. O que se pensar então de se abrir e remexer num porão de mágoas, sofrimentos, humilhações, traumas e isolamento.

        

     

    Além desses relatos, ela fez visitas in loco, em muitos lugares e entrevistou mulheres (muitas sem nem saber que estavam sendo entrevistadas) que relataram histórias inimagináveis para o mundo entrando no século 21. Com todo esse material em mãos, ela resolveu publicar um livro, mas foi proibida pelo governo. Assim ela resolveu sair da China e mudou-se para Londres. Lá publicou não só esse, como mais 5 livros. As Boas mulheres da China (The Good women of China) foi publicado em 2003.

    É um livro muito interessante, mas muito triste também. Algumas histórias chocam, outras emocionam. Há as que nos fazem vibrar pela garra e determinação de um ser humano frente uma situação extrema de sofrimento e dor. Existem alguns relatos pessoais também, da infância que não consegue esquecer, como é o titulo de um dos capitulos. Sinceramente, fiquei aliviada quando terminei. Como se fechando a ultima página, acabariam minhas reflexões sobre o que li. Mas a nossa mente nem sempre nos obedece, né? E sempre me vem na cabeça algumas das histórias que li quando vejo algumas senhorinhas na rua (como a que fazia pulseiras de jasmim, que publiquei a foto outro dia), ou mulheres da minha geração, na faixa de 40 a 50 anos que nasceram e cresceram durante a época da fome, e dos extremos partidários. Tantas perguntas pipocam, tantas respostas me faltam. É uma sede dificil de saciar, principalmente por conta do idioma e da dificuldade que o chinês tem de se abrir, de falar do próprio sentimento. Outro dia ouvi uma moça de 22 anos me dizer ‘ainda temos medo, não é fácil mudar’. Hoje o livro não me assusta mais, fiz as pazes com ele.

    Agora o que mais me marcou, e que segundo a autora um dos motivos que a impulsionou a fazer a viagem a Londres em 1997, foi o relato da visita que fez ao Vale do Grito. Meu Deus, as pessoas viviam em pleno 1996, como na idade das cavernas, literalmente. Quando citei acima que algumas mulheres não sabiam que estavam sendo entrevistadas, foram as dessa aldeia. Xinram decidiu nem tirar da bolsa a maquina fotográfica, ou qualquer outro objeto que pudesse sequer despertar algo de curiosidade naquelas mulheres, naquele povo. Ela cita que ficou com medo de não saber como explicar que fora daquelas cavernas existia um mundo. Vocês podem imaginar que exista um povoado sem luz, acesso a bens de consumo banais para os dias de hoje como geladeira, rádio, cama, copos? Pois aquele povoado era, ou é pois nunca mais ouvi nada sobre eles, assim. O desespero dela, o pavor, era de despertar naquelas pessoas a curiosidade sobre um mundo que elas nem sequer sonhavam que pudesse existir. Não sei se vcs conseguem entender o que estou falando sem ler o texto, mas é extremamente pertubador. Não pelas condições de vida somente, mas por percebemos que existem pessoas ainda vivendo nas mesmas condições de vida de 8 mil anos atrás. Uma loucura, completa.

    Vale à pena conferir!

    Zái Jiàn!

     

     



     Escrito por Christine Marote às 06:36
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    Hong Kong com outro olhar...

     
     

    Hong Kong com outro olhar...

    Olá pessoal. Essa semana estive fora. Fui para Hong Kong levar meu filho, que fará universidade lá. Na realidade ‘levar meu filho’ é pegar pesado, porque ele vai sozinho e muito bem. Mas mãe tem dessas coisas. =]

    Só que queria abrir conta em banco, ver se teria que adaptar algo para ele, e ver com os próprios olhos onde era essa tal universidade...

    Bom, por conta disso, me hospedei em Koloow, que poderiamos dizer que é a parte ‘vida real’ ou ‘menos glamourosa’ de Hong Kong. O que vemos nos filmes, fotos e onde estão os mais badalados pontos de turismo e gastronomicos da cidade estão na ilha. Mais ou menos como New York que tem a ilha de Manhatam como seu cartão postal.

    E nessa Hong Kong você percebe que está na China. Quase não se vê estrangeiros, são muito poucos mesmo, mas ninguém te olha com cara de ET, nem pede para tirar foto. Parece aquela bagunça que estamos acostumados, mil letreiros, placas e plaquinhas, carros aos montes, gente aos montes, mas depois do primeiro impacto, você começa se dar conta que há alguma coisa estranha nessa China.


    Tem muitos carros, mas eles param antes das faixas de pedestres.  O semáforo pode ficar verde peicando, que enquanto tiver uma pessoa com o pé na faixa nenhum carro se move um milimetro. Não essa regra maluca de se parar a direita para virar à esquerda, e muito menos aquela que para a direita você sempre pode virar, independente de semaforo verde, vermelho ou de pedestre. Não tem scooter nem bicicletas aparecendo de todos os lados. Gente, nem nas calçadas!!! Para atravessar a rua, sua unica preocupação é ver se não vem carro no sentido correto, mais nada! Olha que luxo! Apesar que eu apanhei um pouco, porque a mão é inglesa, então o sentido é oposto. Só uma questão de lateralidade.


    Existem as lojinhas de comida esquisita, com cheiro esquisito? Sim existem, mas todas são tão organizadas, limpas e com as mercadorias tão bem expostas, que até passa despercebida (o cheiro é ruim mesmo, admito...). Existem os varais pelos prédios? Sim existem, mas parece até que as roupas são mais limpas, mais organizadas e não vi nenhum deles no meio da rua, nem na porta da loja do cidadão. Existem as chinesinhas de gosto duvidoso? Sim, mas mesmo assim, muito menos duvidoso do que estamos acostumados. Os andaimes de bambu, as lojas de chá em cada esqueina e as lojinhas de coisas chinesas também.


    E eles falam chinês? Sim, nessa parte de Hong Kong as raizes culturais são muito mais arraigadas e você encontra um numero bem grande de pessoas que não falam inglês, ou falam um inglês muito básico. Mas você também não é olhada com desdém porque fala inglês. Muito pelo contrário, eles se desculpam quando não falam direito. Ah, e na realidade eles não falam o mandarim. A lingua oficial de Hong Kong é o cantonês.


    E a educação? Meu Deus! Não vi um, mas nenhum mesmo... ninguém cuspindo no meio da calçada, no seu pé, no meio da multidão. Por favor e obrigada, são extremamente usados e pasmem.... para tudo tem fila! Até nos pontos de ônibus. Nada de tulmutos, cotoveladas e gente esperta. Tudo igual para todos. É tão natural que as pessoas vão se colocando naturalmente. Nas escadarias do metro, quem não quer subir com as próprias pernas, se coloca à direita, deixando livre a esquerda para quem está com pressa (vamos combinar que nem no Brasil a gente vê toda essa civilidade em escadas rolantes). Quando abrem as portas do trem, ninguém entra até todos que precisam sair saiam.

    A internet não é bloqueada e qualquer um pode estudar numa escola internacional. Então vemos os chineses indo para as mesmas escolas que os ocidentais e sem os lencinhos vermelhos penduardos no pescoço (depois falo sobre isso).

    Olha, me encantei com essa Hong Kong real. De ver como a questão da educação de um povo faz toda a diferença, a civilidade, o convivio social. Só fui para a Ilha uma unica vez para almoçar com uma amiga que conheci em Shanghai e hoje vive em HK. Mas foi muito rápido, almoçamos e já voltei. Andei muito de metro e trem. Confesso que o metro de Shanghai é mais bonito, mas é muito mais novo também. Havia combinado com mais duas amigas (uma da minha terra, Santos e a outra que ainda não conheço de fato, pois nos conhecemos por causa dos blogs de ambas), mas o tempo foi curto e realmente usei muito para andar pela cidade.

    Nessas andanças, me deparei com um outdoor que me fez parar e sentir saudades do Brasil, mesmo não gostando de cerveja! =]


    Ah, claro... fui até a Universidade! Enorme, super equipada. O Nelson estará bem instalado. E eu... bem, eu poderei visitar HK mais vezes para matar a saudades!!!


    Se quiserem ver os posts sobre minha primeira viagem a Hong Kong (super turista...), clique aqui.

    Mas querem saber? Adorei voltar para ‘o paraíso’ como costumamos brincar aqui. Primeiro, porque hoje Shanghai é a minha casa, segundo porque foi essa China ‘de verdade’ que me instigou, me fez buscar respostas, se instalou na minha vida e foi a responsável por esse blog e outras coisinhas mais!

    Agora, repito o que já escrevi centenas de vezes: HONG KONG não é China. Definitivamente.

    Se alguém disser para você que conhece a China, que veio à Hong Kong e nada mais. Pode ter certeza: ele não sabe da missa a metade... ou melhor nem un décimo! =]

    Zài Jiàn!

     



     Escrito por Christine Marote às 13:43
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    Como pode?

     
     

    Como pode?

     

    Algumas vezes me pergunto como um povo tão rude no trato, nas ações e no convivio social, pode construir e utilizar objetos tão delicados e cheios de detalhes.

    Isso acontece nas construções e objetos do império, nos souvenirs que vendem pelas lojinhas de turismo e (o que mais me espanta) nos objetos de uso diário, coisas que são ferramentas de trabalho, muitas vezes.

    Outro dia, andando pela rua, me deparei com um grupo de homens fazendo a poda das arvores, perto de casa. E eles brigavam, gritavam, mas carregavam no ombro escadas feitas de bambu. Em pleno século 21, vc se deparar com trabalhadores usando escada de bambu numa metropole como Shanghai, é no minimo intrigante e, sinceramente, me emocionou de uma forma saudosista.

                    

    Ou no meio da frenética Nanjing Lu, uma rua cheia de lojas, shoppings e restaurantes num mix entre os badalados e carésimos até os fashionistas e descolados, com preços mais acessiveis, a gente se depara com essa senhorinha confeccionando braceletes com flores de jasmim. Verdadeiras obras de arte, feitas a mão e vendidas a RMB 1,00 (cerca de R$0,35). Sua duração é tão curta como o preço, mas é a delicadeza da confeccção e o contexto onde ele acontece que me fascina.

               

    E ainda sem falar da famosa caligrafia, da escrita do mandarim, que é uma arte e para nós o grau de dificuldade é imenso. Mas eles escrevem como se escrevessem um aeiou, sem o menor esforço e com uma rapidez invejável.

    Bom, são esses contrapontos da cultura chinesa que me instigam. Que me fazem tentar entender, que me cativaram e ainda assim, me emocionam.

    O extremamente moderno, hitech, constratando com o que era usado há mais de 100 anos atrás. E ver isso numa cidade como Shanghai é mais impactante ainda.

    Essa é a China!

    Zài Jiàn!



     Escrito por Christine Marote às 16:07
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    Horror ao sol.

     
     

    Horror ao sol.

    Acho que já comentei algumas vezes aqui que o chinês tem verdadeira aversão ao sol. Por uma questão histórica e geográfica os chineses do norte do pais possuem uma pele mais morena e feições mais rudes, além de terem uma influência etnica muito grande da Mongólia. Ou seja não são considerados chineses puros, da etnia Ham, que é maioria na maior parte da China e em Shanghai.

    Além do preconceito da raça ou etnia, há um outro mais forte e pertubador: o status social. Sim, porque a pessoa que trabalha em escritório, em serviços mais qualificados, não terá a pele bronzeada. Já os trabalhadores braçais, agricultores, varredores derua, trabalham expostos ao sol, por isso tem a pele mais escura. E aí está o maior preconceito.

    As sobrinhas aqui são literalmente Sombrinhas, ou seja, para fazer sombra e proteger do sol. As mulheres, principalmente, no verão andam super cobertas quando tem que sair ao sol, mesmo que seja para ir ao trabalho. Além das sombrinhas, há as capas, as super viseiras, os chapéus de abas enormes, luvas. Os cremes cosméticos aqui, mesmo das marcas internacionais, são todos ‘whitening’, branqueadores. Além de não tomar sol, elas ainda tentam embranquecer mais!

                        

    Ir à praia, à piscina, tomar sol? Nem pensar. Esses tipos de lazer são para depois das 4 da tarde. Ok, eu sei que é o melhor sol, mais recomendado pelos dermatologistas, que menos agride a pele. Mas esse não é o motivo pelo qual as chinesas deixam de aproveitar um dia de sol, em leno verão com temperatura perto do 40° na sombra! O motivoé não se bronzear para não serem confundidas com trabalhadores braçais.

    De tudo que já vi, o maior absurdo foi uma reportagem publicada no New York Times, algumas semanas atrás. O titulo da matéria era: “O essencial para praia na China: chinelos, toalha e máscara de ski”. Não, não é jetski, é ski mesmo, de neve. E a dita máscara é aquela que cobre o rosto completamente para proteger do vento gelado e da neve. Mas em Qindao, elas são usadas para proteger do sol mesmo! E na entrevista as mulheres ainda dizem para o reporter que elas tem que manter a pele clara para não serem confundidas com camponesas. E a classe média (como no Brasil) é a que mais almeja manter essa aparência para não ser discriminada na sociedade e, quem quer escalar mais degraus dentro da pirâmide social, tem a preocupação maior ainda.

             

    Imagens de Sim Chi Yin for The New York Times

    Olha, sinceramente, eu já não sou muito de sol, de ficar torrando na praia ou piscina, vou quando tenho oportunidade e vontade. Mas ir a praia desse jeito, com o calor absurdo que faz aqui. Ah... não dá não! Nem saia de casa... Mas como cada louco tem sua mania, vamos deixar os chineses com sua perplexidade aguçada quando nos vêem com a pele morena, bronzeada. Para eles é a coisa mais sem sentido que pode existir. E aí, mais uma vez concluo que nessa vida tudo é relativo. Depende do lado que você está do problema, do mundo ou da mesa, certo?

    Zài Jian!

     



     Escrito por Christine Marote às 16:28
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    Livro: Adeus, China. O ultimo dançarino de Mao.

     
     

    Livro: Adeus, China. O ultimo dançarino de Mao.

    Faz um tempo que escrevi sobre livros que li a respeito da China, e essa falta de mais posts a respeito foi por absoluta distração. Realmente passou e na minha arrumação (que ainda não acabou), acomodando os livros, encontrei alguns dos quais ainda não escrevi. Esse, justamente, não estava entre eles. Por isso quis escrever agora, para não esquecer novamente. Li esse livro ainda no Brasil, logo que foi lançado.  Um livro emocionante, apaixonado e mostra como um gesto, uma atitude de alguém, pode mudar a sua vida toda, sua história.

    Li Cunxin, relata sua vida num pobre vilarejo do nordeste da China e o que aconteceu desde o dia em que sua professora apontou para ele, quando os ‘delegados culturais’ de Madame Mao foram à escola escolher algumas crianças para terem uma boa formação e defenderem os ideais de Mao no futuro. Foi levado com o grupo para Shanghai, sem saber exatamente o que iria fazer. Não me lembro exatamente em que ponto ele descobre que seria integrante do corpo de baile da Republica Popular da China. 

    O desespero e a alegria, a duvida sobre o futuro e a certeza que será bem melhor, a tranquilidade de ter boas refeições e o remorso de saber que a familia passava fome, a inquietação por se tornar uma coisa que jamais sequer cogitou em ser: bailarino. Todos esses sentimentos se misturam na cabeça desse menino, do adolescente. Os intermináveis treinamentos que iam além da exaustão e possibilidades de seu corpo o tornaram forte.

    O que já havia sido um presente do destino, pois desde o ultimo dia que viu sua professora no vilarejo, nunca mais soube o que era fome, o que era não ter uma cama ou um teto, foi mais além quando receberam a visita de bailarinos e diretores americanos que, impressionados com a técnica desenvolvida pelo grupo, apesar de só dançarem peças educativas da doutrina de Mao, levadas à risca e ao extremo pelo grupo da Madame Mao, mais conhecidos como Gangue dos 4, ofereceram algumas bolsas de estudo em Nova York para os que mais se destacassem dentro do corpo de baile.


    Claro que Li Cunxin foi um dos escolhidos e sem entender nada, novamente, foi colocado dentro de um avião rumo à América, não sem antes ter um forte e severo ‘treinamento’ sobre a doutrina de Mao e o quanto os Estados Unidos eram os vilões do mundo ocidental. Para um adolescente que nem sabia que existia um mundo inteiro além das fronteiras da China, a chegada nos país ocidental foi um choque. A maneira como ele descreve o que viu naquele trajeto do aeroporto ao hotel, foi uma das partes mais tocantes para mim em todo o livro.

    Ele termina o curso, volta a China, mas após ter descoberto o que acontece do outro lado da fronteira, nunca mais foi o mesmo. Até que consegue novamente uma bolsa e não volta mais a sua pátria mãe. Mas muita coisa acontece nesse meio tempo. Os conflitos de uma mente doutrinada com a mente que encherga a realidade. Um relato emocionante e que nos dá a dimensão, sem dramas nem esteriótipos, sem defesa politica ou de crença de uma pessoa que conheceu os dois lados da moeda.

    Quando sua professora, apontou o dedo em sua direção ao membro do partido, jamais poderia imaginar o quão imenso foi seu ato. Cunxin é hoje uma celebridade nos Estados Unidos, amigo de presidentes e astros de Hollywood, mas não esqueceu por tudo o que passou e que, certamente, o tornaram mais forte.

    Vale à pena ler esse também.

    O filme... é bom sim. Bem feito, não foge ao livro. Mas omite muita coisa, fato que o torna morno, uma história de um desertor. O filme é tão superficial que foi liberado aqui na China. Quem leu o livro, os relatos de Cunxin, vai entender o que estou falando. Quem viu o filme, e leu esse texto que acabei de escrever, deve estar se perguntando de onde eu tirei tanta emoção da chegada dele à América ou do remorso e desespero dele ao comer todos os dias e saber que a familia estava fervendo casca de árvore para tentar simular uma refeição e se manter viva.

    Divirtam-se!

    Zài Jiàn!

     

     

     



     Escrito por Christine Marote às 11:05
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    O Terceiro irmão!

     
     

    O Terceiro irmão!

    E enquanto os dois irmão mais velhos já estão desfrutando da glória, sendo fotografados milhões de vezes por dia, ilustrando desde cartão postal, até as publicações do governo, o terceiro irmão vai ganhando força, imponencia e... altura! Muita altura!!! Ainda estamos em 1012, a previsão de inauguração é em final de 2014, mas ele já está mais alto que o irmão mais velho, o primeiro, Jinmao Tower.

    O Shanghai Tower, terceiro membro da familia, representante do ‘futuro’ na trilogia (esse post é continuação do anterior, para quem chegou agora...), vai crescendo rápido para alcançar seu 632 metros previstos. Ele terá 128 andares, 106 elevadores, 550.000 m2, seu custo está previsto em 13.8 bilhões de remembies ( e acreditem, aqui orçamento funciona, a diferença no final é irrisória)  e quando estiver pronto será o segundo do mundo. Ufa...

    Mas o mais interessante é a estrutura dele, até porque ele, no minimo, tem que superar o segundo irmão em tecnologia e design (chinês não perdoa nem chinês... eles querem superar os próprios recordes). O esquema de cores desenvolvido revela uma estrutura fluida que nos dará a impressão de uma espiral da base ao topo, adentrando as nuvens... =] Claro que essa ‘poesia’ da definição é muito fácil de concretizar aqui em Shanghai: o tempo está quase sempre nublado, cheio de névoas, céu atolado de nuvens (tudo bem que é de poluição, mas isso é um mero detalhe, não vamos estragar o efeito final).

    Essa foto eu tirei do Bund, dia 09 de junho,dá para ver os 3 edificios mais latos atrás:

    Jinmao (topo iluminado), SWFC (meio escuro) e na frente dele o esqueleto do Shanghai Tower.

    Outra curiosidade: o elevador funcionará a 18 milhas/seg, isso daria mais do que 40 milhas por hora!

    Como já estava demorando para aparecer o comentário, vamos a ele: Shanghai Tower será o primeiro edificio dessa magnitude do mundo com a ‘double-skin’ (literalmente seria ‘duas peles ou pele dupla’, mas o termo tecnico ou correto para essa tradução eu não sei)! E o que vem a ser isso?, você deve estar se perguntando. Bom, vou literalmente tentar raduzir o que li, porque no final ainda fiquei confusa ou minha capacidade de abstração está severamente prejudicada: ‘o edifício é organizado com nove edifícios cilíndricos empilhados um sobre o outro e envolvidos por uma double skin. A fachada interior é formada pelas construções empilhadas, enquanto uma camada exterior triangular cria a segunda pele, que gira suavemente 120 graus, subindo pelas estruturas.’ (Tradução livre da ‘That’s Shanghai Magazine’ from March, 2012). Facinho de entender não é mesmo? Para um leigo então! Rs.

                     

    Aqui são ilustrações desenvolvidas para explicar o processo das 'duas peles' e dos 9 predios sobrepostos. 

    É... só desenhando mesmo!rs

    A empresa que está construindo, Gensler, diz que o projeto foi baseado na necessidade eminente que a China (e Shanghai) tem de se firmar como influência global na economia e cultura.  Esse formato em espiral também foi pensada dentro da concepção global atual de ‘menor agressão ao meio ambiente’, reduzindo em 24% a pressão do vento e em 25% o consumo de material de construção na obra. O arquiteto responsável é Marshall Strabala e essa obra é totalmente financiada pelo governo Chinês. O presidente da empresa que gerencia o projeto (que foi criada exclusivamente com esse fim – Shanghai Tower Construction & Development Co. e é mantida por 3 estatais chinesas) disse que ‘essa torre é o simbolo de uma nação que terá no futuro ilimitadas oportunidades’.

     

    Sim, Shanghai Tower, pelo andar da carruagem, realmente representa o futuro.

    Agora vou pedir uma coisa: leiam novamente, de uma vez só, os dois posts. Alguém consegue perceber a sutileza do planejamento chinês? A mensagem subliminar que está por trás desse projeto de 25 anos? Ou será que sou eu que, estando aqui, tenho essa visão?

    Deixem seus comentários aqui ou na página do facebook. Adoro poder interagir com as pessoas que seguem o blog. Depois coloco minha modesta opinião a respito dos 3 irmãos!

    Zái Jiàn!

     

     



     Escrito por Christine Marote às 12:30
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