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    Hong Kong com outro olhar...

     
     

    Hong Kong com outro olhar...

    Olá pessoal. Essa semana estive fora. Fui para Hong Kong levar meu filho, que fará universidade lá. Na realidade ‘levar meu filho’ é pegar pesado, porque ele vai sozinho e muito bem. Mas mãe tem dessas coisas. =]

    Só que queria abrir conta em banco, ver se teria que adaptar algo para ele, e ver com os próprios olhos onde era essa tal universidade...

    Bom, por conta disso, me hospedei em Koloow, que poderiamos dizer que é a parte ‘vida real’ ou ‘menos glamourosa’ de Hong Kong. O que vemos nos filmes, fotos e onde estão os mais badalados pontos de turismo e gastronomicos da cidade estão na ilha. Mais ou menos como New York que tem a ilha de Manhatam como seu cartão postal.

    E nessa Hong Kong você percebe que está na China. Quase não se vê estrangeiros, são muito poucos mesmo, mas ninguém te olha com cara de ET, nem pede para tirar foto. Parece aquela bagunça que estamos acostumados, mil letreiros, placas e plaquinhas, carros aos montes, gente aos montes, mas depois do primeiro impacto, você começa se dar conta que há alguma coisa estranha nessa China.


    Tem muitos carros, mas eles param antes das faixas de pedestres.  O semáforo pode ficar verde peicando, que enquanto tiver uma pessoa com o pé na faixa nenhum carro se move um milimetro. Não essa regra maluca de se parar a direita para virar à esquerda, e muito menos aquela que para a direita você sempre pode virar, independente de semaforo verde, vermelho ou de pedestre. Não tem scooter nem bicicletas aparecendo de todos os lados. Gente, nem nas calçadas!!! Para atravessar a rua, sua unica preocupação é ver se não vem carro no sentido correto, mais nada! Olha que luxo! Apesar que eu apanhei um pouco, porque a mão é inglesa, então o sentido é oposto. Só uma questão de lateralidade.


    Existem as lojinhas de comida esquisita, com cheiro esquisito? Sim existem, mas todas são tão organizadas, limpas e com as mercadorias tão bem expostas, que até passa despercebida (o cheiro é ruim mesmo, admito...). Existem os varais pelos prédios? Sim existem, mas parece até que as roupas são mais limpas, mais organizadas e não vi nenhum deles no meio da rua, nem na porta da loja do cidadão. Existem as chinesinhas de gosto duvidoso? Sim, mas mesmo assim, muito menos duvidoso do que estamos acostumados. Os andaimes de bambu, as lojas de chá em cada esqueina e as lojinhas de coisas chinesas também.


    E eles falam chinês? Sim, nessa parte de Hong Kong as raizes culturais são muito mais arraigadas e você encontra um numero bem grande de pessoas que não falam inglês, ou falam um inglês muito básico. Mas você também não é olhada com desdém porque fala inglês. Muito pelo contrário, eles se desculpam quando não falam direito. Ah, e na realidade eles não falam o mandarim. A lingua oficial de Hong Kong é o cantonês.


    E a educação? Meu Deus! Não vi um, mas nenhum mesmo... ninguém cuspindo no meio da calçada, no seu pé, no meio da multidão. Por favor e obrigada, são extremamente usados e pasmem.... para tudo tem fila! Até nos pontos de ônibus. Nada de tulmutos, cotoveladas e gente esperta. Tudo igual para todos. É tão natural que as pessoas vão se colocando naturalmente. Nas escadarias do metro, quem não quer subir com as próprias pernas, se coloca à direita, deixando livre a esquerda para quem está com pressa (vamos combinar que nem no Brasil a gente vê toda essa civilidade em escadas rolantes). Quando abrem as portas do trem, ninguém entra até todos que precisam sair saiam.

    A internet não é bloqueada e qualquer um pode estudar numa escola internacional. Então vemos os chineses indo para as mesmas escolas que os ocidentais e sem os lencinhos vermelhos penduardos no pescoço (depois falo sobre isso).

    Olha, me encantei com essa Hong Kong real. De ver como a questão da educação de um povo faz toda a diferença, a civilidade, o convivio social. Só fui para a Ilha uma unica vez para almoçar com uma amiga que conheci em Shanghai e hoje vive em HK. Mas foi muito rápido, almoçamos e já voltei. Andei muito de metro e trem. Confesso que o metro de Shanghai é mais bonito, mas é muito mais novo também. Havia combinado com mais duas amigas (uma da minha terra, Santos e a outra que ainda não conheço de fato, pois nos conhecemos por causa dos blogs de ambas), mas o tempo foi curto e realmente usei muito para andar pela cidade.

    Nessas andanças, me deparei com um outdoor que me fez parar e sentir saudades do Brasil, mesmo não gostando de cerveja! =]


    Ah, claro... fui até a Universidade! Enorme, super equipada. O Nelson estará bem instalado. E eu... bem, eu poderei visitar HK mais vezes para matar a saudades!!!


    Se quiserem ver os posts sobre minha primeira viagem a Hong Kong (super turista...), clique aqui.

    Mas querem saber? Adorei voltar para ‘o paraíso’ como costumamos brincar aqui. Primeiro, porque hoje Shanghai é a minha casa, segundo porque foi essa China ‘de verdade’ que me instigou, me fez buscar respostas, se instalou na minha vida e foi a responsável por esse blog e outras coisinhas mais!

    Agora, repito o que já escrevi centenas de vezes: HONG KONG não é China. Definitivamente.

    Se alguém disser para você que conhece a China, que veio à Hong Kong e nada mais. Pode ter certeza: ele não sabe da missa a metade... ou melhor nem un décimo! =]

    Zài Jiàn!

     



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 13:43
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    Como pode?

     
     

    Como pode?

     

    Algumas vezes me pergunto como um povo tão rude no trato, nas ações e no convivio social, pode construir e utilizar objetos tão delicados e cheios de detalhes.

    Isso acontece nas construções e objetos do império, nos souvenirs que vendem pelas lojinhas de turismo e (o que mais me espanta) nos objetos de uso diário, coisas que são ferramentas de trabalho, muitas vezes.

    Outro dia, andando pela rua, me deparei com um grupo de homens fazendo a poda das arvores, perto de casa. E eles brigavam, gritavam, mas carregavam no ombro escadas feitas de bambu. Em pleno século 21, vc se deparar com trabalhadores usando escada de bambu numa metropole como Shanghai, é no minimo intrigante e, sinceramente, me emocionou de uma forma saudosista.

                    

    Ou no meio da frenética Nanjing Lu, uma rua cheia de lojas, shoppings e restaurantes num mix entre os badalados e carésimos até os fashionistas e descolados, com preços mais acessiveis, a gente se depara com essa senhorinha confeccionando braceletes com flores de jasmim. Verdadeiras obras de arte, feitas a mão e vendidas a RMB 1,00 (cerca de R$0,35). Sua duração é tão curta como o preço, mas é a delicadeza da confeccção e o contexto onde ele acontece que me fascina.

               

    E ainda sem falar da famosa caligrafia, da escrita do mandarim, que é uma arte e para nós o grau de dificuldade é imenso. Mas eles escrevem como se escrevessem um aeiou, sem o menor esforço e com uma rapidez invejável.

    Bom, são esses contrapontos da cultura chinesa que me instigam. Que me fazem tentar entender, que me cativaram e ainda assim, me emocionam.

    O extremamente moderno, hitech, constratando com o que era usado há mais de 100 anos atrás. E ver isso numa cidade como Shanghai é mais impactante ainda.

    Essa é a China!

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 16:07
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    Resgatando imagens...

     
     

    Resgatando imagens...

     

    Olá! Hoje dando uma geral nos meus arquivos, achei um material que já havia preparado há algum tempo e ficou esquecido.

    Então vamos a ele, já que as imagens estão legendadas! =]

     

     

     

    E não adianta: essa é a posição de descanso e conforto deles!

     

    Sabores Chineses: em destaque a foto dos Dunking Donuts tipicamente nacional - carne seca de porco com algas...uiiiii,

    contribuição de Gilson Rosa (diz ele que come isso...vai saber...rs).

    Como em qualquer esquina tem água fervendo em abundância, aqui você compra o 'kit Nescafé': os sachês de nescafé, açucar e creme, junto com a colherzinha vem dentro do copo lacrado. É só abrir, misturar e curtir seu cafezinho.

    Zài Jián!

     



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 16:36
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    Horror ao sol.

     
     

    Horror ao sol.

    Acho que já comentei algumas vezes aqui que o chinês tem verdadeira aversão ao sol. Por uma questão histórica e geográfica os chineses do norte do pais possuem uma pele mais morena e feições mais rudes, além de terem uma influência etnica muito grande da Mongólia. Ou seja não são considerados chineses puros, da etnia Ham, que é maioria na maior parte da China e em Shanghai.

    Além do preconceito da raça ou etnia, há um outro mais forte e pertubador: o status social. Sim, porque a pessoa que trabalha em escritório, em serviços mais qualificados, não terá a pele bronzeada. Já os trabalhadores braçais, agricultores, varredores derua, trabalham expostos ao sol, por isso tem a pele mais escura. E aí está o maior preconceito.

    As sobrinhas aqui são literalmente Sombrinhas, ou seja, para fazer sombra e proteger do sol. As mulheres, principalmente, no verão andam super cobertas quando tem que sair ao sol, mesmo que seja para ir ao trabalho. Além das sombrinhas, há as capas, as super viseiras, os chapéus de abas enormes, luvas. Os cremes cosméticos aqui, mesmo das marcas internacionais, são todos ‘whitening’, branqueadores. Além de não tomar sol, elas ainda tentam embranquecer mais!

                        

    Ir à praia, à piscina, tomar sol? Nem pensar. Esses tipos de lazer são para depois das 4 da tarde. Ok, eu sei que é o melhor sol, mais recomendado pelos dermatologistas, que menos agride a pele. Mas esse não é o motivo pelo qual as chinesas deixam de aproveitar um dia de sol, em leno verão com temperatura perto do 40° na sombra! O motivoé não se bronzear para não serem confundidas com trabalhadores braçais.

    De tudo que já vi, o maior absurdo foi uma reportagem publicada no New York Times, algumas semanas atrás. O titulo da matéria era: “O essencial para praia na China: chinelos, toalha e máscara de ski”. Não, não é jetski, é ski mesmo, de neve. E a dita máscara é aquela que cobre o rosto completamente para proteger do vento gelado e da neve. Mas em Qindao, elas são usadas para proteger do sol mesmo! E na entrevista as mulheres ainda dizem para o reporter que elas tem que manter a pele clara para não serem confundidas com camponesas. E a classe média (como no Brasil) é a que mais almeja manter essa aparência para não ser discriminada na sociedade e, quem quer escalar mais degraus dentro da pirâmide social, tem a preocupação maior ainda.

             

    Imagens de Sim Chi Yin for The New York Times

    Olha, sinceramente, eu já não sou muito de sol, de ficar torrando na praia ou piscina, vou quando tenho oportunidade e vontade. Mas ir a praia desse jeito, com o calor absurdo que faz aqui. Ah... não dá não! Nem saia de casa... Mas como cada louco tem sua mania, vamos deixar os chineses com sua perplexidade aguçada quando nos vêem com a pele morena, bronzeada. Para eles é a coisa mais sem sentido que pode existir. E aí, mais uma vez concluo que nessa vida tudo é relativo. Depende do lado que você está do problema, do mundo ou da mesa, certo?

    Zài Jian!

     



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 16:28
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    Detalhes

     
     

    Detalhes

    Uma das coisas que mais me chama atenção na China, principalmente em relação as coisas mais antigas, as tradições e arquitetura tradicional, são dos detalhes. Tudo tem seu mistério, sua beleza. Centenas de pequenos tesouros se escondem num portal, num muro, numa escultura ou pintura.

    E observar esses detalhes passou a ser uma grande diversão para mim. Fotografo, abro, olho. Não me canso de apreciar. E, como um vicio, qto mais imagens tenho, mais quero buscar. E aqui é fácil encontrar quando vamos ao centro histórico, num museu ou palácios e templos da época do império. Mas o que mais me instiga, é encontrar algumas preciosidades no meio do nada, do concreto, de uma rua super moderna. De repente me defrontrar com uma porta, uma pedra que ficou esquecida, talvez propositalmente, no meio do novo, do progresso astronomico por que passa esse pais.


    Algumas vezes chego a imaginar se por conta da pressa de construir, destroem e/ou esquecem de pedaços, que irão um dia ser reverenciados como uma ligação ao passado destruido. Se por um lado isso é triste, por outro nos incentiva a buscar o que todos esqueceram. E um dia, sabe-se lá quando, essas fotos que eu e muitos outros apaixonados pela cultura chinesa, turistas maravilhados ou fotografos profissionais guardamos em nossos arquivos.

              

    E assim vamos buscando uma descoberta em cada passo, em cada esquina, em cada beco. Muitas vezes são dias e dias sem nada encontrar. Mas quando acontece, é uma alegria, misturada com admiração, impossivel de explicar. Também há fotos de amigos, que me cedem seus olhares. Mas de alguma forma me tocaram. E há outros, muitos outros, que aos poucos e conforme for descobrindo seus significados reais, vou dividindo com vocês.

               

    O que pude ver em cada detalhe postado aqui, talvez não consiga mais relatar. Ou, o mais provavel, hoje tenha uma outra visão daquilo que fotografei há meses ou horas atrás.

    Tenho certeza que cada um que olhar as imagens terá a sua própria sensação. Para muitos, mais uma foto. Para outros um pedaço de algo muito distante e ainda outros que verão somente a curiosidade de fotografar um detalhe de alguma lugar.

             

    E nesse ponto, apesar da riqueza dessa cultura, as sensações são individuais e particulares. Estou tentando buscar um pouco mais de informação sobre alguns trabalhos, tecnicas e periodos que foram feitos alguns desses ‘detalhes’ que tanto me encantam.


    Zài Jiàn!

    "Se não sabes, aprende; se já sabes, ensina."

    Confúcio



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 16:13
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    Incrivel, mas ainda me espanto e... me divirto!

     
     

    Incrivel, mas ainda me espanto e... me divirto!

    Olha, vocês sabem que minhas andanças por aqui já me mostraram muita coisa inusitada. E aí quando eu penso que nada mais me espantará, abro meu face book logo cedo e me deparo com a foto de uma amigo, tirado no Carrefour aqui de Shanghai! Fiquei boquiaberta, mas vocês vão concordar comigo que a coisa é meio surreal.

    Adilson, valeu pela colaboração, mesmo sem querer...rs


    O que mais me assustou é por ter sido aqui em Shanghai, se fosse em qualquer cidade de interior talvez não me traria tanto espanto.

    Aí resolvi desbravar o Tao bao, que é um site de vendas on line como o mercado livre, mas você encontra de tudo, tudo mesmo. E por um preço absurdamente ridiculo na maioria dos casos. De móveis a frutas, o tao bao entrega tudo na porta da sua casa. Acho que esse site deve ajudar muito o pessoal que mora fora dos grandes centros, onde as coisas não existem assim tão fácil quanto em Shanghai ou outras cidades de um porte maior na China. Haja visto que nessa época do ano, com a criançada de férias se faz excursão para visitar Carrefour, Ikea, Metro etc. Pessoas que vem do interior e que nunca entraram numa loja como essas.

    Mas na minha viagem ao paraíso das compras de 99,9% dos chineses, achei umas coisas que no minimo, nos divertiram bastante durante a tarde. Eu digo isso, porque depois que você acha algo inusitado, você quer achar mais e vai abrindo as janelas e janelas para tentar entender algo do que está escrito (obvio que o Chrome e o Google translator fazem um bom serviço para facilitar nossa vida desse lado do mundo). E ai vamos às descobertas dessa tarde de sábado!

    Você é louco por uma tatuagem, mas não tem coragem de enfrentar a tortura da agulha? Seus problemas acabaram....

               

    Pode tatuar a sua perna toda pela bagatela de 5 reais. Gostou? Então vem para a China buscar sua tatoo fake original, made in China!

              

    Gente, vamos combinar: tem umas que até seriam interessantes, mas outras completamente ‘non sense’.

    E até o noticiário da TV deu audiência à nova mania chinesa!


    Agora essa invenção eu achei interessante para evitar sabão nos olhos dos pequenos.

           

    E para terminar, a criatividade chinesa para copiar, imitar e iludir realmente não tem limites, essa foi uma das ‘releituras’ de nomes de marcas famosas mais interessantes que eu vi.     

                                                                                                                              

    Num outro sábado que nós estivermos a fim de uma aventura virtual, vou porcurar mais, porque com certeza tem!

    Feliz Dia dos Pais, para quem é pai.

    Um Abraço muito grande e apertado (mesmo virtual) ao meu pai e obrigada por tudo que você me deu, me ensinou, me mostrou e que acabou me transformando na pessoa que sou hoje. +]

    Aqui não é dia dos Pais, ok? Nem sei se comemoram... vou me informar! =]

    Zài Jiàn!



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 16:27
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    Livro: Adeus, China. O ultimo dançarino de Mao.

     
     

    Livro: Adeus, China. O ultimo dançarino de Mao.

    Faz um tempo que escrevi sobre livros que li a respeito da China, e essa falta de mais posts a respeito foi por absoluta distração. Realmente passou e na minha arrumação (que ainda não acabou), acomodando os livros, encontrei alguns dos quais ainda não escrevi. Esse, justamente, não estava entre eles. Por isso quis escrever agora, para não esquecer novamente. Li esse livro ainda no Brasil, logo que foi lançado.  Um livro emocionante, apaixonado e mostra como um gesto, uma atitude de alguém, pode mudar a sua vida toda, sua história.

    Li Cunxin, relata sua vida num pobre vilarejo do nordeste da China e o que aconteceu desde o dia em que sua professora apontou para ele, quando os ‘delegados culturais’ de Madame Mao foram à escola escolher algumas crianças para terem uma boa formação e defenderem os ideais de Mao no futuro. Foi levado com o grupo para Shanghai, sem saber exatamente o que iria fazer. Não me lembro exatamente em que ponto ele descobre que seria integrante do corpo de baile da Republica Popular da China. 

    O desespero e a alegria, a duvida sobre o futuro e a certeza que será bem melhor, a tranquilidade de ter boas refeições e o remorso de saber que a familia passava fome, a inquietação por se tornar uma coisa que jamais sequer cogitou em ser: bailarino. Todos esses sentimentos se misturam na cabeça desse menino, do adolescente. Os intermináveis treinamentos que iam além da exaustão e possibilidades de seu corpo o tornaram forte.

    O que já havia sido um presente do destino, pois desde o ultimo dia que viu sua professora no vilarejo, nunca mais soube o que era fome, o que era não ter uma cama ou um teto, foi mais além quando receberam a visita de bailarinos e diretores americanos que, impressionados com a técnica desenvolvida pelo grupo, apesar de só dançarem peças educativas da doutrina de Mao, levadas à risca e ao extremo pelo grupo da Madame Mao, mais conhecidos como Gangue dos 4, ofereceram algumas bolsas de estudo em Nova York para os que mais se destacassem dentro do corpo de baile.


    Claro que Li Cunxin foi um dos escolhidos e sem entender nada, novamente, foi colocado dentro de um avião rumo à América, não sem antes ter um forte e severo ‘treinamento’ sobre a doutrina de Mao e o quanto os Estados Unidos eram os vilões do mundo ocidental. Para um adolescente que nem sabia que existia um mundo inteiro além das fronteiras da China, a chegada nos país ocidental foi um choque. A maneira como ele descreve o que viu naquele trajeto do aeroporto ao hotel, foi uma das partes mais tocantes para mim em todo o livro.

    Ele termina o curso, volta a China, mas após ter descoberto o que acontece do outro lado da fronteira, nunca mais foi o mesmo. Até que consegue novamente uma bolsa e não volta mais a sua pátria mãe. Mas muita coisa acontece nesse meio tempo. Os conflitos de uma mente doutrinada com a mente que encherga a realidade. Um relato emocionante e que nos dá a dimensão, sem dramas nem esteriótipos, sem defesa politica ou de crença de uma pessoa que conheceu os dois lados da moeda.

    Quando sua professora, apontou o dedo em sua direção ao membro do partido, jamais poderia imaginar o quão imenso foi seu ato. Cunxin é hoje uma celebridade nos Estados Unidos, amigo de presidentes e astros de Hollywood, mas não esqueceu por tudo o que passou e que, certamente, o tornaram mais forte.

    Vale à pena ler esse também.

    O filme... é bom sim. Bem feito, não foge ao livro. Mas omite muita coisa, fato que o torna morno, uma história de um desertor. O filme é tão superficial que foi liberado aqui na China. Quem leu o livro, os relatos de Cunxin, vai entender o que estou falando. Quem viu o filme, e leu esse texto que acabei de escrever, deve estar se perguntando de onde eu tirei tanta emoção da chegada dele à América ou do remorso e desespero dele ao comer todos os dias e saber que a familia estava fervendo casca de árvore para tentar simular uma refeição e se manter viva.

    Divirtam-se!

    Zài Jiàn!

     

     

     



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 11:05
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    Papelzinho que conta história...

     
     

    Papelzinho que conta história...

    Nesses últimos 20 dias, tenho tentado organizar meu escritório, um quartinho só para chamar de meu, cheio de prateleiras e todas as minhas bagunças prediletas: papel, caneta, livros, bloquinhos, fotos dos amigos etc etc etc. Bom, mas sabe como é... papel parece praga, piscou o olho tem pilhas e pilhas. E ontem, numa das faxinas nas pastas e caixas que estão fechadas há muito tempo, descobri um papelzinho que me fez parar tudo (entenderam porque fazem 20 dias e ainda não terminei?uiii) e relembrar o nosso primeiro ano em Shanghai. Aí resolvi contar para vocês, porque essa história retrata bem a vida de quem mora na China de verdade (Shanghai não é a China real, lembram?).

    Em 2009 quando chegamos aqui, fomos morar num condomínio lindo chamado Hampton Woods em Song Jian. Até ai tudo certo, porque para nós era só mais um bairro de Shanghai, um pouco distante do centro. Afinal alugamos a casa virtualmente, já que o Mário veio sozinho e quando conheceu esse condominio se apaixonou. Mesmo longe, haviam 2 colegas de trabalho que moravam ali. Pensamos então: se eles vão para o escritorio em Honqiao todos os dias, beleza. Lugar lindo, casa maravilhosa, amigos no condominio. Perfeito! Ou quase...

    Eis que chegamos aqui e realmente tudo que vi nas fotos era verdade, jardins, casa, lago. E resolvi sair para reconhecer o bairro, afinal não conhecia Shanghai, pois quando estávamos em Chang Chun, fazíamos a rota São Paulo/Beijing/Chang Chun, e haviam me dito que aqui era diferente, tudo moderno, primeiro mundo (ou quase...). Ai lá vou eu pelas ruas de Song Jian, que nessa altura já havia descoberto que é um distrito de Shanghai e na realidade nós morávamos no bairro de Xinqiao. Mas para meu espanto, não vi pelas redondezas nada que me remetesse às fotos de Shanghai, à cidade tecnológica, o coração pulsante da China, a cabeça do Dragão... muito pelo contrário, naquele momento o local me pareceu muito pior que Chang Chun (imaginem meu desespero, porque dessa vez ainda tinha 3 adolescentes comigo), o cheiro, as pessoas nos olhando na rua, nenhum ocidental que se pudesse ao menos trocar um olhar cúmplice. Ai meu Deus! Cadê aquela cidade que me falaram????

    Descobrimos em poucos dias que a Shanghai que tinhamos referência, estava logo alí a 28 kilometros da nossa linda casa. Um percurso de aproximadamente 20 minutos pela estrada... de madrugada, claro. Porque durante o dia isso nos consumia cerca de 1:30 a 2 horas se saíssemos no horário certo. Ou seja, não morávamos em Shanghai, concordam? Mas a casa era linda, o condominio delicioso e acabamos fazendo um monte de amigos e, apesar de quase todos terem mudado de Hampton Woods, continuamos nos encontrando regularmente, é minha turma ‘torre de babel’, e fomos ficando.

    Para vocês terem uma ideia nem Mc Donald’s havia no bairro. No supermercado só dava para comprar frutas e verduras, refrigerantes e material de limpeza. Se esquecesse de comprar pão na cidade, não dava para ir ali no mercadinho da esquina. Realmente a vida de Chang Chun um pouco mais confortável. Delivery, nem pensar... saia do raio de 20 kilometros do anel viário da cidade de Shanghai. Tinhamos preguiça de sair à noite, porque era uma viagem, e por isso acabamos nos cotizando e cada sábado a ‘festa’ era na casa de um dos amigos dentro do condominio. No começo foi muito bom, mas chega uma hora que não dá. Todo mundo se cansa. Juntou com as crianças crescendo, querendo sair e tudo era muito complicado. Nada se fazia sem gastar pelo menos 3 horas, quando se dava sorte no trânsito. Por isso saimos de lá. Abrimos mão do conforto e da beleza da casa de Hampton Woods, por uma casa menor, ou melhor, mais velha, com menos facilidades, mas no coração do Dragão! E não nos arrependemos, porque a casa não nos leva para passear, não tem preocupação com filho voltando de madrugada, nem sabe driblar o trânsito maluco de Shanghai.

    Mas tudo isso por causa do tal papelzinho... então vamos à ele: um belo dia um casal alemão chegou no condomínio e nos disse que havia aberto um restaurante novo na nossa rua (chinês, claro), mas limpo (dentro do que se pode chamar de limpeza nesse caso) e uma comida boa. E falaram: agora já dá até para brincar de sair no sábado a noite... Claro que fomos lá experimentar.

    Chegamos, sentamos, a mocinha traz o cardápio... todo em mandarim. E agora? Ela não entendia uma palavra sequer de inglês, não tinhamos internet no telefone, nem nada que nos fizesse abrir um canal de comunicação. Eis que o dono do local, muito esperto, foi catar um frequês que sabia falar ao menos algumas palavras na língua dos laowai (estrangeiros). Restaurante chinês, sábado 8 da noite, já está quase fechando. Então imaginem o estado etílico do sujeito. Mas ele nos ajudou, falamos que queríamos arroz frito, camarão, carne, verdura, o básico da comida chinesa. E ele falou para a chinesinha e nossa comida veio, até que muito boa mesmo. E o melhor: a conta também veio com o valor de 47 remembie! Naquela época era aproximadamente 12 reais. Um jantar por 47 remembie é barato demais. Ai veio a questão: e se a gente não tiver quem nos ajude da próxima vez?

    Mais que depressa, a luzinha acendeu e pedi para a mocinha pegar papel e caneta. Aí apontei para o camarão e pedi para ela escrever (se estão perguntando como, foi na mímica mesmo e nem tão simples como parece...). Ela escreveu e eu rapidamente escrevi o nome ao lado. Apontei o legumes, e ela começou a rir, chamou o patrão, adorou a ideia. Dai para frente foi fácil, ela escrevia, apontava e me dava o papel para eu escrever ao lado. Criamos o nosso menu pessoal, e geramos o tal papelzinho que encontrei nos meus guardados e que mostro aqui em baixo.


    O mais engraçado, foi que no dia seguinte, claro, tinhamos que contar nossa aventura aos vizinhos. E todos se empolgaram e foi um tal de copiar a listinha e distribuir, até que o office nos pediu a foto e enviou para todo o condominio. Eureka!!! Bom, vocês podem imaginar a situação daí para frente... entrávamos no restaurante o chinês vinha com o cardápio, sacavamos nosso papelzinho, ele ria e trazia os pratos. Um dia esqueci os papel... caramba, como vamos pedir... quando dissemos que o papel ‘meyòu’, ele disse ‘méi wèntí’ e em 5 minutos apareceu com nosso cardápio fumegando. Também, acho que era só entrar um estrangeiro lá que ele já devia gritar: “sai os pratos dessa gente esquisita que come sempre a mesma coisa...”

    Bom, no final de um ano dessa maratona dos moradores de Hampton Woods (era o único condomínio com estrangeiros ali no bairro), ele achou melhor fazer um cardápio bilingue! Só que logo depois disso, em dezembro de 2010, mudamos para a civilização!

    Mas mesmo com toda a distância, as dificuldades que enfrentamos, foi uma época muito interessante da nossa vida chinesa. Fizemos amigos de verdade, pudemos mostrar às crianças o que é viver na China real, e ficamos muito mais unidos. Acho que se pudesse ou tivesse que voltar atrás, faria tudo igualzinho. A experiência valeu! =]

    Zài Jiàn!



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 11:59
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