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    Pijamas.

    Fico pensando se um dia as coisas vão realmente mudar aqui na China. Não digo a questão econômica ou o progresso galopante. Mas sim os hábitos e costumes enraizados por décadas e até séculos.

    O pijama é uma desses costumes que parece que nem por decreto vão conseguir mudar. Sim, decreto, porque desde 2008, com as olimpíadas acontecendo e a Expo 2010 a caminho em Shanghai,  o governo tenta coibir o uso de pijamas nas ruas, “chamando” as pessoas que são encontradas usando para uma conversa de esclarecimento. Eles temem que esse hábito, muito comum em Shanghai, mas que pode ser visto em outros lugares na China, passe uma imagem  negativa para os estrangeiros.

    Mas o fato é que o povo adora sair de pijama (e alguns ainda usam as pantufas também!). Pode ser para passear com o cachorro, levar o bebê no parque, ir ao supermercado ou até mesmo trabalhar, principalmente nos pequenos comércios dos bairros de subúrbio.  E a coisa toda acontece na maior naturalidade.

    Duas primeiras fotos são da net, a terceira é da Liliane e a úktima da Cris.

    Existem algumas teorias para esse costume. Uma delas é que durante os anos de Revolução, a privacidade foi completamente tolhida e tudo era comum, o “socialismo da individualidade”. A outra foi que nesse mesmo período os camponeses invadiram a rica e prospera Shanghai, com seus hábitos não tão “civilizados”. E também já ouvi, mas não sei até que ponto é verdade, que seria um sinal de status, já que na época da grande fome e no auge da Revolução Cultural, só poderia ter uma roupa especial para dormir quem tivesse algum tipo de posse.

    Seja qual for o motivo, ter pijama e desfilar com eles pelas ruas é o máximo! E nos centros comerciais chineses, as lojas que vendem o traje capricham na divulgação. Desde oncinhas até Hello Kitty, cobertas com os laços e as rendas, há de tudo um pouco. Os homens já são mais discretos e ficam no tradicional.

     

    Agora, o fato é que depois disso tudo, a coisa mais difícil por aqui é comprar um pijama “normal”, básico, de uma cor só! J

    Nesse post tem as fotos de mais uma colabora do blog, Cristina Lasaponara, que vive em Zhangjiagang, uma pequena cidade à uma hora e meia de Shanghai.  E ela nunca me deixa mentir! J Como vive numa cidade realmente chinesa, sempre adiciona alguma informação nos seus comentários que ilustram o assunto do dia! Valeu, Cris.

    Essa foto é fresquinha, com os filhos da Cristna num supermercado em Zhangjiagang.

    Agora vou colocar o meu pijama e ir dormir, porque nosso domingo já foi!

    Até o próximo.



     Escrito por Christine Marote às 13:02
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    Tirando uma soneca II

    Um dos primeiros posts que fiz foi sobre como as pessoas dormem aqui. Em qualquer lugar, em qualquer circunstância, sentado ou em pé não tem problema. Claro que se estiver deitado, muito melhor...

    Também falei de que eles dormiam nas lojas de departamentos e nos supermercados. Onde tivesse um móvel em exposição, aproveitavam para uma soneca. Mas naquela época eu não tinha nenhuma foto para comprovar o meu relato. Não que eu ache que alguém possa não acreditar no que escrevo aqui, por mais absurdo que pareça. Mas tenho plena consciência, que há situações e hábitos aqui na China, que fica muito difícil para as pessoas entenderem e assimilarem como uma coisa normal mesmo vendo com os próprios olhos. Imaginem criar essa imagem completamente abstrata e ter certeza que não exagerou!

    Pois bem, hoje fui ao IKEA, uma loja de departamentos no estilo da TOK STOCK. Lá, tudo que é vendido está em exposição em pequenos apartamentos simulados ou simplesmente divididos por setor. E aí dei de cara com minhas vítimas! Não podia perder essa oportunidade e aqui estão eles para vocês verem. Foto fresquinha tirada hoje.

    Esse, apesar da soneca, não larga a sacola com as compras pela metade. Porque nesse setor ainda tem muita loja para andar. E não deixou de se cobrir, afinal o frio ainda não chegou ao ponto das lojas ligarem o sistema de aquecimento!

    A moça aí de cima, até ressonava. E uma das vantagens de viver na China é a despreocupação com seus valores. Nessa bolsa vermelha está a bolsa dela, pois aqui quando entramos todos tem que colocar bolsas e sacolas nesse saco que é lacrado.

    E para finalizar, aproveitei para colocar uma foto que a Liliane me enviou depois daquele post também. Já pensou se ela leva um susto e acorda levantando os braços sem lembrar onde está? J

    É isso aí pessoal e daqui a pouco quem vai para cama sou eu, mas em casa claro, pois o sábado aqui já está no fim!

    Até!



     Escrito por Christine Marote às 08:01
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    O concreto e o bambu

    Já falei algumas vezes aqui que uma das coisas que mais me impressiona é a capacidade de transformação urbana, da noite para o dia praticamente, que está ocorrendo na China. Em especial nas grandes cidades como Beijing e Shanghai.

    Viadutos são construídos em tempo recorde, casas demolidas e prédios erguidos numa rapidez assustadora.  A modernidade está revolucionando a construção civil e a arquitetura chinesa.

    Só que ao mesmo tempo, ao lado de um guindaste ultramoderno, construções em concreto pré-moldado e prédios inteirinhos de vidro, os andaimes são feitos de bambus, os trabalhadores não usam proteção nenhuma e os procedimentos ainda são rudimentares.

          

    No final podemos dizer que eles conseguem aliar o moderno e o antiquado. As novas tecnologias com a prática milenar.

    Olhando para as pessoas nas ruas e nas casas antigas ao lado de arranhas-céus, temos a impressão que eles convivem com o novo, mas não aceitam como estilo de vida. Como se fosse uma coisa muito distante que não lhes pertence. Continuam com os velhos hábitos de comer na rua, as roupas penduradas pela cidade, o lixo espalhado dentro das casas.

    Para coibir os velhos e rudimentares hábitos como de cuspir no chão ou jogar lixo nas ruas, por exemplo, o governo instituiu uma multa, fez uma Lei que proíbe isso nos aeroportos, nas instalações das olimpíadas e da Expo. Além de uma campanha maciça nos meios de comunicação e colocando nas ruas o que poderíamos chamar de “educadores”.

    Num semáforo existe um “educador” em cada esquina, impedindo as pessoas de atravessar fora da faixa e/ou quando o sinal de pedestre está vermelho.  A iniciativa é muito interessante, só que num país de milhões de habitantes, acredito que essas ações atinjam muito poucos e somente são aplicadas nos locais onde vivem muitos estrangeiros.

    Para resumir, o progresso que chega através do concreto é rápido e visível, mas a cultura local leva décadas para alcançar o mesmo patamar.

    Até! Legal

     



     Escrito por Christine Marote às 09:45
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    1000!

    Olha só, hoje fui olhar a contagem e cheguei às mil visitas em 45 dias! Nada mal para uma primeira experiência de escrever nesse mundo virtual.

    Agora, tenho que admitir: falar da China, com tanta coisa pitoresca, esquisita, deslumbrante e imensa que existe está sendo fácil.

    O engraçado é que virou um hábito incorporado na minha vida diária. Em cada lugar que passo, fatos que presencio, coisas novas que vejo, já vou logo pensando que isso daria uma ótima estória para colocar aqui. Na minha agenda já tem uma listinha considerável e fora o que as “colaboradoras” me enviam. A Lili e a Cida, além das fotos, mandam os tópicos com alguma explicação para me ajudar a escrever. O máximo! J

    Por isso hoje vou colocar a foto das meninas aqui, companheiras de China, cada uma com suas experiências e sua maneira de driblar as dificuldades e aprender a sobreviver nesse país tão peculiar. Para vocês meu “super obrigada” pela força.

    Liliane, eu e Cida.

    A foto foi tirada com a máquina da Lili, mas quem tirou que se manifeste. Deu branco! :)

    E também para as outras pessoas que tem me ajudado muito com comentários, incentivos, divulgando e de vez em quando dando o ombro para chorar. Sempre falo que aqui temos a “família” ampliada. Os amigos são quem nos socorrem, quem nos seguram na hora da tristeza, quem comemoram conosco cada vitória de vencer mais uma barreira.

    E, para os meus queridos amigos brasileiros obrigada pela paciência de me acompanhar nesse diário da China, mas foram vocês a maior motivação para isso começar. Obrigada por me mostrar que eu poderia fazer isso.

    E um beijo especial para minha fã número 1, que nunca deixa de vir aqui e ainda com recadinhos todos os dias, além de fazer a maior propaganda: D. Regina! Ok, mãe é mãe, eu sei..., mas no mínimo, ninguém vai poder dizer que “nem a mãe quer saber do que ela escreve”...hehehhe

    Beijo enorme no coração de cada um e aquele abraço cheio de saudades!

    Xei xei péng you!



     Escrito por Christine Marote às 08:18
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    Moda Chinesa

    Não sei se foi por conta de anos de repressão durante a Revolução Cultural, onde todos tinham que andar de uniforme e as mulheres não podiam usar sequer um laço no cabelo,  ou se a falta de noção impera do nada, mas a questão da moda aqui é algo para lá de extravagante e exótico.

    Para começar as roupas tem que ter brilho, muito brilho mesmo. Camisetas com a frente completamente bordadas de paetês é o mínimo. Babados e rendas também são fundamentais, assim como muitas cores e estampas. O pior é que tudo isso é usado de uma só vez, claro, porque tudo é indispensável. Como se não bastasse ainda tem os acessórios que seguem os mesmos padrões: brilho, rendas e babados, no mínimo. Bolsas cobertas de strass e rendadas, fivelas e tiaras cheias de rendinhas e lacinhos, flores aplicadas em tudo que é lado, tachas, ilhoses e afins. E ainda tem os sapatos para completar: saltos de acrílico e todos os adereços que já citei acima.

    Isso tudo é usado à luz do dia, roupa de ir trabalhar ou ao supermercado, não importa.

    Tem uma moça que trabalha no meu condomínio e sempre falamos que ela é o protótipo do padrão chinês “fashion”: outro dia ela usava uma camiseta verde, e outra branca toda furada e com brilhos contornado o furo, uma jardineira que ia até acima joelho amarela, meias ¾ listrada amarela e azul e um all star azul de cano alto. Para completar umas quatro “chiquinhas” no cabelo no melhor estilo Xuxa anos 80 e muita maquiagem, porque chinesa não vai nem na esquina sem maquiagem. Não sei se vocês conseguiram visualizar o “look”, mas levei algum tempo para assimilar e me controlar para não rir.

    No dia seguinte fui ao escritório e a mesma moça estava usando um vestido TODO drapeado, colado no corpo, prateado (não era cinza, quero deixar claro), um bolero de renda preta, todo com babados e uma flor enorme prateada no cabelo. Ficamos imaginando como será que ela iria se vestir para ir num casamento.

    Claro que existem as pessoas que se vestem de uma maneira mais básica, mas de um modo geral o que encontramos nas ruas e nas vitrines das lojas chinesas são esses “modelitos fashionistas”. Adoro sentar num banco de praça ou metrô e ficar observando. No mínimo é divertido.

    Outra coisa que me chama atenção são os comprimentos dos shorts e saias. Elas não usam decotes de maneira alguma, mas em compensação as pernas ficam à mostra até passar do limite aceitável.

    Meias também são peças fundamentais: pretas, rendadas, rasgadas, bordadas com paetês, coloridas e o que mais sua imaginação permitir. Além das meias soquetes de seda, que são usadas com sandálias e saia curta. O máximo.

    Bom, isso é só uma amostra. Já vi de tudo que pode ser chamado extravagante, estranho, exagerado. Pena que sempre consigo bater as fotos.

    Mas conforme for conseguindo mais  “modelitos” vou publicando.

    Até! J

     

     



     Escrito por Christine Marote às 12:55
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    Outro dia escrevi sobre as fraldas (ou melhor, a falta delas!) só que depois, quando encontrava um bebe na rua, minha consciência pesou! J

    Passei uma imagem de caos e falta de higiene que é real, eu sei, mas não é justa com os bebes. Afinal eles não entendem e não escolhem. Simplesmente é isso que é colocado como certo para eles e ponto. Precisava mostrar o lado bom da coisa, porque sempre tem. Por mais esforço que seja necessário fazer para enxergar.

    Bom, os bebes chineses são as coisas mais fofas que já vi. Não dá para dizer que são feios ou bonitos: são fofos, especiais. Carinha redonda, os olhinhos puxados, mas quase fechados e no inverno, em especial, as bochechas são tão vermelhas que parecem que foram pintadas.

    Quando são recém nascidos eles andam tão amarrados e cheios de roupas que acho que dá para colocá-los em pé, impossível dobrar. Depois de maiorzinhos parecem uns robozinhos, de tanta roupa. Me disseram que os chineses acreditam que as crianças sentem mais frio que os adultos. E dá-lhe roupa, luva, gorro (e o bumbum de fora... rs).

    E os cabelos? A maioria nasce com o cabelo preto e super espetado. Parecem que levaram um susto! O duro é que aqui existe o hábito de raspar a cabeça do bebe, não importando se é menino ou menina. Já vi meninas que deveriam ter uns 3 anos, com a cabecinha raspada. Fora os cortes excêntricos também. Mais uma vez eles sofrem pelos hábitos dos pais e avós. 

    Como já havia citado aqui, quando as crianças nascem, quem cuida são os avós. E na maioria das vezes os paternos. Mais um fato estranho para nós que, por mais que alguém ajude, mãe é mãe, sem discussão.

    Mas é costume mesmo. E quando vou ao hospital ou mesmo num parque, a maioria das crianças estão na companhia deles.

    Bom, pelo menos agora vocês podem ter uma imagem positiva das “fofuras” chinesas! J

     

     



     Escrito por Christine Marote às 12:02
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    Esse texto é um pouco longo, mas escrevi quando uma pessoa muito querida foi embora da China. Hoje, nesse domingo chuvoso, percebendo que o ano está acabando e chegando mais uma vez, a hora das despedidas, resolvi partilhar com vocês. Aqui vivemos muitas coisas interessantes, divertidas. Aprendemos muito, mas também tem o lado emocional que flutua entre os extremos da alegria e da tristeza.

    Xié xié, péng yóu! Obrigada, meus amigos.

    Nesses anos que vivo na China, em especial esse último ano em Shanghai, pude olhar com outros olhos para coisas que antes não faziam sentido, como os encontros e despedidas. Quantas vezes na vida nos separamos de amigos queridos? Talvez quando saímos do colégio ou da universidade, quando mudamos de emprego. Mas é uma separação de algumas quadras ou bairros dentro da nossa cidade. Com alguns deles continuamos cruzando nossa vida inteira. Outros nunca mais veremos, mas é a vida; depois da adolescência vem a época das escolhas e de cada um seguir o seu caminho. Mesmo assim ainda contamos com nossos pais, irmãos, tios etc. Não nos sentimos tão desamparados apesar de tristes.

    Mas aqui é diferente. Todos nós chegamos já carentes de nossas raízes. Muitos, pela primeira vez, apesar de já terem família formada, nunca se distanciaram muito dos grandes amigos, da família, dos pais. Há alguns que também deixam os filhos, emprego de anos. Resumindo, toda a nossa estrutura, nossa zona de conforto desaparece da noite para o dia.

     

    Pois, bem: chegamos. A proposta é começar de novo. Procuramos nossa comunidade, nos apresentamos para os vizinhos que, aqui na maioria, são muito amigáveis com os novatos, porque independente da nacionalidade, estamos todos no mesmo barco. Vamos conhecendo a cidade e quando damos conta já temos  novos amigos, aprendemos um monte de coisas diferentes sobre cada cultura que vive nessa “Torre de Babel” que é Shanghai, nos adaptamos à nova casa, novos hábitos e aos poucos nossa zona de conforto volta a existir.

    Quando realmente nos sentimos “em casa” recebemos a notícia de que aquela família, justo a que todo mundo se dá bem, desde as crianças até os cachorros, que temos a sensação que nos conhecemos há décadas, nos fala que estão voltando para seu país ou indo para outro lugar. Aí na outra semana mais um, mais outro e quando paramos para contar percebemos que muitas pessoas que se tornaram queridas e importantes para nossa vida estão indo embora (quando não é a gente mesmo... mas isso é um outro assunto que fica para a próxima vez).

    Chegou a hora da partida: aí começa nosso ciclo outra vez, não tão penoso quanto a chegada a este país, mas dolorido o bastante para nos fazer lembrar que não existe zona de conforto por aqui. Temos que estar sempre nos movimentando, nos relacionando, conhecendo e ajudando uns aos outros, nos adaptando. É um “reconstruir” quase diário.

    Tem o lado bom? Claro que tem, como tudo nessa vida. Nunca tive, e nem imaginei ter, tantos amigos de nacionalidades completamente diferentes. De conhecer brasileiros que possivelmente jamais encontraria no Brasil. E hoje são pessoas extremamente importantes e queridas das quais jamais irei me separar, mesmo que continue vivendo do outro lado do mundo!

    O que precisamos é aprender a conviver com esse vai e vem de pessoas e sentimentos, nos refazer a cada dia para poder lidar melhor com nossas expectativas e sentimentos. E sempre lembrar o nosso poeta Milton Nascimento, que canta: "Tem gente que chega prá ficar / tem gente que vai prá nunca mais / tem gente que vem e quer voltar / tem gente que vai e quer ficar / tem gente que veio só olhar / tem gente a sorrir e a chorar / E assim chegar e partir! /.../ É a vida desse meu lugar..."



     Escrito por Christine Marote às 11:18
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    Fraldas, para quê?

    Fraldas aqui, sejam as de pano ou descartáveis, não são muito usadas. Eles preferem manter os bebes, principalmente os que estão acima de 1 ano, livres para descobrirem suas necessidades fisiológicas (não encontrei outra forma de explicar isso).

    Então as roupas, macacões, calças, shorts, são confeccionadas com um buraco no gancho, deixando as “partes intimas” do bebe a mostra. E como já se pode imaginar, eles tem o direito de fazer suas necessidades onde bem entendem: na rua, na grama, na calçada, no supermercado até... E assim eles vão passear, a festas, a restaurante.

    Sei que é duro de entender, mas é a pura verdade. Quando é o numero 2, geralmente as mães ou as avós (porque a maioria dos bebes são cuidados pelas avós) seguram pelas pernas. Olha, que assunto difícil de explicar esse... Mas não dava para deixar de fora.

    As fotos falam tudo!

    A foto do menino no colo da avó foi um belo flagrante da Cida Marciano! :)

     

    O engraçado é que no inverno, um frio de rachar, temperaturas abaixo de 0, a gente depara com as crianças parecendo uns robozinhos de tanta roupa que colocam, mas com o bumbum de fora. Vai entender a lógica disso tudo.

    E cada vez mais, ficamos perplexos com os hábitos cotidianos desse povo.

    Até! J



     Escrito por Christine Marote às 02:41
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    Contar com as mãos

    Se a língua e a escrita são tão diferentes por aqui, por que contar com as mãos seria simples e básico como no nosso sistema ocidental?

    Então vamos lá: eles usam uma só mão para contar de 1 a 10. O Mário diz que é porque a outra está ocupada segurando o dinheiro. É uma piadinha que só entende quem vive aqui, porque “êta” povo para gostar de dinheiro! O melhor presente para o chinês é dinheiro. Sem mais.

    Voltando à contagem. De 1 a 5 podemos ficar dentro do tradicional, passando disso são feitos sinais que identificam cada número.

    Foto da Internet 

    Os 3 últimos sinais são para o número 10, mas o mais usado é o da mão fechada.

    E como tudo aqui, não há como sair do padrão porque eles não entendem. Se tentar falar 10 com as duas mãos abertas, vão te olhar com aquelas interrogações saindo por todos os lados.

    Outra coisa interessante é que eles não cortam o número 7 como fazemos, e nem a letra Z. E quando a gente cria um hábito de alguns anos de estrada escrevendo de um jeito, como é difícil mudar. Toda hora me pego cortando o tal do sete e em seguida as interrogações me perseguindo.

    Alguém me explicou que por conta dos caracteres, que são extremamente complicados e detalhados, eles são extremamente rígidos com a escrita. Se uma pontinha do número ou da letra está fora do padrão, está errada e não há entendimento.

    Em alguns momentos e atitudes, percebemos como o povo daqui é rígido, inflexível e metódico com os padrões. Vejo isso como resquício do período da Revolução Cultural, quando a ditadura era realmente levada ao pé da letra. Sem questionar, sem sair dos padrões. E apesar de vermos altas ondas de criatividade e “jeitinho” no dia-a-dia, também há um excesso de falta de iniciativa para sair do que já está estabelecido.  

    É um paradoxo. E para quem gosta de analisar e “filosofar” em cima, um prato cheio.

    Até amanhã! J

     



     Escrito por Christine Marote às 09:32
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    Ovos Preservados.

    Já falamos um pouco sobre comidas estranhas aqui, mas o ovo preservado é algo especial.

    Aves e ovos estão entre os alimentos mais consumidos na China. Frangos, patos, gansos e seus ovos sempre estão entre as iguarias dos cardápios. Acredita-se que essa técnica foi criada durante a Dinastia Ming para preservar o alimento nas épocas de fartura, e consumi-los mais tarde. Bem mais tarde, diga-se de passagem. Geralmente são utilizados os ovos de patas, mas os de galinha e codorna também são usados.

    Os ovos são enterrados por 100 dias em média, depois cozidos e servidos cortados em 4, como qualquer ovo cozido. Mas ele é preto. Imagine a clara como uma gelatina marrom e a gema, um pedaço de carvão se desfazendo. O cheiro assemelha-se ao de enxofre e o sabor fica a critério da sua imaginação. Nem preciso dizer que fui apresentada a esse prato em Chang Chun. Já havia ouvido falar desse ovo e quem nos contou tentou provar, mas a experiência não foi muito feliz e ele acabou no banheiro mais próximo!

            

    Fotos: Internet

    Jantar especial de boas vindas, só chineses na mesa + eu e o Mário. Aí a tradutora diz que foi pedido um prato muito caro e especial para os chineses em nossa “homenagem”. Quando esse papo começa, já sabemos que não vem boa coisa... Dito e feito: chegou o carrinho de comida e começaram a colocar os pratos no centro giratório da mesa, e não é que um deles era um monte de pedaços de ovos pretinhos. A má notícia é que o prato nos foi apresentado e explicado sua procedência e o quão especial era. A boa notícia é que foi colocado no meio do prato giratório. Aí cada vez que os ovos se aproximavam, pegávamos algo para comer de modo que ele passava adiante. E um pegava, outro pegava, até que para nosso alívio alguém degustou o último pedaço. Ufa!!!

    Quando a tradutora viu o prato vazio, olhou e nos perguntou se havíamos provado. “Claro que sim!“ Foi a resposta imediata e em coro. “Gostaram? Achamos diferente”, foi o que respondi. “Podemos pedir mais um? NÃO é necessário”, mais uma vez em coro! Ela ainda insistiu, mas falamos que já havíamos comido demais e a única coisa que queríamos era um prato de frutas.

    Que alívio, quando levantamos para ir embora! Não sou chata para comida e até tento experimentar algumas coisas diferentes de vez em quando, mas ovo enterrado não dá para encarar!

    Foi assim que conheci o ovo preservado, que há meu ver nada mais é do que ovo podre.

     

    Podemos comprar o ovo preservado "fresco" ou em embalagens à vácuo em qualquer supermercado!

    Foto: Liliane Broca

    Acho que do jeito que estou indo, ninguém mais vem me visitar! J

    Até amanhã.

     



     Escrito por Christine Marote às 10:34
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    Carros de Luxo.

    Além das bicicletas, a China tem muitos carros. A produção está a todo o vapor e o incentivo ao consumo interno também. Aqui, em comparação ao Brasil, os carros são muito baratos. Algo em torno de 40% menos no preço final. Os impostos são quase nada. Em compensação, para conseguir uma placa de Shanghai temos que desembolsar uma quantia absurda. Muitas pessoas optam por emplacar o carro em outras cidades, para o custo ser menor. Apesar de que isso implica em restrições de tráfego dentro de Shanghai. Mais ou menos como o rodízio, os carros de fora têm horários específicos para circular nos elevados.

    Agora o que chama mesmo nossa atenção são os carros que circulam por aqui, numa quantidade muito além do que poderíamos imaginar. Muitas Mercedes, BMW, Audi, Porshe e até Ferrari circulando por aí sem nenhum pudor. Os modelos top de linha dessas montadoras aos montes. Mesmo os alemães se surpreendem com a diversidade de carros de luxo nas ruas. E não é só em Shanghai. Em Chang Chun isso já chamava nossa atenção.

    Na semana passada fomos visitar um condomínio onde moram chineses também (porque aqui tem muitos locais onde só vivem estrangeiros) e na casa em frente havia nada mais, nada menos que uma Lamborgini vermelha e, pasmem, uma Ferrari ROSA. O Mário achou o cúmulo um cara comprar uma Ferrari rosa. J Mas vamos pensar que ele quis fazer uma bela surpresa para a esposa, pois o que não falta aqui são ricos excêntricos! Ou a própria mulher comprou por gosto, porque outro dado interessante sobre a China é que as maiores fortunas do país estão na mão de mulheres. Mas resumindo, isso é para quem pode não para quem quer! Certo?

    Os aficionados por carro podem até tirar uma casquinha, afinal sonhar ainda não custa nada! J

    Até amanhã.

    OBS: fotos da Liliane e minhas (tá fácil de adivinhar qual é de quem!).

     



     Escrito por Christine Marote às 08:27
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    Mais algumas considerações sobre a língua

    Algumas considerações que não couberam no post anterior:

    A utilização oficial do pinyin é relativamente nova por aqui (a partir de 1982). Foi uma maneira de adaptar a escrita para facilitar o aprendizado e entendimento dos ocidentais e ao uso do computador (eles digitam as letras e na tela vão aparecendo os caracteres, geralmente cada sílaba do pinyin gera um caractere:

    Ni hao - 你 好).

     

    Esta foto foi tirada pela Liliane, e resolvi colocar aqui para

    ilustrar como seria nossa vida sem o pinyin! :)

     

    Apesar de continuar sendo muito complicado, pelo menos os acentos nos ajudam a diferenciar os sons e tentar ler as palavras. Porque, cá entre nós, decorar aproximadamente 15000 “desenhinhos” diferentes e saber como falar e dar a entonação correta a cada um, não é tarefa muito fácil. Mas não se iluda achando que os sons das letras são os mesmos. Houve a romanização da grafia, mas dentro dos padrões fonéticos entendidos por eles.

    A outra coisa que é que existem poucas pessoas com mais de 25/30 anos que sabem ler o pinyin. No começo, tive o maior trabalho de escrever, com a ajuda de um dicionário, as frases em pinyin para tentar me comunicar com minha empregada (Ayi), porque naquela época não tinha ainda noção dos sons, e ela olhou para mim com uma interrogação maior que seu rosto. Foi aí que fiz uma amizade estreita com o Google Translator! Escrevo em inglês ou português e ele passa para o Mandarin. Desse jeito ela lê e parece me entender. Agora, entender a resposta dela já é um pouco mais complicado, pois ela não consegue escrever em pinyin para o Google me ajudar. E depois de muito erro e acerto, percebi que não posso escrever frases com mais de 3 ou 4 palavras. O Google também tem suas limitações com o Mandarin! J

    Como vocês podem estar deduzindo, geralmente faço um monólogo escrito em partes e ela responde “shì” (sim) ou “Bù shì” (não). Claro que hoje entendo um pouco mais as suas respostas e até me arrisco a falar alguma coisa simples. Mas quase sempre recorro ao Google, afinal amigo é para essas coisas!

    A outra opção é chamar a moça que trabalha no escritório do condomínio e ela faz a tradução simultânea. Agora imagine você estar morrendo de raiva que a Ayi deixou de fazer alguma coisa que pediu e ter que dar bronca com tradutor-intérprete. Chique no último!

    Olha, é bem o que já escrevi num dos posts: depois que passa a gente ri! Estou escrevendo e lembrando as coisas que já vivi com minha Ayi nesses 2 anos, principalmente no começo. Só rindo mesmo...

    Até o próximo!



     Escrito por Christine Marote às 09:43
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    Aprender Mandarim

    Algumas pessoas têm mandado e-mails perguntando como está meu chinês, até porque tenho colocado algumas palavras e sua tradução nos posts.

    Bom, para ser bem sincera está péssimo. Poderia dizer que quase nulo. L

    Estou fazendo aulas desde maio, então o que realmente consigo hoje é entender algumas palavras no meio de milhões e identificar melhor a escrita em “pinyin”, que usam letras ocidentais. E com isso torna-se mais fácil a busca de uma palavra no dicionário, por exemplo. Como conheço um pouco melhor como “funciona” o idioma fica mais fácil entender e aprender.

    Consigo falar pequenas frases e palavras soltas, que acabam ajudando no dia-a-dia, por que, na realidade, a língua chinesa praticamente é formada da união de palavras. Como o Ganbei do post anterior.

    Mas isso não quer dizer que eles entendem o que eu falo, e aí é que começa a confusão!

    O idioma é pautado em 4 tons e o neutro, que mudam completamente o sentido da palavra. Meu teclado não permite fazer esses acentos, com exceção do acento agudo (2° tom) e da crase (4° tom), mas a semelhança termina aí, no signo. Não pensem que o som é igual! Por isso, muitas vezes escrevo as palavras para vocês terem uma idéia do vocabulário, mas não consigo mostrar o tom correto.

                 

    Para que possam entender melhor, fica assim: xián – salgado e xiàn – linha, fora os dois outros tons que não consigo escrever. Resumindo, se não usar o tom corretíssimo, você pode falar “o arroz está muito salgado” e eles entenderem “o arroz está muito linha”. Me digam se não é para enlouquecer? Porque isso não acontece só com uma ou duas palavras... mas com TODO o vocabulário chinês.

    E não para por aí, porque depois disso ainda tem as centenas de dialetos que existem nesse país. Em Shanghai eles usam o Shanghainês e quem é do norte não entende exatamente tudo o que eles falam aqui. Ufa... O governo está investindo muito para unificar a língua como Mandarin, mas sabemos que todo o processo de mudanças culturais exige tempo e adaptações.

    Em compensação a gramática é quase nula. Se traduzirmos ao pé da letra uma frase, fica meio como “índio”! JWo men Huijia” – Nós voltar casa. As duas letras vermelhas são 3° e 1° tom, respectivamente.

    Os verbos só têm o presente. O passado é definido através do classificador “Le”: zhù – desejar / zhù Le – desejei. Só que nem todos usam essas pequenas regras e às vezes eles mesmos se atrapalham.

    Existem milhões de curiosidades sobre essa língua que, como seu povo, é diferente de tudo que conhecemos. Mas acho que já dei trabalho demais para meus leitores num domingo!

    Na real, de tudo o que aprendi a frase que mais uso ainda é: “wo ting bú dong” – Eu não entendo! J E depois que falo eles morrem de rir.

    E vamos em frente que atrás vem gente, e aqui na China é muita gente! J

    Até...



     Escrito por Christine Marote às 10:46
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    GAN BEI

    O ato chinês de brindar: Ganbei! 

    Numa tradução livre, quer dizer copo seco (Bei = copo; Gan = seco).

    Este hábito pode ser presenciado principalmente nas cidades do interior da China, Chang Chun é uma delas, claro. O costume do Ganbei é algo freqüente no mundo dos negócios. É usado como que para selar um acordo ou uma parceria. Pode-se passar o dia negociando, mas nada é fechado antes do jantar (às 5 da tarde), com muitos ganbeis.

    E não vale dizer que não bebe. Vai ser a deixa para que os chineses queiram testar o convidado e começar uma série de brindes e para cada Ganbei pronunciado, uma batida com o copo na mesa, a virada (de uma vez) e a exibição do copo vazio (seco)… sem choro!! Tudo bem, que são copos quase como os de licor. Mas os mais radicais como o Mr. Zhu (lembram do cara do beijo na mulher?), usam os tipo “americano”.

    O pior do que o brindar repetidas vezes e “enxugar” o copo, é a bebida colocada no recipiente: Bài jiu (bài = branco; jiu = vinho) ou o nome oficial: MOUTAI. Que na realidade é chamado assim, pois é produzido na cidade de Moutai, Província de Guizhou. Esta é sem duvida a bebida nacional chinesa, usada em banquetes, recepções oficiais e em celebrações (como as de negócios, citadas acima). Também é nomeada como “bebida diplomática”.

       

    É produzida a partir do sorgo chinês, com adição de trigo e água, a mistura é fermentada e destilada várias vezes. Todo o processo leva cerca de 8 meses e depois vai para a etapa de envelhecimento de 3 anos antes de ir para as prateleiras. Sua aparência é de cristal, por isso o bài. A título de curiosidade (mais uma), o que chamamos de vinho branco, aqui é vinho amarelo!

    O sabor... bem, intragável para nosso paladar. Ok, não sou uma expert em vinhos, mas ainda não conheci um ocidental que tenha gostado do dito cujo MOUTAI ou bái jiu!

    O teor alcoólico pode chegar a 75% e, para mim, assemelha-se mais à nossa cachaça do que a vinho! J

    Esse da foto é o verdadeiro MOUTAI e custa uma pequena fortuna. Mas existem outras marcas e teores alcoólicos também e pode-se encontrar exemplares bem baratinhos por aí. Só digo uma coisa: bebendo o original, já vi muita gente ir parar no banheiro por horas a fio (e depois nem sequer ter “vaga lembrança” do ocorrido), imagine beber um desses baratinhos!

    Ah, as embalagens são maravilhosas. E sempre há as edições especiais em caixas luxuosas e desing diferenciado para a garrafa.

    Ganbei, wo men péng you!

    (péng you, se fala “pén iou” = amigo)

     

     

     

     



     Escrito por Christine Marote às 12:49
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    Comidas e afinsJ

    Tradicionalmente falando há inúmeros tabus envolvendo a “mesa” chinesa, mas ultimamente poucas pessoas prestam atenção a eles, principalmente os estrangeiros. Agora temos que convir que é muita regra nova (e esquisita) para aprender em pouco tempo!

    Contudo há algumas coisas que devemos manter em mente, principalmente se for hóspede (ou visita) em uma casa chinesa.

    - Não colocar os “chopsticks” espetados na tigela de arroz.

    - Tenha certeza que o bico do bule de chá não esteja virado diretamente para ninguém.

    - Não toque na sua tigela com seus “chopsticks”.

           

    - Arrotar depois da comida é muito comum. Mostra que você está satisfeito. Então se seu anfitrião fizer isso, nem adianta fazer cara feia!

    - Dar gorjeta não é algo comum entre os chineses. Se houver troco e não for uma quantidade expressiva, deixe em sinal de respeito. No entanto, é comum ver garçons correndo atrás dos clientes que supostamente ‘esqueceram’ grandes quantias na mesa. E isso também vale para as manicures, em hotéis. Uma vez ouvi de uma chinesa que aceitar seria como um suborno já que estão fazendo o serviço deles e ganhando para isso. Claro que Shanghai, e talvez Beijing, já foram invadidas pelos hábitos ocidentais. Eles não deixam de arrotar na mesa, é cultural. Mas uma graninha a mais, mesmo fora dos padrões culturais locais, é bem vinda!

    J Seres humanos são seres humanos em qualquer parte do planeta! J

    - Nos restaurantes chineses, mesmo aqui em Shanghai, garfo e faca só se você pedir e corre o risco de não ter. Mesmo assim vai ver uma cara feia do garçom e meia dúzia de outros chineses rindo uns passos atrás.

    - Comer com as mãos e colocar os restos da comida na mesa também é comum. Quase todos os restaurantes oferecem lenços umedecidos para limpar as mãos, que já é um grande avanço.

    - Quanto mais comida sobrar melhor. Se os pratos ficam vazios é sinal que não se comeu o suficiente. Acredito que isso vem para “apagar” o período da Grande Fome, na década de 60. Naquela época ao se encontrar com um conhecido na rua, não se perguntava “Como vai?” (Ni hao ma), mas sim “Você já comeu hoje?” (Ni chi le ma).

    Hao Chi fàn!

    Boa (hao) refeição (chi fàn).

     

     

     



     Escrito por Christine Marote às 10:14
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    Banheiros.

    Os banheiros na China são uma aventura à parte. Principalmente há 6 anos atrás quando estávamos chegando por aqui.

    Fazendo um parêntese necessário, vocês não têm noção do que a China cresceu e mudou nesse período. Hábitos de consumo e educação, construções. Tudo. Shanghai e Beijing, sem sombra de dúvidas, foram as cidades mais beneficiadas com isso e, em consequência, mais abertas ao novo.

    Bom, quando cheguei a Chang Chun pela primeira vez e precisei usar um banheiro de shopping, quase tive um chilique. Como uso isso? E no verão ainda usamos poucas roupas, mais leves. E no inverno? Com aquele monte de casacos, segunda peles, luva, cachecol?

    Mas o fato é que não tem jeito. Ou você encara ou encara, no meu caso é assim, não dá para esperar voltar para casa. Se bem que, como tantos outros, esse foi um conceito que tive que mudar ao longo dos últimos anos. J

    Em Shanghai a coisa não é tão difícil assim, principalmente no nosso reduto. Esse fato é outro que fica sendo repetitivo em todos os posts: a diferença entre Shanghai, em especial nas áreas para estrangeiros e turistas, e o resto da China.

    Fora a questão prática do uso, eles são muito sujos, papel higiênico nem pensar (lenço de papel e gel para mãos são itens obrigatórios na bolsa, mais que em qualquer outro lugar). Reparem numa das fotos um banheiro público e comunitário. Abismado Essa foto foi a Liliane que me passou e eu nunca tinha visto absurdo maior!

    Agora, temos que concordar que para eles é muito fácil usar o sanitário de cócoras. Essa é a posição mais comum por aqui. Se estiverem esperando o ônibus, esperam agachados. Se estiverem parados na rua conversando em grupo, estão agachados. Ou usam minúsculos banquinhos.

    E no final, se fossem limpos como o da Expo, realmente é muito mais higiênico em se tratando de banheiros públicos.

    Agora, quando eles resolvem fazer banheiros ocidentais, eles capricham. Alguém já sentou num trono?rs

    Quando abri a porta de banheiro, saquei o celular da bolsa. Até porque ninguém ia acreditar quando eu contasse, principalmente os homens que não iam poder entrar no banheiro... Nem na Disney podia ter imaginado isso. Será que eles também usam a palavra “trono” para nomear a privada? J

    As fotos de hoje são minhas, da Cida e da Liliane, mais uma colaboradora e tanto do blog. Valeu meninas!

    Mentiàn Tiàn.

     



     Escrito por Christine Marote às 07:49
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    Mais varais

    Ni hao!

    Quer dizer "oi", saudação. Mas ao pé dá letra é "Você bem".

    Como o post dos varais fez o maior sucesso e a Liliane me mandou umas excelentes fotos, resolvi dividir com vocês. A Lili é mais uma das “colaboradoras” do blog. Vocês vão ver muitas boas fotos dela aqui.

    E completar um pouco as informações. Eu expliquei como funcionava a montagem dos varais de janela, mas isso não impede que sejam usados os fios elétricos ou as grades das janelas. Em casa, por exemplo, eu não tenho varal, como conhecemos no Brasil. São os desmontáveis que você coloca onde a estação permitir. No inverno não tem condições de colocar roupas para secar “lá fora”. Também temos os do tipo “arara” para pendurar os cabides com as camisas. Vamos nos adaptando. J

    Também não há nenhum problema em colocar as roupas da família para secar na porta do seu comércio. Cria mais intimidade com o cliente! Acho...

    E a calçada é pública, não é mesmo? Então os varais ocupam esse espaço também.

    E para finalizar, além de mais um simpático peixe, agora vocês poderão ver o ganso (coitado) e um varal exclusivo para pernil (é o que me pareceu...)

    Hoje faz um mês que comecei o Blog. Obrigada a todos que estão me “seguindo” nessa aventura, incentivando, rindo ou se assustando com esses “causos” chineses.

    Sinceramente, não sei por quanto tempo vou conseguir manter esse ritmo de postar todos os dias, mas enquanto não escrevo minhas linhas não sossego. Um beijo no coração de cada um de vocês.

    Wó aí ni men! (Eu amo vocês) J

     



     Escrito por Christine Marote às 09:19
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    Curiosidades da China II

    PRESENTES

    Uma das primeiras coisas que aprendi sobre o que deve e o que não deve ser feito para manter a educação nesse país de cultura e hábitos tão diferentes, foi à questão de presentear. Ok, devíamos ter aprendido sobre o beijo primeiro, mas agora já foi!

    Presentear aqui é um hábito muito cultivado e importante nas relações comerciais. Mas não é assim tão simples. Para começar não se abre presente na frente de quem te deu. Imagine eu, que adoro abrir um pacotinho! Ainda mais aqui que as embalagens são lindas, apesar de os conteúdos nem sempre fazerem jus a elas. Bom, mas é a maior falta de educação, pois se não gostar do presente você pode demonstrar isso e deixar a pessoa constrangida. Faz sentido.

    Presentes populares incluem cigarros, selos (coleção de selos é um hobby popular), camisetas. Moedas exóticas também é um bom presente para os chineses.

    Entregue seus presentes com as duas mãos. E quando embrulhar esteja ciente de que os chineses dão muita importância às cores. Então capriche na escolha dos papéis: Vermelho: sorte; Rosa e Amarelo: alegria e prosperidade; Branco, Cinza e Preto: cores de funeral (só entregue o presente embrulhado com essas cores se quiser arrumar um bom inimigo!)

    Entre os presentes que devem ser evitados:

    Flores brancas e amarelas (especialmente crisântemos): são usadas em funerais. E aquelas nossas tradicionais coroas de flores, para funerais, onde predomina o tom de vermelho, aqui são usadas em inaugurações, para dar boa sorte. Inclusive tem as faixas com letras douradas! Quase cai para trás à primeira vez que andando pela rua dei de cara com uma dezena de coros de flores colocadas na entrada de uma loja. Será que eles fazem os velórios nos locais de trabalho das pessoas? Me perguntei. J

        

    Peras: o som da palavra pêra em chinês é o mesmo que separar e é considerado má sorte.

    Relógios (de nenhum tipo): o som da palavra relógio lembra a expressão “o fim da vida”.

    Cartões ou cartas escritas em tinta vermelha: isso simboliza o fim do relacionamento.   

    Para finalizar, aproveitando a deixa dos sons das palavras: os sons de morte, branco e quatro são semelhantes, por isso eles não gostam de presentes e flores brancas além de que alguns edifícios não possuem o quarto andar. Os celulares com que contém número quatro são mais baratos também! Como não sou chinesa, comprei um desses! ;)

    Realmente esse é um povo superticioso.

    Abraço.

     



     Escrito por Christine Marote às 10:21
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    Curiosidades da China

    Sempre temos que lembrar que nem tudo que é lógico e normal para nós ocidentais, faz sentido para essa cultura. Dá mesma forma como nos indignamos quando vemos um chinês arrotar na mesa, cuspir no chão ou “otras cositas más”, eles também não entendem muito nossos hábitos esquisitos! J

    O beijo entre amigos é um desses hábitos que realmente escandalizam o chinês. Se bem que aqui em Shanghai, no reduto dos estrangeiros, isso é até aceitável e conheço alguns (muito poucos) chineses que aderiram ao hábito dos beijinhos de “oi” e “tchau”.

    Mas ainda assim, entre homens e mulheres é muito mais complicado. Tivemos uma passagem bem interessante em Chang Chun: depois de um jantar, onde se fizeram muitos “gambeis”, o brinde daqui, na hora de nos despedirmos o Mário deu um beijo automaticamente na esposa do chinês que trabalhava com ele. Mas a coisa foi tão natural para nós, que nem percebemos. No dia seguinte o homem virou a cara para o Mário na empresa e não falou comigo, apesar de ter me convidado para almoçar com eles. Na hora do almoço, sentou no outro extremo do refeitório. Não entendemos nada, mas chinês é chinês, deixa para lá.

    Voltei para o Brasil e a situação continuou delicada para o Mário, que não conseguia entender o porquê dessa atitude do Mister Zhu. O pior era que o cara representava a parte chinesa da sociedade e o Mário tinha que negociar com ele diariamente. Um dia ele chamou a tradutora e perguntou para ela o que estava acontecendo, que ele não entendia a razão das atitudes do Mr. Zhu, blá, blá, blá. Bom, gente... imagina a cara do Mário (e depois a minha) escutando da moça que o “Mister Zhu estava indignado e extremamente ofendido por causa do beijo no rosto da sua esposa, naquele jantar quando a Christine estava aqui, há 3 meses atrás, que isso era inaceitável etc, etc, etc”.

    Para começar que o coitado nem lembrava que havia feito isso. Aí o Mário teve que explicar que é uma prática comum na nossa cultura, que não há maldade nem segundas intenções e muito menos falta de respeito contra o marido em questão. Isso não justificava, mas ele pelo menos gostaria de explicar. Lembrem-se que em Chang Chun quase não há estrangeiros e somos vistos meio que como E.T. Depois disso as coisas melhoram um pouco.

    Uns 4 meses depois, quando voltei à China, estávamos sentados no lobby do hotel após o jantar (só que dessa vez o Mister Zhu era o único chinês) e resolvi subir mais cedo. Dei boa noite a todos e, claro, nossos tradicionais beijinhos de despedida (havia mais dois americanos e dois brasileiros). Aí o Mário mostrou para ele como era nosso hábito e falou que ele também poderia me dar um beijo no rosto, sem problemas. O homem ficou roxo e começou a rir, mas que deu o beijo, isso deu.

    Essas são as “saias justas” que passamos aqui. J

    Mentiàn tiàn!

     

     



     Escrito por Christine Marote às 10:27
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    Minhas impressões sobre a Expo 2010

    Que tudo na China é imenso e grandioso, já não é novidade nenhuma. Mas a Expo, sua organização e todo o esforço colocado para que esse evento se supere, foi algo que me marcou profundamente. Claro que não chega perto da estrutura das Olimpíadas de Beijing. Mas o espírito de integração e colaboração dos chineses com esses eventos, acredito que seja o mesmo.

    Existem milhares de voluntários trabalhando para que tudo aconteça quando e como deve acontecer. A limpeza da cidade e, em especial, da área da Expo é de surpreender qualquer um. Não há um pedacinho de papel ou cigarros no chão, na realidade há lugares específicos para fumantes e nem se atreva a tentar fumar fora dali. Como eu não fumo, para mim é só um dado. Mas fico imaginando como os chineses devem sofrer quando visitam e, mais ainda, os que trabalham lá. A China é um país de fumantes. Eles fumam inclusive enquanto comem! :P

    Todos os voluntários ou funcionários estão sempre com um sorriso no rosto, fazendo o possível para te atender, tirar suas dúvidas, te ensinar um caminho. Aprenderam a falar inglês “a toque de caixa” como também as regras sociais ocidentais. Lá você não vê ninguém cuspindo no chão e os banheiros são os mais limpos que já vi, incluindo os tradicionais chineses. Realmente é um esforço conjunto para impressionar todos os estrangeiros que puserem o pé aqui. E o melhor é que isso não se resume somente ao espaço do evento. A frota de taxi foi atualizada, as estradas e viadutos renovados e construídos para agilizar o tráfego (se bem que apesar de maravilhosos e super modernos, o tráfego ainda continua difícil), as ruas estão mais limpas.

    Por outro lado, têm mais chineses andando pelo espaço da Expo que estrangeiros. Mas não dá para concorrer em número com eles, né? A maioria vem de muito longe em excursões e podemos ver o orgulho estampado em cada rosto. Lógico que esse público, não foi tão bem treinado para deixar de lado os hábitos chineses de dormir nos bancos e furar as filas. O governo tem uma meta de 300 mil pessoas/dia visitando a feira. Então vamos transportar o povo para Shanghai. Simples assim! Eu tenho certeza que eles vão superar essa marca.

    Sobre nosso pavilhão vale colocar que os chineses adoram o Brasil. Sempre que falamos que somos “basi rén” eles logo nos devolvem um enorme sorriso e falam: “futbal e rrronaldinio” (desse jeito mesmo). A fila já estava muito grande quando cheguei lá às 9 da manhã (mas tudo bem, que mostrando o passaporte não tem fila), sem sombra de dúvidas a maior fila dos pavilhões da América do Sul, e na lojinha que tem na saída, todos comprando bolas de futebol e camisetas do Brasil. Já estava em outro estande quando vi duas crianças com as camisetas que haviam acabado de comprar e já haviam colocado por cima da roupa. Falei que era brasileira e tive que tirar foto com a família inteira. J

    Bom, por hoje é só pessoal. Meu domingo já acabou e amanhã não é feriado por aqui! J

    Abraço!

     

     



     Escrito por Christine Marote às 11:25
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    Expo 2010.

    Provavelmente em algum momento, inevitavelmente no Fantástico, você ouviu falar da Expo 2010.

    É uma mega exposição, que reúne estandes e pavilhões coorporativos e dos países do mundo. Essa exposição, que é realizada a cada 5 anos em uma parte do mundo, dura 6 meses. Na China será segundo as informações que temos aqui, a maior já realizada até hoje. Voltamos aquele velho tópico: grande, enorme, o maior, o recorde mundial... essas coisas básicas na China.

    E realmente é impossível de descrever com palavras. Os números são astronômicos e os pavilhões cheios de criatividade, mostrando um pouco de cada país ou região. Os países menores se juntaram e mostraram estandes dentro de um único pavilhão. Recomendo que quem tenha curiosidade, visite o website  http://en.expo2010.cn que é o oficial do evento e o do pavilhão brasileiro http://www.expo2010brasil.com.br para vocês poderem ver o que o Brasil está fazendo por aqui. J

    Em especial entrem no mapa da Expo, para terem noção do espaço, de mais de 5.000m². O governo chinês deu uma atenção mais que especial a esse evento, classificando-o como de interesse político.

    Quando chegamos aqui em janeiro de 2009, Shanghai era um canteiro de obras, pois além do espaço destinado à exposição, toda infra-estrutura da cidade foi melhorada, criada e/ou readaptada para receber os milhões de visitantes esperados. Depois que a Expo começou tudo nessa cidade gira em função do evento. Não se fala em outra coisa, além de que, nós moradores, acabamos tendo alguns inconvenientes, como os preços que inflacionaram. Mas como diz um velho amigo: não se faz omeletes sem quebrar ovos! Profundo... :P

    O tema da Expo é “Better city, better life” (cidade melhor, vida melhor) e realmente todos aqui esperam que, após esse mega evento, a cidade usufrua das benfeitorias realizadas. O que implica até na educação do povo chinês para receber o estrangeiro.

    Eu fui até lá ontem, antes que acabe (isso vai acontecer em 31 de outubro). Mas pretendo voltar ainda umas duas vezes: uma para ver o setor coorporativo e outra durante a noite, pois me falaram que a iluminação é maravilhosa. Brasileiro sempre deixa tudo para o último minuto, não é mesmo? Gente, acho que não vi nem um terço, mas andei muito. Só entrei em 3 ou 4 pavilhões, pois as filas eram imensas (que novidade), mas só de observar a arquitetura tão diversificada já valeu à pena.

    O pavilhão da China é o principal e é o único que será mantido após o fim do evento, ficando como marco.

    Depois conto o que será feito com o espaço já todo urbanizado (ruas, esgoto, arborização, acesso ao metro etc) e algumas curiosidades sobre esse grandioso evento.

    Até amanhã! J

     

     



     Escrito por Christine Marote às 11:39
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    Acupuntura e equilíbrio

    Desde 2004, no mesmo momento em que a vida na China começou a fazer parte do cotidiano da minha família, descobri a acupuntura. Meio que por necessidade, desespero e casualidade, cada qual com sua devida porcentagem.

    Há muito tempo, já não sabia o que mais fazer com a bendita TPM e quando o Mário teve que mudar para a China, literalmente do outro lado do mundo, tudo piorou. Cheguei ao ponto de me olhar no espelho e brigar comigo mesma.

    No meio dessa confusão física e emocional, lendo um jornal de domingo, deparei com um anuncio indicando a acupuntura para uma série de coisas, entre elas a TPM. Na segunda liguei e marquei a primeira consulta, ou melhor, a primeira sessão de choro convulsivo. A chinesa que me atendeu não sabia o que fazer, quase chorou comigo sem entender o porquê.

    Comecei fazendo 3 vezes por semana, depois passei para 2 e em 3 meses já estava indo somente 1 vez por semana. E o mais incrível, não sabia mais o que era TPM, fiquei até um pouco desconfiada, sem saber como aqueles sintomas horríveis poderiam ter sumido assim, só com umas agulhas colocadas aqui e ali! Pessoas que conviviam comigo há muito tempo, incluindo meus filhos, não acreditavam nas minhas reações. Sempre tinha sido uma pessoa explosiva, que tudo era motivo de desespero, de gritaria e discussões. Passei a ser mais calma, condescendente, menos impulsiva e ansiosa.

    A acupuntura busca encontrar o equilíbrio no funcionamento do seu corpo. A energia deve fluir de maneira que todo o seu organismo se beneficie. Ao colocar uma agulha num determinado ponto, de acordo com a reação do corpo, em relação à dor ou sensibilidade, por exemplo, o médico pode perceber se há algo errado com seu equilíbrio emocional e/ou biológico (que no final sempre andam de mãos dadas, querendo você ou não!).

    Depois de 6 anos, fazendo religiosamente uma sessão por semana, sou uma defensora ferrenha dessa terapia. Podia ter parado depois de um tempo, mas nunca quis. Cada sessão é para mim um momento só meu, exclusivo, para relaxar, meditar muitas vezes, outras somente dormir! Pouquíssimas vezes depois de a acupuntura ter entrado na minha rotina tive que tomar remédios para dor, resfriados etc.

    Muitos me perguntam se dói. Não, geralmente não. Quando um ponto dói muito é porque justamente a energia não está fluindo ali, tem haver com algum órgão interno que não está funcionando corretamente, provavelmente por um estímulo emocional de raiva contida, estresse, tristeza etc. E a dor não é da agulhada. É como se fosse uma pressão, uma dor muscular na área ao redor da agulha.

    Se você nunca tentou, experimente. Garanto que vale à pena!

     



     Escrito por Christine Marote às 10:26
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    Varais.

    Não dá para dizer que foi a coisa mais estranha que encontrei por aqui, mas posso garantir que no começo achava um absurdo.

    Agora já me acostumei, mas buscando as fotos para ilustrar esse post, definitivamente os varais e a maneira como eles colocam suas roupas para secar é horrível. Meu senso de estética e cuidados com as roupas não permite outra avaliação. J

    Para começar esqueça o que você conhece como padrão de varal, como cordas ou arames finos onde colocamos as roupas com pregador. Isso aqui não é comum. O usual são canos ou bambus (afinal estamos na China) que se apóiam em estruturas tubulares para fora das janelas. O seu apartamento não tem área de serviço ou o terraço é pequeno para colocar um varal? Encontramos a solução aqui na China. Coloca-se uma estrutura que compreende a largura da sua janela e talvez uns 1,5m à frente. Afinal o espaço é público, principalmente o “aéreo”. Depois disso, providencie uns canos com um pouco mais de 1,5m, claro, e coloque as roupas no cano pelas pernas ou mangas. Aí é só apoiar o cano entre a janela e a outra ponta da estrutura. Simples, não é? J

    Ah, existe a opção dos cabides. Coloca as roupas nos cabides e pendura no cano. Sem segredo!

    Fora isso ainda tem os varais na rua. Claro, nem todo mundo mora em apartamentos e tem o “espaço aéreo” ao seu dispor. Então vamos usar as calçadas, os postes, as fachadas das lojas. Praticamente a técnica é a mesma.

    Outra coisa que nos deixa de boca aberta, é que eles usam muito alimentos secos aqui, por conta do inverno. Precisam de local para fazer isso. E porque não os varais? Afasta um pouco a cueca, que cabe o frango defumado. Ou o peixe como está na foto abaixo (mais uma interessante colaboração da Cida Marciano; vou ter que a colocar uma foto dela aqui no blog! J)

    É isso aí! Amanhã tem mais.



     Escrito por Christine Marote às 11:47
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    Colaboradores "made in Brazil".

    Oi!

    Estou adorando escrever esse blog. Por conta disso já aprendi muito mais coisas a respeito da China, porque sempre vou dar uma conferida nas informações que escuto por aí antes de colocar aqui. Conheci um monte de gente nova, e isso eu adoro! E até mantenho um contato mais estreito com meus velhos amigos. Quer coisa melhor?

    Mas haja criatividade, né? J Não que a China não nos dê material aos montes para escrever, mas às vezes quero colocar coisas que não consigo encontrar. Principalmente fotos. Sou uma “fotógrafa” completamente despreparada. E sempre esqueço a máquina nos melhores momentos. Ok, os celulares ajudaram muito e o meu tem uma boa câmera. Mas mesmo assim...

    Então resolvi pedir ajuda aos amigos. A comunidade brasileira aqui é enorme e há fotógrafos de verdade nesse grupo! Também falei que aceito histórias diferentes para eu colocar no blog. Morar aqui é uma aventura e todos têm boas histórias para contar, acreditem!

    Bom, por conta disso recebi o e-mail da minha primeira colaborada, com algumas fotos bem legais, que irei postando de acordo com os tópicos. Mas uma delas me deixou espantada. Uma foto da lua, que ela me disse que tirou logo que chegou aqui, pois a rotação é diferente e a sombra começa pelo lado contrário. Fato que chamou sua atenção e registrou. Nunca tinha parado para pensar nisso, nem reparado. Achei o máximo.

    Fui pesquisar na net e encontrei somente uma explicação no Yahoo que diz que o que difere é a posição no céu e a inclinação da Lua que mudam no hemisfério norte, pois mudamos o ângulo de visão. Assim, para o hemisfério sul, na Lua crescente, ela parece uma letra "C" mas para o hemisfério norte, que olha na direção sul para observar a Lua, ela padece um "D". E vice-versa na fase minguante.

    Aí vai a foto da Lua na China by Cida Marciano. Valeu, Cida!

     

     

    Então cheguei a brilhante conclusão que essa é uma lua crescente chinesa! :P

    E para ilustrar a idéia, fui procurar fotos da mesma lua nos dois hemisférios, porque minha cabeça estava dando um nó!rs

     

     

    Bom, essa curiosidade aprendemos juntos, se é que alguém mais, além de eu mesma, não sabia dessa diferença! J

    Até amanhã, pessoal!





     Escrito por Christine Marote às 07:17
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    Bicicletas e afins...

    Pode-se dizer que o transporte oficial na China é a bicicleta e seus derivados: bicicletas elétricas e scooters elétricas (as que são movidas a gasolina precisam de habilitação, por isso são em menor número).

    A Probabilidade de você ser atropelado por um desses veículos é infinitamente maior do que pelos carros. Se bem que o trânsito aqui também merece um post exclusivo. O pior que quando a gente conta é difícil das pessoas entenderem o tamanho do caos. Caos para nós, diga-se de passagem, porque para eles é algo completamente integrado ao ambiente e à rotina diária.

    Bom, mas vamos às bicicletas: num dos primeiros posts coloquei uma foto de um estacionamento de bicicletas em Beijing. Pois é. Existem milhões desses e bilhões de veículos de duas rodas também. As ciclovias existem, mas como as scooters vão tomando conta, já que são maiores e mais potentes, as bicicletas mudaram-se para as calçadas. E não adianta reclamar. Você está calmamente andando pelo lugar que em qualquer parte do mundo é reduto exclusivo de pedestres, aí ouve uma buzina estridente e contínua e alguém gritando algo impossível de decifrar e balançando os braços e passando por cima, se você não for bem ágil. E se pensa que algum pedestre reclama, está completamente enganado. A vantagem é que nessas horas podemos xingar também, porque eles não entendem. Pode-se dizer que vira uma discussão de igual para igual. J

    Outra peculiaridade é que podemos comprar as bicicletas no supermercado (até aí normal) e as scooters também! E mais uma: tem algumas que custam muito mais baratas que as bicicletas. De todas as cores, marcas e tamanhos. Já pensou ir ao supermercado e passar com uma scooter no caixa?

    Os acessórios são um capítulo à parte. As chinesas não tomam sol “nem que a vaca tussa e fale alemão”, (essa é velha, hem? rs). Então elas se munem de viseiras com abas que cobrem até o pescoço, imitando uma máscara de solda e no verão usam umas capinhas brancas que cobrem os braços e o colo. Bom, nem preciso dizer o quanto é hilário. Nos dias de chuva, a bicicleta não tem descanso, eles usam umas capas, com capuz e aba, e ela cobre TODO o veiculo. Sem falar que há os espaços para encaixar o retrovisor e uma parte de plástico transparente para o farol.

    Outro detalhe que não pode ficar de fora: esse veículo é o meio de transporte da família.Assim, é comum ver 4, até 5 pessoas numa mesma scooter. Já sei... você está falando que é impossível, que os ares chineses estão queimando meus neurônios. Nada disso. É a pura e cruel realidade. Bebês carregados em cestas no meio das pernas do condutor é coisa básica. Capacete e/ou outra proteção? Esquece. Aqui eles seguem à risca o ditado que diz que “desgraça, só na casa do vizinho” e naquele bem distante, diga-se de passagem.

    Ah, para finalizar, também é usada como caminhão de mudança ou transporte barato de carga! Duvida? Vem aqui para ver!!!!rs

    Até amanhã!



     Escrito por Christine Marote às 09:04
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    Supermercados.

    Supermercados é uma história à parte. E tenho que fazer uma ressalva: a experiência em Chang Chun é completamente diferente da que temos em Shanghai.

    Shanghai é uma cidade cosmopolita e bem ocidentalizada. No Carrefour ou Walmart, as maiores redes na China, existem grandes espaços para os artigos importados, maior que em qualquer outro lugar. Aqui encontramos desde o macarrão italiano até o chimarrão brasileiro (por aproximadamente 100 reais o quilo, mas os gaúchos não passam mal!rs). Vinhos de todos os cantos do mundo com preços até razoáveis. Não muito diferente do Brasil. Ou seja, aqui dá para sair com o carrinho cheio sem passar pelas prateleiras chinesas. Nas lojas que ficam dentro dos redutos de estrangeiros, você é mais uma pessoa fazendo compras, se bem que eles adoram dar uma conferida no conteúdo do nosso carrinho. Mas nos mercados locais ou mesmo nos de rede internacional, mas voltados para o público chinês, (aqui tem Dia e Tescom) a coisa é diferente. O fato é que pouco vou nesses mercados, pois é mais cômodo usufruir de todas as facilidades e opções das grandes redes.

    Em Chang Chun é diferente... bem diferente. As prateleiras de importados se resumem a duas ou três, bem como os rótulos de vinhos. E “Great Wall”, o mais famoso vinho chinês, não se compara nem com o “Sangue de Boi”! Fora as coisas chinesas em abundância: pilhas de focinhos de porco, cabeças de galinha e outras coisas que não sei descrever muito bem. E o cheiro? Sempre digo que a China tem um cheiro peculiar e nos locais onde se vende comida, fica mais acentuado.

    De um modo geral, ainda somos seres estranhos em Chang Chun. Então tudo que fazemos ou compramos é visto com muita curiosidade. Como também sou curiosa, adorava ir ao Supermercado e olhar as coisas, pegar, sentir os cheiros enfim, observar. Só que enquanto observava o todo de um local chinês, eu era a única fonte de atenção de toda a loja. E se tem uma coisa que, definitivamente, chinês não tem é discrição. Eles olham, encaram e ainda riem. Porque tudo que parte de um estrangeiro é engraçado. Então comecei a perceber que tinha alguns que me seguiam pela loja. Se eu parava para olhar alguma coisa, pegar na mão, tentar decifrar o rótulo, logo depois que colocava de volta na prateleira e dava 2 passos, olhava para trás e tinha uma meia dúzia de chinês com a mercadoria na mão. Acho que eles ficam se perguntando o que tanto a gente olha. J

    Não tenho muitas fotos dentro de supermercados, mas achei uma página na net que tem “16 itens que o Walmart só vende na China”, bem legal e extremo. Essa loja, com certeza, não é em Shanghai. Podem conferir: http://www.buzzfeed.com/mjs538/16-products-they-only-sell-at-chinese-walmarts

    Mentán tián! J

     



     Escrito por Christine Marote às 07:10
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    Paraíso das compras.

    Bom, pessoal. Como não podia deixar de ser, fazer compras aqui também é o máximo!!! J

    Os shoppings são imensos, as ofertas irresistíveis, o nosso dinheiro vale 4 vezes mais que o daqui. Aí você pergunta: Quanto custa? Eles falam 60 remembie (RMB). Rapidinho faz a conta e... caramba, é só 15 reais! E estamos falando de roupas, carteiras de couro e outras “coisitas” mais.

    Sem falso moralismo, não sou adepta dos falsificado ou “fakes”, como chamamos por aqui. E isso gente, tem shoppings de 5, 6 andares vendendo TUDO, de TODAS as marcas... É uma festa! Mas o que me deixa maluca mesmo são as coisas chinesas: roupas de seda, as pérolas, louça, tapetes, entalhes, caixinhas... E as pinturas em papel arroz... Aquelas bolsinhas que às vezes não servem para nada, mas eu adoro. Os dragões e ideogramas impressos de mil maneiras. Realmente é de enlouquecer. E o melhor, tudo muiiiiiito barato.

    Quem vem aqui pela primeira vez, fica sem saber para que lado correr, o que comprar. Isso me deixou bastante confusa no início, porque não consigo comprar por impulso. Tenho que ver, olhar, comparar, pensar para depois decidir. Sofri muito porque queria uma coisa, não comprava na hora porque tinha que pensar melhor e depois, quem disse que eu achava a lojinha da chinesinha simpática? Mas “êta” sofrimento bom esse, né?

    Quando cheguei em 2005, as vendedoras olhavam para gente e falavam: “hello, my friend! This price is special for you, because you is my friend”. Nunca tinham me visto na vida, mas todas elas tinham o mesmo discurso. Aí o tempo foi passando e em 2007, numa das visitas a Beijing, me surpreendi com as mesmas mocinhas falando espanhol, exatamente a mesma ladainha. Eles perceberam a chegada das Olimpíadas e dos turistas latinos, então o discurso foi ampliado no idioma.

    E o interessante dessa história de “preço especial para o amigo” é que geralmente o preço que eles dão para os estrangeiros é 10 a 20 vezes maior do que o real. Então me especializei na arte da barganha! Um jogo de chá básico, por exemplo. Você gosta olha e pergunta o preço. Como eles pensam a principio, que todo estrangeiro é europeu e rico (porque 1 EURO compra quase 10 RMB), o singelo souvenir vai para astronômicos 800RMB. Bom, só para encurtar a história o último que comprei paguei 50RMB, pois comprei uns 5 para levar de presente e ainda consegui negociar melhor. Mas no final sempre saio com a sensação de que paguei caro, que fui enganada.

    Quando recebo amigos aqui, todos ficam maravilhados e acham muito engraçado e divertida essa situação. E até é. Ainda me divirto e dou boas risadas. Mas na realidade no dia-a-dia isso cansa. Hoje passo longe desses mercados chineses em que o preço é baseado no seu passaporte. Adoro entrar no Carrefour ou no Ikea, onde independente de você ter olhos puxados ou não, vai pagar o mesmo preço que o chinês paga.

    Já vi que esse tópico vai render...

    Amanhã tem mais! J



     Escrito por Christine Marote às 06:01
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    Palácio de Verão – Summer Palace

    Para finalizar nosso roteiro turístico em Beijing, vamos falar um pouco sobre o Palácio de Verão. Esse monstruoso complexo, com cerca de 300 mil hectares, fica situado numa ilha e só há acesso de barco. Isso já torna o passeio diferente e podemos apreciar ao longe toda a magnitude desse Palácio. Faz parte dos chamados Jardins Imperiais.

    Além dos inúmeros salões e monumentos por entre os jardins, o que me chamou à atenção foi um grande corredor coberto de quase 1 quilometro (claro que está no Guinne’s Book como o maior do mundo), que circunda o parte da ilha. De acordo com nossa guia, ele foi construído para que o Imperador e sua corte pudessem passear com mais conforto durante os dias quentes de verão. O diferencial dessa cobertura são as pinturas ininterruptas por toda sua extensão retratando lendas tradicionais chinesas. Algo que as fotos dessa amadora que vos escreve não conseguiram registrar a altura. J

    Mas nem sempre tudo foi brilho nesses jardins. No século 19, durante a segunda “guerra do ópio” tropas britânicas e francesas atearam fogo ao Palácio e destruíram uma grande parte dos jardins que até hoje não foram recuperadas. Há muitas relíquias que foram saqueadas durante a invasão e que hoje figuram nos museus do mundo. Pouca coisa foi devolvida à China. Esse é outro assunto muito delicado aqui, pois os chineses, mesmo quase 200 anos depois, ainda vêem esse ataque como uma humilhação.

    Hoje o nome oficial desse local é “Yuán míng Yuán”, Jardins da Perfeita Claridade. Mas entre os turistas esse nome não emplacou. Continua sendo o belo e intrigante Palácio de Verão.

    Na realidade cada local que vamos visitar tem uma história imensa para contar. Existem construções, como a Muralha, que são datadas de muitos anos A.C.. Passaram por inúmeras Dinastias, governos e rebeliões, sofreram e tiveram dias de glória. É sem sombra de dúvida, uma cultura peculiar e cheia de mistérios. Simplesmente inebriante!

    Até a próxima! J



     Escrito por Christine Marote às 12:03
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    Templo do Céu - temple of Heaven

    Para mim depois de visitar um número razoável de Templos, eles acabam sendo todos iguais. Os signos e a arquitetura quase não têm diferencial nessas obras. E todos, para variar, são muito grandes, cercados de imensos parques e jardins e cansam. Demais. Depois do segundo ou terceiro dia de peregrinação realmente seus olhos já não conseguem prestar atenção às diferenças sutis. Mas elas existem, eu garanto. É uma sala especial, um entalhe diferente, a posição privilegiada do altar com uma vista magnífica ou uma curiosidade, um ritual que o templo exige.

    Mas o Templo do Céu tem peculiaridades que estão fora dos padrões ou das regras básicas da arquitetura chinesa. Como ele é um culto ao céu, possui a cor azul predominante, apesar de ter muito amarelo nos detalhes. Também é dedicado às orações para a boa colheita, com um pavilhão redondo e sem vigas de apoio para esse fim.

    Outro ponto do templo é o Altar do Terraço que foi concebido para as orações dos imperadores. Como as cerimônias se dedicavam às orações ao Céu, ele é aberto. O ponto central do terraço é um disco com 1 metro de diâmetro, o "coração do Céu" e onde o Imperador se colocava para as orações. Seria o local de maior contato com o céu ou paraíso. Sua acústica é perfeita: qualquer murmúrio se transforma num grande eco. O número 9 é simbolicamente usado por ser o maior número impar, o pavimento do Altar do Terraço é feito com pedras dispostas em círculos. O primeiro círculo possui nove pedras, o segundo, 18. E assim vai até o nono círculo, com 81 pedras. Suas escadas também possuem 9 graus, respectivamente.

    Mas hoje esse ponto é usado para tirar fotos e não importa quem é o fotógrafo, nem se a foto vai um dia chegar as suas mãos. O importante é sair na foto. J

    Às vezes eu me pergunto onde está o espírito zen da cultura chinesa, que foi tão importante em cada detalhe desses templos e palácios. Hoje a urgência, a pressa e a filosofia do “me first” como diz o Mário, reinam soberanas. É até engraçado de se observar, parece aquele ditado: faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço!

    O Templo do Céu foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1998.

    Só para lembrar, hoje é o feriado de 1° de outubro. Para os chineses, dia da Fundação da República Popular da China, para nós dia de ficar em casa para não se estressar! J

    Até amanhã!



     Escrito por Christine Marote às 10:24
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