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    Decoração de Carros (?!?)

     
     

    Decoração de Carros (?!?)

    Já escrevi sobre isso algumas vezes aqui no blog, mas parece que o assunto é inesgotável. Cada temporada eles inventam uma nova moda, um novo detalhe sempre superando a anterior! Meu Deus... haja criatividade! Separei alguns achados dos ultimos meses para colocar aqui.

    No ano passado, época de Natal, fomos num shopping lindo que tem uma loja da Swaroviski (cristais), e para promover a marca eles colocaram na praça principal do shopping um Mini (aquele carro fofo, que já postei umas fotos com cilios...)  com cristrais em algumas partes de destaque. Pensei que era uma estratégia de marketing, claro. Não havia como não parar na frente do carro, com os cristais faiscando já que havia um jogo de luzes para valorizar o acessório.

    Mas, para minha surpresa, outro dia sai com a Harriet e andando pelo condominio me deparei com um Mini todo enfeitado no estilo ‘super shiny’, claro que fotografei porque achei que nunca iria encontrar uma aberração dessas nas ruas da cidade. Mas pensando bem, como pude ser tão ingênua? Rs

    Tudo bem que esse não tem o glamour do original do shopping, mas não deixa de ser divertido ver ao vivo.

    Só que as manias não param por aí. Agora as pinturas diferenciadas são o ‘it’ do momento, e o pessoal não economiza na excentricidade.

    A moda não é color BLOCK? Então vamos lá! E nem no capricho com a decoração interna. Principalmente no inverno onde todo mundo quer ficar quentinho!

    Olha, são tantas inovações e decorações diferenciadas (chic!) que fica dificil até de selecionar as fotos para postar aqui.

    Divirtam-se e aproveitem o feriado. Nesse estamos sintonizados.

    Zài Jiàn!



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 13:52
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    Livros: A última Imperatriz

     
     

    Livros: A última Imperatriz

    Esse livro foi aquele que você pega na mão, abre e pensa: não vai rolar. Uma edição muito antiga, capa dura, letras pequenas demais, páginas amareladas. Me lembrou uma coleção que meu pai tem (ou tinha) das ‘Seleções Readger’s’. E a autora, uma tal de Pearl Buck. Nunca ouvi falar. Mas como o livro foi muito bem indicado pela dona dele, a Liliane, e sei que ela lê muitos livros que eu gosto, vamos lá enfrentar a fera! Além de que tem uma histórinha super interessante: ela ganhou esse livro de uma senhora amiga quando se mudou para a China, que deu o exemplar para ela começar a enteder a história e cultura desse lugar. Eu agradeço essa pessoa por tabela! =]

    Bom, gente, antes de terminar o primeiro capítulo eu já nem ligava mais para as letras, para a página amarelada, simplesmente não larguei o livro até chegar ao final. Interessantissimo.

    Primeiro porque nos situa em que condições politicas e administrativas estava a China na virada do século 20 e mostra como e porque o Imperio foi enfraquecendo até acabar. Na realidade fiquei com a impressão que foi morrendo ao poucos, se esvaindo entre os dedos dos próprios nobres de então. Os bastidores do Império, as ‘puxadas de tapete’ de um ministro para aparecer mais que outro, a atitude dos que estão no poder que acreditam que estão acima de todas as leis, a falta de preocupação com os suditos em nome da ostentação e manutenção de caprichos inimagináveis. Isso te lembrou alguma coisa? Ah, vá? Gente, está ai a história que não nos deixa mentir. A politica não evoluiu! Continuam usando os mesmos artificios, as mesmas desculpas, as mesmas incoerencias. Continuam cometendo os mesmos crimes de corrupção e suborno e colocando palhaços para distrair o povo. Isso é uma constatação triste. Estamos falando da história da China, no final do século 19,  mas que poderia se encaixar em qualquer parte do mundo moderno, seculo 21.

    Mas... vamos ao que interessa: o livro.

    A ultima imperatriz,  Cixi, na realidade nunca foi imperatriz de direito, mas era de fato. Ela era uma concubina do Imperador.  Mas a Imperatriz só teve uma filha mulher, além de ter uma saude super debilitada. Em contrapartida ela conseguiu (como só se vocês lerem...) convencer o imperador a  deitar com ela, já que ele tinha tantas comcubinas que muitas delas ele nem chegava a conhecer. A partir dai ela lutou para ser a preferida e dar ao imperio o seu sucessor. E conseguiu. E conseguiu muito mais, realmente governou a China por de trás do trono, literalmente.

    Como quase toda pessoa com poder, as suas atitudes eram extremamente egocentricas e cruéis. Na segunda Guerra do Ópio, o Palácio de Verão, seu refugio predileto, foi completamente destruido e saqueado pelos ingleses e franceses ( o que rende até hoje uma repulsa por estrangeiros, porque aquele ataque foi considerado uma humilhação). Quando os nobres chineses deram dinheiro ao Império para construir navios de guerra que pudessem enfrentar o inimigo, já que eles ainda usavam os navios de bambú, ela decidiu que queria um navio de marmore, aportado na entrada do Palácio de verão, para que ela convidasse as amigas para o chá em comemoração ao seu 60° aniversário. E o barco foi construido. Vi com meus próprios olhos! Só que a marinha Chinesa continuou fraca e desarmada. Mas o importante era a manutenção da ostentação do império.

    Nessa época as coisas já estavam bem fora de controle, até porque ela já estava idosa e sem todo o impeto da juventude que a tornou uma das mulheres mais influentes da China, numa época em que ainda eram consideradas objeto de troca e boas parideiras se tivessem filhos homens.

    Outra coisa super interessante são as descrições ricas em detalhes das roupas e das jóias da imperatriz. Ela tinha centenas de gavetas com suas jóias e em cada uma havia um jogo completo de adornos em ouro, prata e pedras: a diadema, brincos, pulseiras, colares, aneis e as unhas. E é dai que vem essa mania das chinesas de aumentarem as unhas e enfeitarem com brilhos, strass, etc etc etc. Só pode ser, né?

    Depois de degustar essa história maravilhosa fui buscar quem era essa autora desconhecida. Só para nós (ou para mim, mas ninguém que perguntei a conhecia também). Ela ganhou o premio Nobel de Literatura em 1938, pelo seu rico e verdadeiro trabalho sobre a história da China e sua própria biografia. Quase cai da cadeira! E tem mais: possue mais de 100 livros publicados. Americana, filha de missionários, até 1934 ela passou boa parte da sua vida na China, tinha até seu nome em mandarim 賽珍珠Sài Zhēnzhū.

    Ela foi exilada da China e até morrer em 1973 não recebeu autorização do governo da época para voltar, por ser considerada espiã imperialista. Morreu 3 anos antes de Mao. Hoje o governo está trabalhando para transformar a casa em que morou em  Zhengjiang, próximo a Shanghai, num museu em sua homenagem. Seu livro de maior destaque foi ‘A Boa Terra’ que citarei em breve.

    Hoje, com a China voltando ao cenário mundial, seus livros foram resgatados do anonimato, mas mesmo assim são poucos os titulos disponiveis no mercado, ainda!

    Zài Jian!

     



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 12:16
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    Pessegueiros em flor e Parque da Tulipas

     
     

    Pessegueiros em flor e Parque da Tulipas

    Em meados de abril a comunidade brasileira organizou um passeio para dois parques, que apesar de estarem há quase 2 horas do centro ainda estão em Shanghai. Olha, essa cidade é imensa mesmo.

    Eu não conhecia nenhum dos dois locais e fiquei maravilhada.  A quantidade de flores e a beleza dos detalhes, coisas que só a primavera pode nos proporcionar, mesmo na louca vida chinesa! Não esqueçam que estou do outro lado do mundo (rs) e aqui as estações estão trocadas. O Brasil no outono e a China na primavera.

    O primeiro foi o Peach Bloosson Village – vila dos pessegueiros em flor, literalmente. Todos os anos no final de Março, inicio de Abril se realiza no Distrito de Nahui  o Festival da Florada dos Pessegueiros. Para o povo chinês a flor do pêssego simbolizam a vida e a prosperidade. E é na mesma época que no Japão ‘explodem’ as flores da cerejeira, uma das mais tradicionais festas japonesas. Além disso houve apresentação de um grupo de dança folclórica, mas os artistas estavam em pernas de pau!! Muito legal. Barraquinhas com artesanato também pipocavam por todos os lados.

                              

    Não comprei esse fantoche da ópera porque fiquei  brava com o chinês...rs. Claro que me arrependi, mas quando passei na entrada do parque ele estava vendendo por 10RMB, ai na volta, como ele percebeu que haviam muitos laowais (estrangeiros), resolveu pedir 30RMB. Ah, gente... não aguento mais essa fama de má e idiota que os estrangeiros tem por aqui.  Tudo fica absurdamente mais caro para nós! =[

    Bom, o negócio foi que esse ano a florada antecipou, coisas da natureza, e por pouco não pegamos as árvores carecas de novo!

    Saimos desse parque e fomos ao Shanghai Flower Port, um parque temático de flores situado no sudeste de Pudong, ainda em Nahui. Com belas paisagens e uma atmosfera tranquila, além de grande variedade de flores, ele se torna como um oásis no meio da poluida Shanghai. Nessa época do ano o destaque que o parque dá é para as tulipas. É impossivel descrever, as fotos falam por si só, apesar de não traduzirem a verdadeira intensidade que vimos naquelas flores. Nunca fui para Holanda, mas pelo que conheço de fotos, me senti lá. Não se via um predio alto, barulho de buzina, nada. Aquela paz, perfume e beleza que só as flores conseguem transmitir.

                

    Ah, e também fizemos um piquenique, com direito a toalha na grama, comes e bebes, e confraternização do pessoal. Uma delicia. Coisas que antes da China, tinha até me esquecido que existiam. =]

    Fiquem com algumas fotos e já vou me desculpando, porque não sei de quem são... tanta gente me enviou e compartilhamos no face, que já não sei nem quais são as minhas...uiiiii. Mesmo assim, obrigada a todas que tiraram essas fotos maravilhosas e eternizaram a beleza de cada flor. Quem reconhecer a sua, pode deixar um recado que dou os devidos créditos...rs

             

    A Marina Ott, que também tem um blog, fez dois posts bem legais e com mais fotos; para quem quiser ver mais clica nos links Peach Blossom ou Shanghai Flower Port.

    Ah, o blog da Marina é sobre arquitetura, mas numa inteligente brincadeira com o próprio nome, ela criou o espaço ‘Marinando na China’, onde publica coisas bem legais da nossa ‘dificil vida fácil’ aqui desse lado do mundo.

    Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores.

     Provérbio Chinês.

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 11:54
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    Compartilhando e seguindo o blog

     
     

    Compartilhando e seguindo o blog

    Olá pessoal,

    Para tornar mais fácil o acesso e a interação entre o blog, eu e vocês, criei uma página no facebook e também posto as atualizações no tweeter. Então se vocês querem saber quando tem novidades, é só dar um 'like' ou 'curtir' na página China na minha vida - blog, no FB e me seguir no twitter.

      @ChristineMarote

    Além de que estou colocando mais fotos da China no Face, assim vocês poderão relembrar coisas citadas em posts passados e ver o que não deu para colocar aqui. =]

         http://www.facebook.com/#!/ChinaNaMinhaVidaBlog

    Também tenho uma conta no Google+, mas como esse blog não é o vinculado ao Google,`nem sempre os posts são atualizados com sucesso.

          https://plus.google.com/114150147306920983290?hl=en#114150147306920983290/posts

    Bom, agora para quem vivia me perguntando como seguir o blog, um monte de opções! Valeu pelo incentivo de todos.

    Zài Jiàn!



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 10:24
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    Nacionalidade Chinesa

     
     

    Nacionalidade Chinesa

    Nessa semana fui assistir uma palestra sobre as minorias chinesas. Acho que já falei algo sobre isso no blog, mas sempre é bom reavivar a memória.

    Ouvi e vi muita coisa interessante, que não sabia ou só havia ouvido falar. E como o assunto me fascina, o palestrante poderia ter falado por horas a fio, que nem ia ligar, mas acabou depois de 2horas e meia. Realmente nem percebi o tempo passar.

    De todas as informações que recebi a que mais me chamou a atenção foi a questão da nacionalidade. Isso é tão básico para nós, ocidentais, tão simples. Qual é a sua nacionalidade? Sou brasileira. Podemos até falar que somos descendentes de espanhóis, alemães, portugueses, árabes. Não importa, a nacionalidade é brasileira e ponto.

    Isso não acontece na China. O que torna o conceito de nacionalidade muito estranho para os nossos padrões de lógica (só para variar). Como já escrevi a China é imensa em área e em população. Oficialmente são 1,3 bilhões de pessoas (dados paralelos indicam mais de 1,5 bilhões), que estão divididos em 56 etnias, sendo 55 consideradas ‘minorias etnicas’. Isso porque 88% dessa população pertence a etnia ‘Han’. Se você faz contas rápidas, pode notar que praticamente 10% da população da China é minoria étnica, que dá um numero em torno dos 130 milhões de pessoas (usando os dados oficiais). Para os números chineses isso é uma agulha no deserto, principalmente se levarmos em conta que esses 130 milhões estão divididos em 55 minorias.  Mas se pensarmos em termos mundiais, essas minorias ainda representam muito  mais do que a população do Reino Unido, por exemplo, que está em torno de 63 milhões de pessoas.

    Mas e o que a nacionalidade tem haver com isso? Para a população da China, nacionalidade é a sua etnia! Então na China há 56 nacionalidades diferentes! E quando eu parei para pensar nisso, consegui entender um pouco essa coisa deles de segregação e preconceito com quem não é han, ou quem não é de Shanghai, que vem do interior, porque provavelmente são de minorias étnicas e não são considerados a raça pura chinesa, mais ou menos isso...rs

    Me lembro que em Chang Chun, havia uma grande discriminação com as pessoas mais escuras e de feições mais rudes, que são minoria mongol ou manchú (Manchúria). E o sonho de consumo de todo o chinês é um ‘passe livre’ para Shanghai! Já explico... =]

    Então a documentação das pessoas funciona assim:

    Passaporte – por ser um documento internacional, todos são iguais e nesse caso a nacionalidade é ‘chinesa’.

    ID card – que é o nosso RG – aí eles tem a verdadeira nacionalidade no conceito chinês: Han, Manchurian, Hui, Miao, Uygur e assim vai! Esse é o documeto mais importante para o Chinês.

    Hukou – esse documento funciona como um ‘green card’ americano, mas é para poder se fixar em outra província dentro da China mesmo. Por isso usei o termo ‘passe livre’ lá em cima. Essa é outra peculiaridade da administração chinesa. No Brasil, se resolvemos mudar para outra cidade, outro estado, simplesmente vamos, arrumamos emprego e moradia, contratamos o caminhão de mudanças e mandamos um cartão (hoje em dia é email mesmo...) para os amigos avisando o novo endereço e localização geográfica (rs). Aqui não. Ninguém pode se transferir de cidade ou região simplesmente. Eles precisam ter autorização do governo, que emite esse documento. Sem isso o cidadão não conseguirá atendimento médico, escola, auxilio do governo (se for o caso), nada. Ele se torna um ‘imigrante ilegal’, como qualquer estrangeiro que está aqui sem Visto.

    Na realidade o Hukou funciona como um passaporte interno, onde são registrados dados da família, as datas de nascimentos, casamentos, divórcios, óbitos. E esse documento não é invenção da nova China, não. Existe desde as mais remotas dinastias. Claro que os objetivos e a utilização desse documento foi sofrendo inúmeras transformações, mas sempre houve na China esse ‘registro de familia’.

    Há muitas polemicas em relação a esse sistema, mas o governo ainda é muito reticente em aboli-lo, apesar de já haver relaxado muito suas regras. A maior preocupação seria a migração em massa das pessoas que vivem em áreas rurais e/ou em regiões menos desenvolvidas, para Shanghai, Beijing ou outra região que poderia oferecer melhor qualidade de vida.

    Vale dar uma refrescada na memória: na China vivem 1.300.000.000, um bilhão e trezentas mil pessoas. Imaginem uma migração em massa, que proporções podem alcançar! E que é do Sudeste e Sul do Brasil sabe bem o que significa migração em massa, mas as proporções não chegam nem perto...

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 16:53
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    Livros sobre a China – Cisnes Selvagens

     
     

    Livros sobre a China – Cisnes Selvagens

    Voltando aos livros, e como prometi, esse é o primeiro livro de Jung Chang que também escreveu a biografia de Mao.

    ‘Cisnes Selvagens – Três filhas da China’ é uma autobiografia, apesar dela só entrar na terceira parte da história, já que antes conta a história de sua avó e de sua mãe. Uma história da família, diremos assim, que retrata a vida da China do século 20 através da vivência de três gerações de mulheres que passaram por situações de luxo e de extrema pobreza, de alegrias e tristezas profundas, de dor e de luta. Ela começa o livro contando a vida de sua avó, que nasceu em 1909, no final do Império Manchu, que ainda teve os pés deformados pelos costumes da época e aos 15 anos foi entregue como concubina de um influente político/militar.  No meio da confusão política e administrativa por que passava a China, com a derrubada do Império e instituição da Republica (que já nasceu completamente desestruturada e logo foi derrubada), nasceu sua filha (mãe de Jung Chang).

    Sua mãe, aos 15 anos entrou para o Partido Comunista e lutou avidamente pela libertação da China. No auge da revolução ela conheceu o pai de Jung e casaram-se em meio às rígidas regras impostas pelo regime. Quando a Revolução Cultural começou, Jung era adolescente e chegou a participar do Exercito Vermelho. Os pais foram considerados ‘seguidores do capitalismo’, perseguidos e torturados. Foi quando ela começou a questionar as ações do governo e a real intenção da revolução.

    Esse livro foi publicado em 1991, e logo se tornou um ‘Best seller’ premiado. Foi traduzido em 30 idiomas e vendeu mais de 10 milhões de cópias. Hoje está na 18° edição, se não me engano, fora as edições de bolso, que entram numa outra contagem. Ele é proibido na China também, mas há algumas versões não oficiais vindas de Taiwan e Hong Kong circulando por aqui! =]

    Li Cisnes Selvagens depois de ler a Biografia de Mao, o que de certo modo, achei que facilitou minha vida. Como não conhecia quase nada da história recente (e nem da antiga...uiiii) da China, ficou mais fácil de entender os relatos e as épocas que viveram cada uma das mulheres. Quando era citado algum fato histórico, eu já sabia do que se tratava, pois nesse livro ela cita vários fatos, mas nunca se aprofunda em explicações históricas. O foco é contar a vida de três gerações de mulheres chinesas. Claro que é a história da vida dela e da família. Ela conta como quer, mas por histórias pessoais que li em outros livros, essa não me pareceu nada absurda, como alguns críticos dizem hoje, após a biografia de Mao, que foi editada em 2005. Já citei no outro post que a biografia é muito questionada, apesar de constar uma vasta bibliografia e a autora ter demorado 12 anos para terminar o livro.

    Sinceramente gostei muito do livro, independente da política, da revolução, da história estar muito ‘floreada’ ou ‘exagerada’, ele relata bem a luta de mulheres para sobreviver no século 20, como tantas outras em tempos históricos diferentes e situações diversas. É um relato apaixonado. Fico imaginando como deve ser difícil você ter que parar e organizar toda a trajetória de sua família, lembrar-se de fatos que talvez fosse melhor esquecer e ainda colocar tudo isso no papel. Esse é um exercício de autoconhecimento e aceitação pessoal sem tamanho.

    Sobre a China, o livro ajuda muito a entender a relação da mulher com a sociedade chinesa. A falta de valor, o uso como moeda de troca para obter bons negócios ou parceiros (isso vamos ver em outros livros, de outros autores também), e o quanto deve ter sido difícil essas mulheres chegarem à situação social que tem hoje, pelo menos aqui em Shanghai. Sei que no interior do país, na parte mais pobre e que ainda quase não há recursos básicos como água e esgoto (sabe o sertão do nordeste brasileiro? Mais ou menos isso) ainda existe muita discriminação e condições precárias de vida. Mas o que a mídia mostra hoje é a mulher chinesa se impondo, ganhando seu espaço e mostrando que aqui, quem trabalha mesmo, para valer é a mulher! Haja visto que é uma mulher que detém  a maior fortuna da China.

    E também, após esse livro, mais alguma coisa sobre meu olhar para o povo chinês se modificou, se humanizou. Menos julgamento e mais entendimento. Mas isso é algo que todos os livros que li me deram um pouco, me trouxeram informações e pontos de vista diferentes, de épocas diferentes e que fez toda diferença para a minha adaptação e aceitação dessa cultura.

    Zái Jiàn!

     "Cisnes selvagens nao e' um livro de ressentimento e sim de sentimentos."

    Bernardo Kucinski



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 15:19
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    Edição Extraordinária!

     
     

    Edição Extraordinária!

    Olha, que pena que não tenho e nem sei colocar aquela musica do Jornal Nacional....=]

    Hoje merecia. Depois de fazer um monte de coisas, quase no fim da tarde, decidi ir ao IKEA comprar uma abajour para meu quarto. Caramba, já estou aqui há 3 meses e todos os dias a noite penso ‘ preciso comprar o abajur’., mas nunca lembrava durante o dia ou quando lembrava não conseguia ir comprar... bom ai a coisa vai se alongando de uma forma irritante!

    E lá fui eu, acabada depois de um dia cheio. Para meu desespero, a loja estava mais movimentada que o normal num dia de semana. Muita gente, crianças, avós correndo atrás... uma zona ‘made in China’ mesmo!

    Aí dei uma parada na área de sofás, para olhar as novidades e de repente, dou de cara com o sujeito, sem o tênis confortavelmente deitado no sofazão de couro e ainda falando no celular, assim... aquele papo com o amigo de infância que resolve te ligar depois de 15 anos? Ele ria, colocava o braço atrás da cabeça. Levantava os joelhos, cruzava as pernas. Pena que a foto saiu tremida, e nem dá para ver o tênis que estava no chão, no L do sofá, mas era preto também.

    Bom, já escrevi um post sobre a questão de dormir em qualquer lugar, dá uma olhada aqui. Só que hoje o pessoal estava mais, como posso dizer..., à vontade, literalmente se sentindo em casa. O que me chamou atenção é que nem estamos mais no inverno de rachar (porque as pessoas vão para a loja para se esquentar, já que nem todos tem calefação em casa) e nem chegamos ao verão insuportável (em que as pessoas vão para se refrescar...situação invertida). Muito pelo contrário, estamos na melhor época do ano para sair na rua, andar, aproveitar a brisa fresca. A primavera aqui é muito bonita, muitas flores, tudo colorido, as pessoas param de usar os casacões escuros e pesados e parece que todo mundo fica feliz. Uma delicia mesmo!

    Mas hoje ninguém quis saber da rua. Se enfiaram na loja. Quando cheguei na sessão de camas (a Ikea é como a TokStock, você tem que andar léguas até chegar na parte de compras propriamente dita), aí a coisa desandou de vez. Olhei para dentro de um dos apartamentos montados e pela porta de saída vi um homem abraçado com o travesseiro. Meu Deus, não era possível. Voltei e fotografei claro. Gente, o cara estava babando!

    Dei uns dois passos e pensei, e se a foto não ficou boa? Vou entrar no ambiente e bater outra foto de um ângulo melhor. Gente, a mulher (que devia ser a dele, vai saber) estava do outro lado da cama: roncando!!!!!!

    E as crianças brincando, o povo passando, indo tocar nos objetos expostos na mesa de cabeceira, e a mulher dormindo. Me deu uma vontade de acordá-la e cantar a musica do Eduardo Dusek: ‘levanta, me traz o café... que o mundo acabou!!!’ =] Olha, eu já vi muita coisa nessa Ikea, situações que nem os ‘trapalhões’ no auge da carreira iam sequer imaginar. Mas hoje foi assim, assim.

    Pensam que acabou minha aventura? Continuei caminhando e pela lógica de distribuição da loja, passei pelas cômodas e guarda roupas. E tem um corner com pequenos armários, resolvi entrar para olhar, porque gosto de ver as ideias, na realidade não consigo entrar no Ikea e passar reto pela coisas, adoro olhar, abrir portas, ver para serve. =]

    Quando estou saindo daquele lugar, que fica fora do caminho traçado, vi um grupo de uns 10 adolescentes entrando por onde eu ia passar. A loja já estava uma zona mesmo, quem iria estranhar um grupo de adolescentes barulhentos e fashionistas ao melhor estilo chinês (qualquer dia falo mais sobre esse estilo...). Aí ficou uma situação meio confusa, eles falavam, olhavam para mim, falavam entre eles, olhavam de novo, meio que assustados, estranhos. Aí pedi licença para tentar romper a barreira e.... o inimaginável aconteceu!

    Eles começaram a gritar que não, metade em inglês e metade em chinês, para eu não sair, por favor, e aí sacaram as máquinas e iphones e celulares e não sei mais o que e começaram a tirar fotos e dizer que eu era bonita, que els queriam tirar fotos. Eu fiquei tão sem ação, que uma delas percebeu, veio correndo, parou ao meu lado e deu a máquina para a amiga. Segundo round: começou outra gritaria e aí todas começaram a se revezar e tirar fotos e os rapazes (que não se aproximaram) viraram os fotógrafos com 4 máquinas na mão. Olha, eu estava tão em choque, que não tive reação. Foi uma coisa tão SURREAL, tão inusitada nessa altura da minha vida na China, e principalmente por ser em Shanghai e nesse local, onde normalmente tem muitos estrangeiros.

    Nem em Chang Chun, que está na fronteira com o fim do mundo (ou o começo, como preferirem), onde os chineses veem estrangeiros em filmes de 10 anos atrás e realmente param e te olham e tentam conversar. Nem lá, mesmo em 2005, que a China não era metade do que é hoje, eu passei por uma situação dessas. Agora, enquanto escrevo, fico relembrando e quanto mais penso, mais esquisita vejo que foi a situação.

    Bom, para encerrar, como estou meio fanática com esse blog, no meio da confusão, só consegui pensar, isso tem que ir para o blog. Aí tirei meu iphone e pedi para o rapaz tirar a foto com as duas ultimas que estavam ao meu lado, deveria ter tirado com todos, nessa altura do campeonato, mas até que tive presença de espírito para alguma coisa....rs E a felicidade deles foi maior ainda, outra gritaria. Aí eles abriram a roda e me deram passagem dizendo tchau e obrigado nos dois idiomas. Claro, que com aquela bagunça, tinha um monte de chinês parado na passagem para ver o que estava havendo.

    E continuei fazendo minha caminhada, até chegar onde eu realmente queria. Quanto mais eu tento entender, mais confusa eu fico. O que eles viram em mim? Já havia andado o dia todo, devia estar com uma cara de morta viva, hoje foi um dia que não passei nem rímel, sai de casa para ir ao supermercado. Imagina se esse povo dá de cara com um superstar da vida? Eles sufocam o infeliz, ah sufocam...

    Zài Jiàn!

    PS: isso aconteceu na quinta feira, mas meu computador resolveu se rebelar e nem quer saber de entrar na net. Tive que esperar o final de semana para usar o computador do M[ario. Vou colocar mais um post ainda, porque parece que o lap revoltado vai voltar do conserto, talvez na quarta feira!



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 13:38
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    Mercado do Chá

     
     

    Mercado do Chá

    Há duas semanas fui numa palestra com visita há um Mercado de Chá. A visita foi interessante, por que nunca havia ido num lugar desses, na realidade nem sabia que existia! Em todos os lugares que você puder imaginar há lojas de chá na China. Desde estações de Metrô até Shoppings Center luxuosos. Agra um ‘shopping’ de chá é demais, né?

    Mas existe, e não é pequeno não. São 3 ou 4 prédios, com 3 pisos cada um e centenas de lojas vendendo... CHÁ! E tudo que envolve o preparo, o ritual e a armazenagem. Jogos de chá em porcelana, vidro, ágata. Bandejas, potes herméticos, de lata, caixas. Mesas e bancos também, porque há um tipo de mesa tradicional para a ‘cerimônia’ do chá. Além disso, descobrimos que esse mercado é um dos muitos que tem em Shanghai (e no resto da China...rs).

     

     

    O tour era de 2 horas com a guia explicando algumas coisas a respeito das ervas, do cultivo e colheita e como preparar e beber (sim, tem até o jeito certo para segurar a tacinha), mas descobrimos que esse tempo foi curto demais para o tanto de informação que há sobre o tema e também para conhecer o local, com calma. Apreciar as peculiaridades, dar uma boa olhada em tudo.  Saí de lá com um gostinho de ‘quero mais’ e com certeza irei voltar para fazer essa pesquisa (se bem que o que me chamou a atenção mesmo foram as porcelanas... =] , que nenhum chinês me ouça...rs).

     

     

    Ai descobri algumas coisas que, para variar, nunca nem me passaram pela cabeça, como:

    Chá, de verdade, que pode ser chamado de Chá, é a infusão de folhas em água quente da planta Camellia sinensis, da família da flor Camelia. Sendo assim só são Chás verdadeiros os verde, branco, preto e oolong, mais conhecido para nós como o vermelho. Os demais líquidos (acho que podemos chamar assim) provenientes de ervas, flores ou qualquer outra coisa, teoricamente não podem ser denominados Chá. Mas são, e duvido que alguém mude isso no universo. =O

    Aí vem outra conclusão interessante: se o  chá verde, o branco, o vermelho e até o nosso velho conhecido chá preto são exatamente feitos da mesma folha, onde está a diferença?

    A diferença entre eles está na forma que são processados. Para o Chá verde as folhas são ‘queimadas’ logo após a colheita para evitar a fermentação, para não perder as propriedade antioxidantes que possui além de outros benefícios à saúde. O Chá Branco passa exatamente pelo mesmo processo do verde, mas a colheita é feita bem antes, com as folhas ainda novas ou até no bulbo, como as folhas recém-saídas do bulbo possuem um tipo de pelugem esbranquiçada, veio o nome do chá. No Chá preto as folhas são esmagadas após a colheita e deixadas ‘murchando’ por um período (2 dias aproximadamente), realizando assim a fermentação, processo que diminui substancialmente algumas das propriedades encontradas na planta original, como os antioxidantes, por exemplo.  O Chá Vermelho (Oolong) também é colocado para fermentar, mas com duas grandes diferenças: as folhas não são esmagadas e o processo de fermentação é interrompido após algumas horas. Ou seja, oolong é um chá semifermentado.

    Todos esses processos diferentes, que modificam a condição da Camellia Sinensis, é que definem também as propriedades mais destacadas em cada tipo de chá. Por isso o verde e o branco são ótimos antioxidantes, o que já não ocorre com o preto e vermelho. Mas esses têm outros benefícios para a saúde.

    Sabe que chegou uma hora, que a guia/palestrante começou a pedir para que sentíssemos o aroma, déssemos um pequeno gole e mantivéssemos o liquido na boca para sentir o paladar, descobrir se o aroma era defumado ou frutado. Peraí, falai... Isso está parecendo um curso de vinhos, não de chá! Mas a moça me explicou que para os experts em chá, a dedicação, estudo e atenção aos detalhes da colheita até o armazenamento são as mesmas de um enólogo ou um barista.

    Gente... e eu que pensei que chá fosse aquela coisa tão assim, tão simples... pega uma folhinha de boldo na horta do quintal (ou da varanda para quem mora em apartamento) e coloca a água quente... E não é que boldo nem Chá de verdade é! Mas que nada: a água tem a temperatura certa, a xícara tem que estar aquecida, só se pode segurar a xicarazinha com 2 dedos, não pode tomar tudo de uma vez, nem misturar um chá com outro... milhões de regras.

    Pois é, vivendo e aprendendo! E viva o chá!

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 16:37
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    Cenas da vida real... na China, claro!

     
     

    Cenas da vida real... na China, claro!

    Bom, vamos a mais uma sessão de fotos tiradas por essa que vos escreve ou por algum dos muitos colaboradores desse blog. =]

    Ainda bem que tenho amigos, já falei isso aqui, senão não teria como fotografar tudo que acontece nessa cidade! Tá certo que alguns são colaboradores espontâneos, outros eu vejo a foto e aviso ‘vai para o blog’. No chance!

    Mas sempre coloco os devidos créditos, afinal, temos que ser justos. Vai saber a situação que o individuo passou para conseguir aquele flash?

    Andar pelas ruas de Shanghai é um misto de aventura (é impossível descrever o que é atravessar uma avenida larga, mesmo com o sinal de pedestres no verde), luta pela sobrevivência (conseguir o seu lugar na calçada, no elevador ou na fila do Starbucks não é tão simples assim) e teste de agilidade (escapar de uma scooter no meio da calçada, por exemplo). Seus sentidos tem que estar alerta 100% do tempo, afinal luta pela sobrevivência e agilidade caminham juntas. Aventura então... bem, vocês vão concordar comigo que vir morar na China, por si só já é uma baita aventura, né?

    Mas apesar disso, quando dá tempo de prestar atenção nos detalhes da cidade, andar pelas ruas é no mínimo divertido! Além de curioso e muitas vezes chocante. Quantas vezes já não pensei ou falei: ‘Meu Deus, eu não posso estar vendo isso!’. O interessante de toda essa diversidade de sentimentos e reações é que aqui, no final, cada um faz o que quer, se veste como quer e não está nem aí para o que os outros pensam. Ou melhor, na realidade eu tenho quase certeza que eles estão certos que estão abafando com suas misturas de cores e texturas, com seus hábitos comuns (não para nós) ou simplesmente lutando pelo seu espaço tanto como nós.

    Então vamos ao que interessa. Andando por uma rua de ‘antiguidades’ perto da Xintiandi, deparamos com essa ... tigresa? Senhora? Chinesa? Uiiiiii

     

    Essa foto é da Cátia Machado, eu nem tinha visto a 'figura' e ela sacou o celular e disse: essa tem que ir para o blog!

    Todo mundo que trabalha e gosta de malhar, sai de casa com sua malinha com toda a parafernália necessária (roupa apropriada para ginástica, toalha, tênis, garrafinha de água) e depois do expediente, corre para o vestiário da academia, se troca e vai treinar. Mas aqui eles resumem esse processo: sai do trabalho, entra na academia, coloca a maleta do lap ao lado do aparelho escolhido e começa seus exercícios. Simples assim. Me digam para que ter todo o trabalho de arrumar mochila, se trocar, carregar peso extra...

    Esse flagra foi da Carol Lui que estava na academia quando eu liguei para ela. Aí ela me disse: você não vai acreditar no que estou vendo!

    Claro que respondi, 'fotografa que eu acredito'! lol

    Agora, algumas pessoas já me contaram histórias hilárias de academia. Outro dia uma amiga (não lembro se foi a própria Carol) presenciou um rapaz treinando com um personal trainner, até aí tudo certo se esse personal não fosse um aplicativo do iphone, com vídeo aula. Agora imaginem a cena: o cara coloca o iphone no chão, se abaixa para tentar enxergar direito o exercício e levanta para fazer e se abaixa para olhar o personal de novo. Pensando bem, só esse abaixa levanta para se entender com o iphone já foi um exercício e tanto. É vai ver que este é o segredo do app. =]

    Mundo globalizado é assim, a gente está cada dia correndo mais, fazendo mais coisas e com menos tempo para o básico, inclusive comer. Os fast-foods que o digam. Por conta disso, já vi muitas vezes pessoas andando na rua com um sanduiche, para ganhar tempo e não cair duro de fome. Mas comer noodles com shopstick dentro do metro é demais! Até porque o noodle deles é uma sopa, literalmente. E depois ainda tomam o caldinho com a delicadeza peculiar do oriente. #aimeudeuso...

    Essa foi eu mesma que captei nas minhas aventuras pelo metro de Shanghai!

    Por hoje está bom. Mas lembrem-se que coisas assim acontecem todos os dias, várias vezes por dia... =]

    E não se distrai muito com seu espanto, que a scooter vai te atropelar...

    Zái Jiàn!

    PS¹: vocês podem notar que TODOS os nossos 'modelos' perceberam que estavam sendo fotografados e até melhoraram a pose... =O

    PS²: as fotos estão com qualidade péssima, mas como disse no inicio, tem que dar um desconto porque as vezes precisamos agir rápido ou perdemos o flagra! =]



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 01:09
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    Por onde comecei a entender a China.

     
     

    Por onde comecei a entender a China.

    Já vi que deixei um monte de gente curiosa. =]

    Então vamos lá: como já falei, em 2004 as opções de leitura sobre a China não eram muitas, ou melhor, não tinham o destaque na mídia que tem hoje. Porque praticamente todos os livros que li foram publicados muito antes disso.

    Posso dizer que o primeiro livro que me ajudou a entender a história recente, foi a biografia de Mao Tsé Tung. Juro que fiquei enrolando um tempão para comprar o livro, que foi lançado em 2006, porque ele é quase uma Biblia de tão grande. Achava que não ia conseguir ler aquelas quase 1000 páginas. Mas depois que tomei coragem, percebi que tem uma vasta bibliografia e isso toma mais de 100 páginas, mais as fotos e notas de rodapé. Tudo bem que o livro continua enorme, mas psicologicamente o numero de páginas diminui, se é que vocês me entendem...rs. O bom disso é que hoje nenhum volume me intimida! Livro de 400 páginas é básico.

    Além do que, a história é muito interessante e eu sempre queria saber o que vinha depois. Concordo que a minha experiência de China colaborou para isso, pois muitos dos lugares que já havia visitado ou as histórias que já havia ouvido estavam descritas naquelas páginas. E isso sem duvida aguça a curiosidade e a vontade de entender, porque aqui na China, ninguém te esclarece nada. Nunca. É tudo muito nas entrelinhas, se você faz uma pergunta direta, eles desconversam de uma forma bem sutil. Hoje sei que o governo após a morte de Mao e a derrubada da Gang dos 4, decidiu preservar a figura dele como o herói nacional, já que o mesmo tinha um carisma nato e o povo ainda venera, até hoje,  sua figura. Como a intenção era, e ainda é, manter a ditadura e o controle total do Estado, essa foi uma estratégia extremamente inteligente e uma sábia decisão daquele grupo, pois desmistificar a figura dele seria um choque imenso para essa população que passou por tanto sofrimento e privações em nome da revolução. Isso poderia causar um impacto negativo e de revolta, pois inevitavelmente traria a sensação de traição e a “do que valeu tanta luta”?  O grupo que assumiu o governo que começou essa grande revolução, a REAL marcha para o futuro, a abertura da China, era formado por pessoas que, apesar de ter a convicção comunista/socialista, não concordavam com os métodos e ações que eram tomadas.

    E souberam reverter a situação de modo magistral. Que pais conseguiu o crescimento que a China conseguiu em pouco mais de 30 anos? Temos que lembrar que no final da década de 1970, a China era paupérrima, um deserto, com o povo extremamente faminto de tudo, e ainda imaginando que não havia no planeta nada melhor além da China. Zhongguó 中国 , quer dizer 'País do Centro' .

    Deixo claro aqui que não estou analisando a questão ideológica, nem ponderando se esse ou aquele regime de governo é bom ou ruim. Estou tentando olhar de fora e entender o que aconteceu e, dentro das circunstâncias que se encontrava a China naquela ocasião, exclusivamente com essa visão, a transição da era Mao para a atual. Já coloquei diversas vezes nesse blog, que não é meu objetivo fazer apologia ou criticar a China, seu governo e seus governantes. E como já falei também, recomendo essas leituras porque me ajudaram muito a entender e conviver com a China no meu dia a dia. Realmente é muito complicado para nós, ocidentais, entender toda a engrenagem da cultura chinesa. São muitos hábitos, costumes e maneira de pensar que não fazem nenhum sentido para nossa forma de raciocínio. Só que quando você não vive aqui é simples entender, fechar o livro e continuar a sua vida no seu país, na sua cultura. Agora quem vive aqui nunca fecha o livro, nos deparamos todos os minutos com coisas e fatos que, no primeiro momento, nos assustam. Uma das primeiras coisas que mudei ao ler esse livro foi o ‘meu olhar’ sobre o povo chinês. Deixou de ser tão critico e cheio de julgamento (que era baseado somente na minha vivência ocidental) e passou a ser de analise, de questionamento, que mais tarde passou a ser um tipo de aceitação da realidade em que vivo. Isso foi (é) um processo, longo (porque está em constante movimento) e difícil, mas a minha vida ficou bem mais simples (ou menos difícil, como preferir).

    Esse livro é proibido aqui. A escritora é uma chinesa que vive na Inglaterra. Há opiniões contraditórias a respeito dessa biografia, mas acredito que de um modo geral, para um leigo como eu, que só quer entender o local onde vive, ela cumpre bem seu papel. Mas existem outros que merecem ser lidos e ponderados, sempre lembro que nunca podemos aceitar uma única fonte como verdadeira =). No próximo post sobre livros, vou citar outro livro dela muito interessante também.

    A resenha pode ser lida nesse link.

    Zái Jiàn!

    “Todo o conhecimento genuíno tem origem na experiência direta.”

    Mao Tsé Tung



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 03:49
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    Livros sobre a China.

     
     

    Livros sobre a China.

    Livro é uma coisa muito pessoal, tem gente que ama romance, tem outros que amam biografias. Tem os que gostam de coisas leves, e os que preferem livros densos e cheios de reflexões, histórias cruzadas, fatos reais. Há também os que não gostam. =]

    Bom, eu amo ler e quando tenho a síndrome da leitura leio até bula de remédio, se não tiver outra opção. Se bem que hoje com a internet é quase impossível não encontrar um bom livro; tudo bem que não com o mesmo charme do exemplar na mão, esparramada num sofá, mas é possível ler na tela do computador ou ainda num tablet. Como tudo aqui, a minha relação com a leitura na China ficou super intensa, a ponto de ler 6, até 7 livros num mês.  Li de tudo um pouco, do drama à comédia. De histórias reais até a mais maluca ficção. Mas o que realmente ocupou o topo da minha lista de leitura nos últimos 5 anos foram livros sobre a China.

    Hoje sei que o numero de títulos à disposição no mercado é imenso, mas não era assim em 2004. Para ter uma ideia, só consegui comprar um guia de viagem bem elaborado em 2007. E eu procurei, porque a China para mim naquela época era uma ilustre desconhecida, onde eu só sabia que ficava do outro lado do mundo, que teve o episódio da Praça da Paz Celestial em 1986 (e nem sabia ao certo a data) por conta da transição que o país estava passando depois de sair de um período político extremamente radical. Ah, também tinha o Confúcio e a filosofia de vida Zen (que hoje sei que de zen não tem nada), e que quando a gente não aguentava mais alguém dizíamos: ‘vou te mandar para a China’ (pode ser que vocês ainda usem esse jargão, mas para mim ficou meio sem sentido...rs).

    Cheguei à conclusão que tive muito pouca base de história e geografia na escola, me senti perdida no mundo, literalmente. E os livros (alguns bons artigos também) me ajudaram nessa descoberta do mundo e, em especial, da China. Por isso resolvi falar um pouco dos livros que li. Não de uma vez, mas de vez em quando vou postar sobre um ou dois que acho que realmente vale à pena se você quer entender a história e a cultura chinesa. E quando falo cultura, não estou falando somente dos rituais, dos templos, religião, dança e teatro. Estou falando dos hábitos, costumes do dia a dia, educação e, principalmente, daquelas coisas que causam tantas polêmicas no mundo ocidental. Como já disse muitas vezes, não concordo com um monte de coisas, costumes e jeito de ser da vida do chinês, mas hoje consigo respeitar e entender. Consigo me colocar do outro lado e questionar meu próprio ponto de vista. De ser menos parcial, de imaginar uma balança de dois pratos e ir colocando um peso de cada lado, ponderar. E isso, só consegui através da leitura e do entendimento de como se desenrolou a história desse povo.

     

     

    Aí, na hora de fazer cara feia para aquele prato cheio de bichinhos, penso que como posso julgar e condenar, chamar de loucos, de estranhos quem comeu casca de arvore para sobreviver, porque nem os insetos eram encontrados mais no arredor das casas. E isso faz a diferença. Sim, eu continuo fazendo a careta nojenta para o prato que vejo na minha frente, e peço à Deus que me poupe de um dia ter que comer um negócio desses. Mas hoje sei por que comem e respeito esse hábito. E tem centenas de outros, muito mais polêmicos, mas que têm outro sentido quando se conhece a história.

    Só que nessa introdução pelos meandros da literatura (que eu conheço) que fala da China, já me estendi demais. Então proponho que, para começar, vocês deem uma olhadinha num post antigo onde citei o Livro ‘LAOWAI’ da Sônia Bridi. É leve, divertido, conta a vida na China como ela é. E apesar de já fazer quase 10 anos, alguns trechos eu me vi, passando por situação semelhante.  No final do livro chorei, talvez por ter me identificado, por estar numa situação quase que igual (apesar de Shanghai ser mais internacional que Beijing). Acho quase impossível alguém que esteja ou já tenha morado aqui, mesmo que por 6 meses, não sinta um aperto no peito nas situações difíceis, sorria ao se lembrar de algo parecido e no final não dê um suspiro (meio entre o alivio e o desespero...) e pense: ‘ainda bem que não estou sozinho nessa aventura’. No próximo post sobre esse assunto, já começo pelo livro, sem delongas filosóficas... =]

    Para facilitar a vida do meu leitor, uma resenha que está na pagina do livro LAOWAI no FaceBook: ‘Misto de reportagem e diário de viagem, Laowai narra a permanência do casal Sônia Bridi e Paulo Zero na China entre 2005 e 2006. Sem falar o idioma e com um filho de apenas três anos, encararam o desafio de montar a primeira base da TV Globo no Oriente. Sônia conta como foi viver dois anos num país literalmente do outro lado do planeta, com costumes completamente diferentes dos vivenciados até então - apesar de ambos serem cidadãos do mundo, os dois experientes jornalistas sofreram um grande choque cultural. A partir dos acontecimentos do cotidiano como alugar apartamento, liberar equipamentos na aduana, fazer exame para obter carteira de motorista, encontrar escola para o filho, descobrir onde comprar roupas para o seu tamanho ou abrir conta em banco, Sônia vai construindo um retrato da sociedade chinesa, em todos os seus aspectos, sob o ponto de vista de uma laowai, com olhar perspicaz de repórter e viajante experiente e uma perspectiva feminina que dá ao relato um sabor especialíssimo.’

    Zái Jiàn!

    "Eu não procuro conhecer as perguntas; procuro conhecer as respostas."

    Confúcio



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 08:07
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