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    Cidade Proibida - Forbiden City

    Continuando nossa estada em Beijing, passamos para a Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial. Essas duas atrações turísticas estão no mesmo ponto. E é exatamente o centro geográfico de Beijing.

    A Praça ficou conhecida em 1989 quando houve a manifestação dos estudantes pelo direito à Democracia. Mas esse é um assunto que não é bem vindo por aqui. Preferem descrever como a porta de entrada para o Palácio do Imperador e também para o mausoléu de MaoTsé-Tung, onde seu corpo está embalsamado e exposto para visitação pública, desde 1976. Sobre esse local não posso contar nada, porque nunca fui e, também, não pretendo ir! J

    Como vocês já podem imaginar, “Tian’anmen Square” é a maior praça do mundo com 440.000m².

     

    A Cidade Proibida tem esse nome porque somente o Imperador, seus familiares e empregados podiam entrar no complexo. Era uma cidade dentro de outra cidade. Óbvio que é o maior palácio do planeta! Com cerca de 980 prédios diferentes. A hierarquia era clara nas divisões e acesso aos espaços. Existiam várias alas que classificavam os diferentes graus de importância dentro do Império. As mulheres do Imperador tinham um espaço só para elas de onde não podiam sair sem ordens expressas. Existe um pavilhão que era usado uma vez por ano, para a filha predileta do Imperador receber seus presentes de aniversário. Outro onde o Imperador recebia visitas e outro ainda onde ele somente assinava os documentos imperiais.

    Prédios e mais prédios onde o luxo e a arquitetura são indescritíveis. Os detalhes das fachadas, que estavam sendo restauradas quando estive lá em 2005 e 2006, todos pintados a ouro. Entalhes nas portas, telhados e até no piso de cimento, que consistia no “caminho do Imperador”. É como um imenso tapete decorado que somente o Imperador poderia colocar os pés (ou talvez quem ele autorizasse).

    Também existia uma regra, que todo Imperador tinha que escalar uma montanha ao menos uma vez na vida. Como ele não podia sair de dentro da cidade, construíram uma montanha de pedras no jardim do Imperador. Problema resolvido. Podemos notar que desde a antiguidade os chineses já davam um “jeitinho” em tudo! J

    Existem alguns detalhes na arquitetura que nos chamam atenção e que são comuns na China, como os animais nas pontas dos telhados para espantar os maus espíritos. O vermelho e o dourado (ou amarelo, em alguns casos) são as cores predominantes, pois significam fortuna e prosperidade.

    Aqui não temos os degraus e declives, mas se anda muito, muito mesmo. E da mesma forma que a Muralha, é impossível visitar a China e não conhecer esse local.

    Mentián tián!

     

     

     



     Escrito por Christine Marote às 10:28
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    Muralha da China – Great Wall

    É redundância, mas tenho que falar que a Muralha da China é algo gigantesco. Digo isso, pois acho que até hoje não houve uma postagem que eu não usasse esse termo de alguma forma. J

    Mas realmente na China é assim. Com certeza vou continuar usando algum termo que represente grandeza, exagero, imensidão todos os dias para descrever esse país.

    E assim é a Muralha. O que mais me deixa intrigada é como homens construíram esse muro. Quilômetros e quilômetros (cerca de oito mil) de pedras colocadas lado a lado, formando uma grande serpente. Foi construída durante vários séculos e dinastias. Não há um número oficial de quantas pessoas pereceram na sua construção. Para se ter uma idéia, essa quilometragem equivale a extensão da Costa Brasileira!

    Na década de 80 o governo elegeu a Grande Muralha como símbolo da China, desencadeando uma grande campanha de restauração e divulgação turística. Como toda a obra que envolve o patrimônio histórico, causou muita polêmica devido aos métodos utilizados. Mas o fato é que ela está aí como o principal ícone da China e impressionando o mundo com sua magnitude.

    Quando chega a um dos pontos de visitação e você olha para aquela rampa aparentemente pouco íngreme e larga ou para os degraus que enganam na altura, pensa: isso é moleza! Depois de 200 metros, eu pelo menos, bati uma bela foto. Na saída comprei a famosa camiseta “I climbed the Great Wall”. Pronto! Registrado para a posteridade. O quanto escalei é um mero detalhe... J

    Os degraus foram feitos de uma maneira a “enganar o inimigo” que supostamente invadiria a China durante a noite. Eles são todos irregulares. O primeiro tem 15 centímetros o segundo 10 e depois vem um de quase 30. E assim vai. Ou seja: tropeços e esforço extra são inevitáveis. As rampas inofensivas têm uma inclinação que não é vista a olho nu e quando você começa a andar sente as pernas endurecerem. Um belo exercício, diga-se de passagem.

    O pior de tudo é que é um eterno sobe e desce, porque ela vai circundando as montanhas. Em um dos pontos de partida para iniciar a escalada, Badaling, foi construído um teleférico. Mas aí também não tem graça, né?

    E aí? Se animou?

    Abraço e até amanhã.



     Escrito por Christine Marote às 09:50
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    BEIJING - Pequim

    Beijing é a capital da China. Entendo que seja a política, porque a econômica, sem dúvida, é Shanghai. Mais ou menos como Brasília e São Paulo.

    Lá há uma veia turística imensa e é onde estão os principais (mas não todos) ícones da cultura milenar chinesa. É uma cidade onde o velho e novo interagem de uma maneira surpreendente.

    As construções da Vila Olímpica, dos estádios monumentais e dos arranha-céus espelhados aconteceram no meio dos templos e monumentos, que estavam sendo restaurados na mesma época. De um lado ficamos maravilhados com os palácios e templos e, ao mesmo tempo, estupefatos com a tecnologia e arquitetura de ponta se erguendo diante de nossos olhos.

    Para mim existem alguns lugares que são passagens obrigatórias:

    Cidade ProibidaForbiden City, onde revemos todo o luxo e a hierarquia existentes na época do Império. Fica na Praça da Paz CelestialTiananmen Square, que ficou conhecida mundialmente após a manifestação de estudantes pela democracia, em 1989.

    Muralha da ChinaGreat Wall, a única obra humana que é vista da Lua, algo inexplicável e literalmente monumental.

    Palácio de VerãoSummer Palace, que se caracteriza peça arquitetura cheia de detalhes e grandiosidade (se bem que isso é ser redundante, pois tudo aqui esbarra na grandiosidade, mas vamos lá...)

    Templo do CéuTemple of Heaven, um dos mais visitados, talvez pela sua localização, além de ter um grande parque que o circunda com muitas coisas interessantes para ver.

    Aqui também é o paraíso das compras de pérolas e produtos chineses. Não que Shanghai e outras cidades turísticas não tenham um bom centro de compras, mas em Beijing é diferente.

    Nas próximas postagens, vou falar um pouco de cada um destes pontos, pois acho que vale à pena conhecer algumas peculiaridades. Sem dúvida essa cidade ainda é a principal porta de entrada para a China principalmente pela história e tradição. Diferente de Shanghai, Beijing se abriu para o ocidente sem perder a identidade das cidades chinesas. Talvez por ser a sede do Governo e não ter sofrido tanta influência ocidental no passado.

    Mentiàn tiàn! J

     



     Escrito por Christine Marote às 10:24
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    Beleza se põe na mesa.

    Olha, comida na China dá assunto até cansar. Mas como não quero ninguém cansado, este será a última postagem sobre comida, pelo menos por enquanto. J

     

    Como já disse aqui é um lugar de contrastes. Da mesma forma que as pessoas comem em potes plásticos ou em saquinhos no meio de um mercado ou da rua, eles podem ser extremamente refinados e cuidadosos com os detalhes. Até exagerados, poderia se dizer.

    Comer num restaurante chinês também tem os seus segredos e rituais.

     

    Os locais geralmente são imensos, com grandes salões e, o mais legal: dezenas de salas privativas com mesas para 8 até 30 pessoas ou mais. Você pode escolher um jantar mais íntimo entre amigos ou um banquete. Cada salinha tem seu banheiro privativo e uma mini copa, onde são feitas as entregas dos pratos, bebidas e limpeza básica. Muitos deles têm uma ante-sala com jogo de sofá, TV e karaokê.

     

    Geralmente as mesas são redondas e possuem o centro giratório. Isso porque, o costume é pedir muitos pratos (mas muitos mesmo) que são divididos entre todos. Assim, o centro giratório é literalmente uma “mão na roda”! J

    E todos usam seus próprios chopsticks ou kuàizi em mandarim, para pegar a comida e levar à boca. O pratinho na frente de cada um é somente para apoiar um ou outro tipo de comida. Sempre disponibilizam toalhas umedecidas para higiene antes das refeições. E o pessoal não se intimida não, limpa o rosto, pescoço, mãos e braços. Gente, acreditem em mim: nas primeiras vezes você fica em choque, depois você ri e até que um dia, já não liga mais.

     

    As mesas são colocadas de forma harmoniosa e sempre a pessoa mais importante na refeição fica de frente para porta, no lugar central da mesa e da sala. Garfo e faca, nem pensar, ok? No máximo uma colher.

     

    A aparência dos pratos é outra coisa que nos faz ficar maravilhados. Independente do conteúdo, são muito bem dispostos e enfeitados. Até mesmo os doces, apesar de não serem muito comuns nas refeições, são demais. Sendo que são horríveis na mesma proporção (pelo menos para meu paladar! :P) Os pratos de frutas, que é a sobremesa padrão, não dão nem vontade de tocar para não desmanchar aquelas mini esculturas e montagens.

     

    Ah, já ia esquecendo: existem alguns restaurantes, principalmente em Chang Chun, que na entrada existem vitrines com todos os pratos do cardápio expostos para escolher. E outra coisa comum por aqui, e que eu detesto, é ir escolher o peixe e/ou frutos do mar vivos num imenso aquário. O garçom ainda vem com a iguaria na mesa antes de levar para a cozinha, para ter certeza que foi o que você escolheu.

     

    Tirando isso, é um divertimento e tanto sair para jantar por aqui.

     

     

    Até mais e obrigada por todo o carinho!

     

     

     



     Escrito por Christine Marote às 08:32
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    Escorpiões e afins...

    Ok, ok... publicar as fotos dos escorpiões é condição! Então vai, não só as fotos dos escorpiões e seus amiguinhos no espeto, como as das crianças (não tão crianças mais, rs) comendo-os!!!

    Isso aconteceu em julho de 2006. Com aquela história de que “temos que levar as crianças para conhecer a China, porque essa talvez seja a nossa única chance de fazer isso”, embarquei eu e os quatro pimpolhos com destino ao Oriente. Foi uma aventura realmente. Com direito a um “City Tour” relâmpago em Paris, pois tínhamos 8 horas de conexão e as malas já iam direto para a China. Com a ajuda do cunhado da Mariana, que estava morando lá naquela época, pegamos o metro e saímos rumo à cidade Luz. Pode-se dizer que eles viram tudo que um bom turista tem que ver em Paris! Foi divertido.

    Quando chegamos a Beijing, pegamos o avião para Chang Chun direto. Resolvemos que a visita a essa cidade ficaria para a volta. Como 4 filhos é algo além da conta, principalmente numa viagem como essa, resolvemos que cada um receberia uma cota de dinheiro para gastar durante os 15 dias de viagem. Óbvio, que depois de 10 dias vendo tudo que era coisa muito mais barato que no Brasil, incluindo tênis, roupas, mochilas e até brinquedos (e dividindo o valor por 4,5!!!), quando chegamos em Beijing o caixa deles já estava um pouco defasado e justo lá, que era a cidade das compras! Os souvenires das Olimpíadas de Beijing já bombando, tudo que você possa imaginar. O que fazer?

    Foi quando entramos no bequinho que tem os quiosques das coisas estranhas! Bingo! Eu e o Mário pensamos: “eles não vão topar. Do jeito que são frescos... Passaram praticamente os 15 dias na China comendo Mc Donald’s e Pizza Hut, vão comer escorpião? Mas vamos ver até onde chega à veia consumista da molecada!” Genteeeee... eles nos surpreenderam! Até a Mariana e o Octávio (os mais frescos dos frescos...hahaha) Aceitaram na hora! Mais dinheiro para gastar em Beijing era tudo o que eles poderiam sonhar, mesmo que o preço desse “extra” fosse traçar um espetinho de escorpião!!! E aqui estão as fotos que não nos deixam mentir. Segundo nossos rebentos consumistas o sabor se assemelha ao de camarão. Mas nós, sinceramente, não nos animamos a experimentar!

        

    Se alguém quiser a iguaria, me avise que levo numa “quentinha” na próxima vez que for ao Brasil!

    Grande abraço e “mentian tian”!



     Escrito por Christine Marote às 00:32
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    O que comer por aqui...

    Toda vez que falo para alguém que estou na China, a primeira e inevitável pergunta é: Como e o que você come lá?

    Bom, vamos esclarecer uma coisa: a comida chinesa é muito boa, desde que você saiba o que pedir! Mas isso é só um detalhe...

    Esqueça os padrões de comida chinesa que temos no Brasil. Completamente diferente. Mais saborosa e menos gordurosa.

    Agora, não dá para esquecer que há os escorpiões, as carnes de cachorro e de outros bichos estranhos, além da culinária exótica de cada região.

    Em Chang Chun, por ser muito frio, a comida é mais gordurosa. Em Sichuan, parte ocidental da China, a comida é tão apimentada que só o aroma faz os olhos lagrimejarem. Em Shanghai temos uma mistura de temperos e sabores, ou seja, aqui podemos comer de tudo um pouco. Também há as comidas adocicadas, muito populares. Mas quase não há doces. As sobremesas em restaurantes, invariavelmente, são frutas de época. Sem sombra de dúvida, melancia é a fruta mais consumida em qualquer época do ano.

    Foi em Beijing (Pequim) que vimos os espetinhos de escorpião e afins. Na realidade não tenho certeza se é um hábito daquela região ou se estão aproveitando o lado exótico da China para o Turismo. E também é lá que pudemos experimentar o famoso “Pato de Pequin” ou “Beijing Duck”. Realmente delicioso!

     

    Basicamente a alimentação deles se baseia em noodles (incluindo o de arroz) e arroz. Os dois podem ser cozidos à moda oriental ou frito que é o mais aceito e consumido pelos estrangeiros.

    Para as carnes o consumo de frango e porco, que ganham em disparada da carne bovina, e os peixes e frutos do mar. Legumes são indispensáveis também, na maioria servidos refogados.

    Um outro tipo de prato muito comum e tradicional são os “Dumplings”, massa recheada com carne, legumes ou peixe. Também há os recheios doces. Podem se servidos cozidos, em sopas e/ou fritos. Esse é um dos pratos que podemos classificar como o que você ama ou odeia. Nunca vi meio termo. Eu pessoalmente adoro os cozidos recheados de legumes e os fritos recheados de carne. Mas aqui em casa sou voto vencido! J

     

    Agora vocês já sabem que aqui ninguém morre de fome! Esperem por mais estórias sobre a comida chinesa. Nem tudo são flores por aqui! Já passamos por situações bem constrangedoras em jantares chineses! Mas, de acordo com a nossa filosofia para viver bem na China, depois que passa a gente ri!

    Abraço.



     Escrito por Christine Marote às 00:39
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    É muita gente...

    Já viram um estádio lotado, num dia de clássico Corinthians e Flamengo? Ou Talvez um show na praia de Copacabana na virada do ano? Meu Deus!

    A China é assim todo o dia. Inacreditável...

    Com a população de quase 1.350.000.000 (um bilhão trezentos e cinqüenta milhões), baseada no último senso. Dá para se assustar só de olhar para o número, imagina cruzar com essa gente toda na rua! Eles são praticamente ¼ da população mundial e ainda acho que esse número não é o real, apesar de ser o oficial. O que ocorre é que na zona rural é muito mais difícil o controle e recenseamento. Com a política do filho único, muitos pais não registram seus filhos. Então dá para ter uma idéia de como vai crescendo essa bola de neve.

    Realmente, se eles não comessem esse monte de coisas esquisitas, não haveria comida no mundo para todos! J

    Quando tivemos, no ano passado, a gripe suína, os médicos dos hospitais internacionais recomendavam que se evitassem aglomerações. Aqui isso é mais ou menos como dizer: não saia de casa. Sem condições. Por isso que o uso de máscaras cirúrgicas é tão comum nas ruas. O governo incentiva, com razão, e a população adere. Uma epidemia aqui seria o caos. As proporções são alarmantes.

    Se nos dias normais as ruas já transbordam de pessoas, imaginem num feriado nacional. Dia 1° de outubro é o maior feriado aqui, depois do Ano Novo Chinês. É o Dia da Fundação da República Popular da China. Então, no ano passado, resolvemos aproveitar o feriado e ir passear nos arredores de Shanghai. Gente... nunca mais. Definitivamente feriado nacional não é dia de sair de casa na China. A não ser que você adore uma aglomeração!

    Quando saímos do metrô, subimos a escada e só vimos CABEÇAS!!! Milhões delas. Era impossível dar um passo. A impressão era que se eu levantasse meus pés, a massa me levava. Não sei para onde, mas levava!

    Por essas e outras que os chineses não respeitam fila, não param quando um pedestre está na faixa e as bicicletas disputam o espaço nas calçadas.

    Ok, você pode dizer: mas isso é falta de educação. Realmente é dentro dos padrões ocidentais. A lógica vigente nesse lado do mundo, definitivamente não é a nossa!

    Abraço e deixem seus comentários e sugestões. Adoro ler as impressões de cada um.

    Mentián tián!



     Escrito por Christine Marote às 10:29
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    Por aqui, o sono é sagrado!

    São tantas as coisas interessantes que temos pra contar, que às vezes fica difícil escolher um assunto.

    Mas dando uma olhada nas minhas fotos e hoje sendo um feriado chuvoso, achei que o sono seria um bom tema!

    Aqui tem duas coisas que são sagradas: a hora de comer e a hora de dormir.

    Mas não pensem em nossos hábitos ocidentais com todos os rituais, preparativos e adequação de local e situação. Nada disso. Funciona assim: se tenho fome, como. Se tenho sono, durmo. Em qualquer lugar, em qualquer situação. Simples assim.

    Nas lojas, supermercados, na rua, nos hospitais. Horário de almoço, 11:00, e começa a movimentação de potinhos e saquinho se abrindo com o cheiro peculiar da comida chinesa e pronto. Você se sente num imenso restaurante. Depois disso, a sesta, né? E ali mesmo, agachado, sentado num banquinho ou em pé (isso é um mero detalhe), observamos os chineses usufruindo dos restauradores minutos de sono profundo.

    É comum você encontrar pessoas dormindo no Mc Donald’s ou nos bancos de praça. O mais engraçado: nas lojas de Departamento no estilo IKEA ou até mesmo no Carrefour, se tem um sofá, uma cama, eles não perdem a oportunidade. E ninguém fala nada. Os vendedores olham as pessoas roncando nos móveis expostos na loja, como se fosse a extensão da casa de cada um.

    E aqui em Shanghai ainda há uma peculiaridade em relação às lojas de Departamento: o ar condicionado. Quando está calor, as pessoas correm para esses lugares para se refrescar e passar horas agradáveis com a família numa salas ou dormitórios em exposição nas lojas. Quando está frio, fazem a mesma coisa pelo motivo inverso.

    É que Shanghai não fica numa das regiões mais frias da China, por isso não há aquecimento ou refrigeração mantida pelo governo (serviço que há em Chang Chun, por exemplo). As pessoas têm que arcar com essa despesa se quiser desfrutar desse luxo, porque a taxa de luz aqui é caríssima. Garanto que um enorme contingente prefere passar seu tempo livre nos shoppings ou lojas!

    Resumindo é, no mínimo, muito estranho.

    Até a próxima.



     Escrito por Christine Marote às 08:57
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    Moon Cake - Bolo da Lua

    Amanhã dia 22, é feriado aqui na China. É a celebração da chegado do Outono ou Festival da Lua, "Zhong Qiu Jie". Como parte das tradições as pessoas trocam bolos da lua – Mooncakes, ou em chinês “Yuè Bing”.

         

    Essa data é celebrada no 15° dia do 8° mês no calendário lunar. Não esqueça que todas as datas aqui são baseadas no calendário lunar, partindo do Ano Novo Chinês. Eles usam o calendário ocidental hoje, por uma questão de praticidade com o mundo globalizado. Mas a questão da lua ainda está muito enraizada em todas as ações desse povo.

    Existem muitas lendas à respeito dessa tradição, mas a maioria são ligadas com a beleza e grandeza da lua nessa data. Seria a lua mais bonita do ano. Os bolinhos são trocados como fazemos com os ovos de chocolate na Páscoa. Só que aqui as tradições são levadas muito mais à sério: todos trocam esse presente.

    Os bolinhos são geralmente redondos para simbolizar a lua e são decorados com os ideogramas de longevidade e harmonia.

    E as embalagens... um capítulo à parte. Lindas, cheias de detalhes e luxo. Para os aficionados por caixas como eu, dá vontade de comprar todas que vemos. Pena que não dá para comer todos os mooncakes. L

    O difícil para nós ocidentais é “saborear” a iguaria! Na realidade é um bolo de massa bem fina, um pouco oleosa, mas com um recheio bem caprichado. E é aí que começa o problema! Alguns dos recheios que já vi: porco, pato, pimenta, feijão doce, feijão vermelho, chá verde, peixe, arroz, semente de lótus e de uma mistura de cinco tipos de nozes (esse é o único que consegui encarar!). Esses sabores dependem muito da região onde estamos. Em Chang Chun, garanto para vocês que eram os mais esquisitos!

    Mas, graças ao mundo globalizado e a invasão dos hábitos ocidentais, principalmente em Shanghai, a Haagen-Dazs e a Strabucks lançaram sabores mais agradáveis ao nosso paladar, como chocolate, frutas vermelhas, geléias... Bem melhor, né?

    Então, amanhã, por aqui estamos de folga! J

    Xin nian Zhon Qui Jie!

    Mentian tian!



     Escrito por Christine Marote às 10:25
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    HARBIN vai além do gelo

    Não dava para falar de Harbin num post só. Apesar de nossa estada lá ter sido relâmpago, as aventuras foram muitas!

    O nome do período em que os turistas invadem a cidade é o Harbin International Ice and Snow Sculpture Festival.

    E tenho que corrigir um erro da postagem de ontem, apesar de ser muito próxima a Chang Chun, Harbin já está situada na Provincia de Heilongjiang, mais no noroeste da China, fazendo divisa com a Rússia. Harbin é a capital dessa província (que seriam como nossos estados e capitais)

    Por isso a forte influencia russa é palpável. Visitamos uma igreja, que agora abriga um museu, nas lojas de souvenir você pode comprar Mamuskas (bonequinhas russas que se encaixam uma dentro da outra), além de muitos restaurantes russos.

    O número de esculturas fora dos parques também é enorme, os hotéis e restaurante promovem pequenas exposições em seus jardins.

    Nós tentamos comprar um daqueles espetinhos de morango com chocolate, mas não deu muito certo. Estava completamente congelado e quando conseguíamos morder, não dava para sentir o gosto. Compramos uma garrafa de água e deixamos em cima de uma mureta enquanto tentávamos nos arrumar para uma foto e outra. Acho que não chegou há 5 minutos, não tenho certeza, mas o fato é que nos deparamos com uma bela pedra de gelo. Não é à toa, que em Chang Chun no inverno, os ambulantes vendem picolés numa caixa de papelão e jamais derretem!

    Mas tenho que enfatizar mais uma vez: é MARAVILHOSO! A experiência é daquelas que não há palavras para descrever.

    E quando chega o verão? Sim, ele chega em Harbin! Com os confortáveis 25°, sol e um calor gostoso (somente por uns 45 dias, mas o pessoal aproveita cada segundo). E as esculturas? Bom, como voltamos lá uma vez em julho, tivemos a grata surpresa de constatar que eles preservam um bom número de esculturas de porte pequeno e médio num imenso armazém frigorífico. Aí a gente pode alugar as roupas e passar uns bons momentos lá dentro brincando de esquimó na deliciosa temperatura de 8° negativos. Moleza vai?

    O Parque das Esculturas, com as pistas de esqui e escorregadores de gelo, se transforma no parque mais verde e arborizado que já vi. E as crianças continuam correndo ao ar livre, as apresentações artistas a todo vapor, vida normal também.  Para quem, como nossos filhos, que só foi lá em julho, fica bem difícil imaginar a transformação tão radical.

    Mas uma coisa que com ou sem natureza é bem comum aqui: transformações radicais! J

    “Mentian tian”! Até amanhã!

     



     Escrito por Christine Marote às 10:31
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    HARBIN – A cidade de Gelo

    Olá!

    Sumi por uns dias... A gripe me pegou e derrubou, mas vamos em frente, não é?

    Está sendo muito bom relembrar as coisas que já vivemos por aqui e contar um pouco para vocês.

    Como resfriado me lembra frio, gelo e inverno, resolvi contar um pouco dessa peculiar cidade chinesa que é Harbin. Fica na mesma província de Chang Chun e somente 3 horas de carro de uma cidade à outra.

    Saímos num sábado pela manhã e voltamos no domingo à noite. Tempo mais que suficiente para perceber que a vida de esquimó não é fácil!

    Quando chegamos, deixamos as malas no hotel, vestimos TODOS os agasalhos que tínhamos e saímos para a aventura.

    Como escurece por volta das 15:00, fomos à Cidade de Gelo, que é simplesmente maravilhosa. Todos os principais monumentos do mundo construídos em gelo. Desde o Big Ben (Londres) ao Taj Mahal (Índia), pudemos fazer uma bela viagem. Ok, seria melhor se não estivesse tão frio. Nessa noite chegamos aos 40° negativos. Olhe, nem adianta perguntar a sensação, porque não sei descrever. Para vocês terem uma idéia, tenho pouquíssimas fotos dessa noite, porque a cada foto tirada, precisa pegar a bateria e colocar no meio das 3 luvas que usava e ainda fechar bem a mão para gerar calor, recolocar a bateria e tirar mais uma ou duas. Repetir o processo de novo! Uma loucura.

    No domingo pela manhã fomo visitar o parque das Esculturas. Lindo, como tudo na China chama atenção pela grandiosidade. Centenas de esculturas de gelo imensas e elaboradas, para ficarem expostas por 15 dias. Sim, porque esse é o “Spring Festival” (Festival da Primavera)! Mais uma vez peço à vocês que não façam perguntas difíceis: esse festival acontece na segunda quinzena de Janeiro e a Primavera só começa em 20 de março. Mas, sempre digo que a lógica daqui não faz sentido para nós.

         

    Esse é aquele lugar que, quando se pode, não dá para deixar de ir... mas também, não temos a intenção de voltar de novo! J

    O mais desconcertante para nós, é que no Parque das Esculturas, por exemplo, as pessoas passeavam com suas famílias, tinham apresentações de dança ao ar livre e vendedores de espetinhos de morangos com chocolate andando de lá para cá. As crianças corriam uma das outras, as mães passeavam com seus bebes em carrinhos. Ou seja: vida normal! Algo meio estranho para os nossos padrões de inverno!!

    Amanhã tem mais pessoal!

    Grande abraço!

     



     Escrito por Christine Marote às 02:32
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    Chang Chun – uma cidade chinesa, com certeza! :)

    Vou falar um pouco das cidades que já conheci e não poderia começar por outra além de Chang Chun.

    Ali foi a nossa entrada na China. Se hoje tiramos de letra (às vezes) nossa vida em Shanghai, é porque fizemos um belo e longo estágio em Chang Chun.

    Casa do Imperador em Chang Chun

     

    Esta cidade fica na Província de Jilin, norte da China (antiga Manchuria), próximo à Mongólia e ao deserto de Gobi. É uma cidade muito importante na história da China. Foi lá que o último Imperador, Pu Yi, se exilou quando entregou a Cidade Proibida aos japoneses, entre 1931 e 1945. No filme “O Último Imperador”, quem tiver curiosidade, pode ver a casa. É aberta para visitação e tem algumas cenas da história reconstituídas com os personagens de cera em tamanho natural. (Museum of the Manchu State Imperial Palace)

    Quase não há estrangeiros vivendo lá. Podemos dizer que não chegam a 2500 pessoas. Para uma cidade pequena para os padrões chineses, com 8 milhões de habitantes, isso não é nada.

    Por isso as pessoas nos param para tirar fotos na rua, olham para nós e morrem de rir ou tentam puxar conversa, coisa que não é lá muito simples. Quanto mais tentamos explicar que não entendemos o mandarim, mais eles falam e riem.

    Dá para contar os chineses que falam inglês em Chang Chun. Então nossa comunicação se resumia em mímica e apontando para fotos. Juro que no começo é muito engraçado, mas depois de um tempo, ou quando estamos numa situação difícil, dá vontade de gritar! A vantagem é que podemos falar mal à vontade, ninguém entende mesmo. Só que, por incrível que pareça uma vez duas brasileiras que moravam lá estavam no supermercado, falando o que bem entendiam e não é que um casal chinês começou a responder as coisas para elas em português?!? Imaginem a cara que elas devem ter feito. A coisa mais improvável naquele lugar: um chinês que fala português e ainda por cima chama-se Antonio!

    Outra peculiaridade de Chang Chun é o frio intenso e seco. A temperatura média anual é de 15°. Para vocês terem uma idéia, em julho e agosto temos 35°, mas como é seco, não dá a sensação angustiante que essa temperatura oferece. A partir de meados de setembro começa a cair para 18°, em outubro já estamos com 10°. Depois disso, até Março, sempre é negativa chegando aos inexplicáveis -30°. Desse ponto em diante começa a subir. Resumindo, só não precisamos de casacos, vejam bem: CASACOS com letras maiúsculas, por aqui de junho a agosto!!

    Quem nunca ouviu dizer que os chineses comem cachorro? Realmente é verdade. Não só cachorros como escorpiões, pé de pato, cabeça de galinha e outras coisas esquitas. Mas aí descobri que cachorro, somente os chineses do norte da China (e a Coréia do Norte) têm esse hábito. Me explicaram que é por conta das baixas temperaturas, que esse hábito existe. E por conseqüência você pode encontrar carne de cachorro em abundância para vender nos supermercados. Com um detalhe: eles colocam uma cabeça de cachorro em cima da carne para não haver dúvidas! Arghhh...

    O Mário também viu na estrada um caminhão transportando cachorros para abate. Ele me disse que lembra nossos caminhões com porcos. E também ficamos sabendo que não é qualquer cachorro que comem. Existe uma raça específica que é criada para esse fim. Bom, mas na real eu nunca vi e acho que nunca comi. Em alguns momentos a ignorância é uma benção! J

    Outra coisa engraçada e espantosa para os padrões de higiene ocidentais: como faz muito frio nessa zona, quando está no outono, temperatura de 10°, eles começam a secar e estocar alimentos para o inverno. Acelga é uma das verduras mais tradicionais por aqui e talvez a mais fácil de estocar. Então eles colocam para secar nos lugares mais inusitados que se pode imaginar. Está aí a foto que não me deixa mentir: na calçada, sem nenhuma proteção, cuidado ou embalagem. Repetindo o que disse no último parágrafo: às vezes é melhor ser ignorante!

     

           

    Acelgas na calçada para estoque de inverno!

     

     

    Amanhã tem mais, porque isso é só o inicio!

    Abraço e obrigada pelo carinho que tenho recebido de cada um dos meus leitores! J



     Escrito por Christine Marote às 11:21
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    Primeira impressão... Meu Deus!!!

    Estacionamento de bicicletas

    Em julho de 2005, começou a minha aventura em descobrir esse inusitado país. Eu imaginava que seria a única vez que iria para esse lugar, afinal o contrato do Mário ia só até dezembro daquele ano. Realmente nossa vida é uma caixa de surpresas.

    Chegamos a Beijing (Pequim no ocidente). Meu Deus... O que era aquilo! Naquela época, faltando 3 anos para as Olimpíadas, Beijing era um canteiro de obras. Nunca vi tantos guindastes juntos, depois fiquei sabendo que a China é o país que possui o maior número de guindastes em operação no mundo! Realmente era verdade, estava vendo com meus próprios olhos.

    Fora isso a quantidade de gente, de bicicletas, de carros... Tudo aqui é sempre muito, sempre grande, sempre ostensivo, sempre exagerado. Imaginei um lugar feio, sujo, sem estrutura (o que depois vi que realmente acontece nos locais fora do alcance dos olhos do estrangeiro/turista). Ledo engano. A começar pelo aeroporto, algo indescritível, com esteiras rolantes para se locomover de tão grande (e nessa época a obra estava inacabada!). Fomos visitar os templos, a Cidade Proibida (Forbiden City) e a Muralha da China (Great Wall), o Palácio de Verão (Summer Palace). A arquitetura de uma grandeza absurda, de uma beleza impossível de descrever com palavras. Os detalhes das construções, das pinturas, dos objetos. Apesar desses locais estarem bastante abandonados e desgastados pelo tempo. E, como sabemos, a falta de interesse do governo em preservar os monumentos na época da Revolução Cultural estava refletida nesses prédios. E os mercados de compras... Imaginem uma 25 de março ampliada, multiplicada por 1000. Uma loucura... Mas esses detalhes conto depois.

    Depois de 3 dias em Beijing chegamos à Chang Chun. Foi nessa hora que as fichas caíram: estou na China. O aeroporto contrastando terrivelmente com o da capital, me lembrava uma rodoviária velha do sertão da Bahia. Algo assim bem catastrófico mesmo. Me senti numa cena daquele filme da Fernanda Montenegro, Central do Brasil. Hoje esse aeroporto foi desativado e existe um lindo, super moderno e acho que até grande demais pelo tamanho da cidade. Descobri também que Chang Chun é uma cidade de contrastes a olhos nus. Diferente de Beijing e de Shanghai, onde vivo hoje.

    Para finalizar essa introdução, voltei ao Brasil sozinha e continuei muitas vezes indo e vindo nessa ponte-aérea maluca entre Brasil e China. Isso durou até dezembro de 2008. Nesse tempo fiz 7 viagens à China. Teve um ano que fui e voltei 3 vezes. Meu corpo já não sabia mais se acordava ou dormia, pois com o fuso de 11 horas, embaralha tudo mesmo. E a cada 6 meses vivíamos a expectativa do fica ou vai... E foi ficando, ficando... Posso dizer que o Mário já está plenamente adaptado e temos até a impressão que seu olho está meio puxado.

    Em setembro do ano passado, depois de sabermos que seu contrato não seria prorrogado de novo em dezembro, ele recebeu a proposta de mudar para Shanghai com um contrato de 3 anos. Me ligou, contou e foi categórico: chega dessa brincadeira, só fico se você vier de vez. Também estava cansada. No começo era divertido, novidade, uma situação inusitada. Mas já estava no limite, alguma mudança teria que ocorrer.

    De outubro a dezembro minha vida virou de pernas para o ar, decidir sobre mudança, emprego, filhos, escola, o que fazer com a casa, os móveis, assinaturas de revista, contas....TUDO!!!

    E finalmente dia 9 de janeiro de 2009, estávamos colocando os pés em Shanghai, para ficar.

    Achei interessante situar como toda essa história da “China em minha vida” começou e agora posso contar um pouco das coisas que vi, vivi e aprendi nesse País pelo qual aprendi a gostar e respeitar, com toda a sua diversidade.

    Saudades do Brasil? Muitas... Principalmente da família, dos amigos, das pessoas queridas. Mas agradeço a Deus pela oportunidade única de estar vivendo essa experiência, de estar conhecendo meus limites, aprendendo todo o dia. Sempre falo que se alguém não aprender a lidar com a ansiedade e a paciência jamais conseguirá viver aqui. É um exercício diário.

    Abraço!

     



     Escrito por Christine Marote às 06:41
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    Como tudo começou...

    Shanghai - Bund e Pudong

     

    Antes de começar queria agradecer à todos que vieram fazer uma visita! OBRIGADA!!! Rindo a toa

    Quase 100 visitas no primeiro dia é um estímulo e tanto!

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    Eu sempre falo que se antes de 2004, se me dessem um cartão de crédito sem limites, para passar uma temporada em qualquer lugar do mundo, eu nunca escolheria vir para a China.

    Só para reforçar o que ouvimos desde criança: nunca diga nunca!

    Um dia, no início de 2004, tenho a cena gravada na minha memória como se fosse hoje, meu marido e eu, estávamos saindo do prédio em que morávamos no Brasil e ao abrir o portão para a rua, ele parou, olhou para mim e disse: “se eu arrumasse um emprego na China, por um período de alguns meses, você se incomodaria se eu fosse?” Respondi na hora: “claro que não! Se você tiver uma chance lá, não dá para desperdiçar.” Mas no fundo nunca coloquei muita fé nisso...

    Passado um tempo, ele continuava a manter contato com o amigo no outro lado do mundo, mas ainda nada de concreto. Numa bucólica noite de domingo, saímos para andar um pouco pelo bairro, coisa que amamos fazer, quando o celular dele toca. Era o amigo perguntando se ele podia embarcar em 10 ou 15 dias, não me lembro. Mas essa cena, o lugar onde paramos para atender ao telefone, também está vivo na minha memória como se tivesse acontecido há minutos atrás.

    A partir daí, nossas vidas se transformaram de uma maneira que jamais havíamos nem sequer sonhado. Os poucos meses foram se tornando anos. Ponte aérea Brasil-China, para nós era fichinha! Não foi fácil, mas também não foi insuportável... Temos boas histórias para contar! Foram 4 anos nessa vida, pois a cidade em que ele morava, Chang Chun, era inabitável (mas sobre isso conto um outro dia) e como era só por mais alguns meses ( a cada 6 meses, ficava por só mais 6...) achamos que dava para levar.

    Até que em 2008, ele recebeu a proposta de mudar para Shanghai que, para quem conhece Chang Chun, é o paraíso na terra! Viemos de mala, cuia e filhos em janeiro de 2009.

    Bom, agora que vocês já sabem como chegamos por aqui posso começar a falar das aventuras, das experiências e das peculiaridades de se morar na China.

    Abraço!

     

     



     Escrito por Christine Marote às 06:37
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    Porque decidi escrever...

     

    Estou definitivamente vivendo na China, há quase 2 anos.

    No começo foi muito difícil e conturbado, mas as coisas, aos poucos, foram indo para o lugar.

    Muitos dos meus amigos, para quem sempre mandava notícias, ou contava as minhas aventuras nesse país peculiar que faz parte da minha vida desde 2004, diziam: “você tem que registrar essas estórias!” Mas sempre dizia que eles estavam delirando, que imagina eu escrever para muita gente ler... Só que parece que por encanto, cada vez mais pessoas falavam isso para mim, cada e-mail que enviava, vinham muitas respostas dizendo as mesmas coisas. Até achei engraçado, mas quando a vida aqui começou a se acalmar, na fase de adaptação, isso passou a martelar na minha cabeça.

    Junto a tudo isso, à necessidade de ter um compromisso, fazer alguma coisa mais, que ocupe meu tempo de maneira prazerosa e faça valer mais ainda minha estada no Oriente.

    Não pretendo falar da China como roteiro turístico, ou dar aulas sobre esse país, até porque ainda tenho muito que aprender por aqui. Mas passar a minha experiência, minhas aventuras e os fatos que marcaram esses últimos 6 anos. Mais do que conhecer outra cultura, um país interessantíssimo, diferente de tudo que possam imaginar, a China teve um papel fundamental na minha vida. Mudei muito, amadureci muito, aprendi coisas que só a vida pode se encarregar de nos ensinar.

    Por 4 anos, encontrava com meu marido a cada 3 ou 6 meses, apesar de falarmos todo o santo dia. Hoje sei o quanto vale um passeio de mãos dadas pela praia, um café no shopping nas tardes de sábado, um domingão em casa de pijama o dia todo na companhia de quem você ama. São coisas que o dinheiro não pode comprar, mas valem uma fortuna imensa.

    Para todas as pessoas que me incentivaram a escrever, que me deram o ombro para chorar nos últimos anos em que vivi no Brasil, que se preocuparam em me divertir para que não ficasse tão sozinha, que riram das minhas estórias e aventuras, que ainda estão presentes no meu dia-a-dia, através da internet, o meu mais sincero obrigado! Amo todos e morro de saudades. Nada nessa vida vale mais do que as pessoas que nos são caras: família, amigos e até aqueles que passam somente por um período, mas que de alguma forma marcaram nossos momentos. Com certeza vocês serão lembrados nos meus relatos!

    E por fim, quero agradecer a Deus, sempre, em cada minuto da minha vida. Sem a fé que me conduz, seria muito difícil encarar os desafios que aparecem na nossa jornada nesse planeta.

    Espero que algumas das minhas experiências possam fazer a diferença na vida de quem às lê, mesmo que seja só um breve momento de descontração.

     



     Escrito por Christine Marote às 03:50
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