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    MUDANÇA DE ENDEREÇO DO BLOG

     
     

    MUDANÇA DE ENDEREÇO DO BLOG

    Olá Pessoal,

    Espero que tenham passado um excelente Natal.

    É para dar algumas noticias sobre o blog. Sei que muitos não acessam Facebook ou twitter e ai só o bom e velho email. Rs

    Bom, a China continua na minha vida, mas repaginada! Afinal todos temos que mudar, e para melhor! A experiência, o passar do tempo, sempre nos fazem refletir, ponderar e amadurecer.

    Então estamos de casa e roupagem nova!

    Agora o China na minha vida está hospedado no Wordpress. Um site com muito mais recursos, mais possibilidade de interação e divulgação.

    O único senão, para quem está na China, é que só acessamos ele com VPN. Mas para quem está em qualquer outro lugar do mundo, inclusive Hong Kong, isso não é um problema.

     

    Criamos uma identidade para ele também, com a ajuda da ELYTS, que teve meses de paciência, até achar algo que eu endendesse como a ‘cara’ do blog. Obrigada, Kátia.

     

     

     

     

     

    E para finalizar agora temos um dominio .com. Obaaa...

     

    Então, aguardo a visita de vocês no www.chinanaminhavida.com

    Naveguem, opinem, compartilhem.

    Conseguimos re-publicar TODOS os posts desde o inicio do blog.

    Um trabalho meio doido, mas que valeu todo o esforço.

     

    E para quem quiser, pode ‘SEGUIR O BLOG VIA EMAIL’, é só colocar seu email no local com a frase ao lado e pronto!

    Tudo que publicarmos chegará no seu email!

    Também há possibilidade de assinar o twitter e dar o ‘like’ na página do Facebook direto do blog.

    Também poderá enviar o link para seus amigos diretamente da página que estiver lendo.

    E mais novidades serão incorporadas a pagina. É só seguir e aguardar.

     

    Mais uma vez, agradeço a todos que me incentivaram, seguiram, deram suas opiniões, colaboraram com material e divulgaram o blog.

    Realmente isso fez muita diferença para chegarmos até aqui.

    Que Deus nos abençoe e continue sempre iluminando nossos caminho.

    Um Feliz Natal e que 2013 seja realmente um ano de muitas realizações para todos.

    Obrigada!

    XièXiè!

    Grande abraço,

    Christine.

     


    www.chinanaminhavida.com

     



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 08:28
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     Escrito por Christine Marote às 15:28
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    Er Nai ou, simplesmente, segunda esposa.

     
     

    Er Nai ou, simplesmente, segunda esposa.

    Eu já havia lido em alguns livros sobre a questão das segundas esposas ou concubinas na China antiga. As regras eram claras e isso chegou a causar muitas brigas, ciúmes e tragédias na história do Império. Num dos livros que recomendei aqui no blog, “A boa terra” de Pearl Buck, relata o sentimento da esposa do camponês quando ele decidiu trazer uma segunda esposa para dentro da sua casa. No livro  ‘A Ultima Imperatriz’, da mesma autora, toda a história é calçada na ascenção de uma comcubina ao papel de ‘preferida’ e, literalmente, dominante dentro do Império.

    Mas isso foi há muito tempo, e com a revolução cultural, as mudanças radicais que aconteceram na China nos ultimos 60 anos, não captei que isso ainda era uma prática corrente. Mas sábado passado, tive uma aula sobre marketing na China e dentre alguns artigos que lemos, estava o de Tom Doctoroff, publicado em fevereiro de 2011, que tem como título:’Segundas esposas e efervecência do mercado de luxo na China’ (tradução literal), que pode ser conferido aqui para quem tiver curiosidade (em inglês).

    Bom, claro que isso ficou martelando na minha cabeça, até porque a discussão também nos levou a conclusão que é ainda uma prática comum na China. E continua causando os mesmos problemas sociais que haviam no império: ciúmes, disputas de poder em familia e, se não tragédias, ao menos algumas discussões acaloradas entre as ‘esposas’.

    A última Imperatriz, concubina que deu o filho homem ao imperador e se tornou uma das mulheres mais poderosas da história da China.

    E ai, o que posso contar a vocês é que as Er nai (二奶), segunda esposa  ou Xiao San (), amante (ou no sentido literal do chinês: a terceira jovem, a terceira pessoa dentro do relacionamento) não são oficialmente aceitas, mas também não são discriminadas completamente. Na realidade são aceitas pela cultura na sua essência! Para o homem que escolhe ter a‘er nai’, elas representam status, pois isso significa que eles podem manter duas mulheres confortavelmente dependendo dele.

    E, acreditem: elas são caras. Pois levam o status de xiao san e querem ser reconhecidas por isso mostrando o quanto o ‘marido’ cuida bem delas e lhes dá do bom e do melhor (e que melhor...).

    Lá no passado, bem longinguo, era claro e mandatório que todo homem para ‘cumprir seu mandato do céu’ teria que ter um filho homem. Se a primeira mulher não havia lhe dado isso (até hoje os homens em geral, teimam em pular a aula de biologia que explica que o sexo do bebê é definido por eles, mas isso é outra história...rs), eles tinham o direito de buscar esse filho com a segunda esposa. Mas claro que a primeira era a primeira, se é que é possivel se manter de cabeça erguida, com uma moça muito mais jovem, as vezes morando na mesma casa, e sabendo que ela está lá para cobrir uma falha dela. Cruel, no minimo.

    Aí voltamos naquele ponto que sempre tento ressaltar quando falamos da cultura chinesa: o que vai contra os nossos princípios, nossa criação judaíco-cristã ou como vocês queiram chamar os nossos códigos sociais, nos assusta e muitas vezes nos causa revolta e/ou repulsa. Mas não para eles. Na realidade a recíproca é verdadeira na mesma proporção. Nós também chocamos eles em muitas das nossas atitudes corriqueiras.

    Então, para recapitular e catar o fio da meada, precisamos entender que infidelidade nem sempre é desprezada pela sociedade e amor não é a base para o casamento. Pelo menos aqui na China. E já escrevi sobre essas ‘razões para o casamento’nesse post aqui.

    E num dos muitos artigos que li, a entrevistadora perguntou ao homem porque ele mantinha o casamento se, publicamente, assumia sua predileção pela amante. E ele, sem nenhum tipo de constrangimento, respondeu que era por conveniência. As duas familias estavam felizes com o casamento, eles haviam feito um patrimônio considerável e romance eles buscam em algum outro lugar. E é assim mesmo. Casamento aqui é troca de interesses, dotes, soma de patrimônio, conveniência para o status social. Assim já era na época dos imperadores e continua sendo em pleno século 21.

    Mas o fato é que parece que esse fenômeno, que até havia dado uma trégua durante os anos da revolução (afinal o que tinham as pessoas para conquistar uma er nai?), está ganhando força e vulto tão rapidamente como as contas bancárias e fortunas inimagináveis dos chineses. Vários blogs aqui na China, a maioria de estrangeiros, relatam e mostram as grandes confusões que são armadas pela China afora. Por que, hoje em dia, as mulheres chinesas já não são tão passivas quanto eram. E aí, li muita história de esposas que acham ótimo que o marido tenha a er nai e a deixe tocar a vida como bem entende, mas também tem as que vão atrás e saem literalmente no braço, como nessas fotos desse blog, que coloquei abaixo. E só para esclarecer, o marido está protegendo a segunda esposa e deixou a primeira no meio da multidão.


    Agora, também li estórias de er nai que vai na sua BMW na casa da esposa oficial e fala horrores para ela, com a intenção de desmoralizá-la e quem sabe ter o caminho livre para ser a oficial. Ai, o ser humano! No final esses sentimentos básicos são universais, apesar das diferenças culturais.

    Ah, já ia me esquecendo: tudo isso começou por causa do artigo da aula de marketing, que queria mostrar que as ‘er nai’ são o segundo maior volume de compras no mercado de luxo chinês, já que além delas exigirem o que podem, os homens também querem mostrar que podem proporcionar o que há de melhor para suas segundas esposas. E um dado interessante nesse artigo é que o governo proíbe os seus funcionários de terem uma er nai. Mas nada tem haver com defesa da moral e dos bons costumes. É só para evitar mais corrupção, porque está claro que um funcionário do governo não tem como manter a familia oficial e mais a sua segunda esposa dentro dos padrões básicos requeridos para isso!

    O primeiro lugar no movimento desse mercado de luxo fica com os homens de negócios que usam as griffes para presentear seus fornecedores, clientes e membros do governo, mantendo a harmonia do seu relacionamento empresarial (e isso também dá um bom texto... fica para a próxima!)

    Zài Jiàn.

     



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 01:34
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    Fatos da China

     
     

    Fatos da China

    SEDA

    De acordo com a lenda chinesa, a seda foi descoberta em 3000 AC por Xi Ling Sui, esposa do legendario imperador Huang Di. Quando um casulo do ‘bicho da seda’ caiu acidentalmente dentro da sua xícara de chá quente, percebeu que o casulo era formado finos fios que se soltaram na água quente. E assim surgiu a seda. A China ainda hoje é a produtora de 54% de toda seda no mundo.

    Museu da Seda em Suzhou - 2011

    SOBRENOME

    Apesar de existirem milhões de sobrenomes na China (ou nomes de familia), os 100 mais comuns, que juntos são menos de 5% dos existentes, são usados por nada mais, nada menos que 85% da população chinesa. Os 3  mais comuns dentre os comuns são: Li, Wang e Zhang, que respectivamente representam 8, 7,5 e 7% desse montante. Esses números representam aproximadamente 300 milhões de pessoas e já dá para saber que são os sobrenomes mais comuns no mundo (quando a estatística é feita em cima de população, a China não dá chance a mais ninguém!). Em chinês a frase ‘três Zhang, quatro Li’ (Zhang san Li sì - 张三李四 ) é popularmente usada para dizer ‘qualquer um’.

    MATEMÁTICA

    A matemática chinesa, evoluiu independentemente da matemática grega e, consequentemente, é um tópico de muito interesse aos historiadores da matemática. Acredita-se que os chineses já usavam o sistema decimal antes do século 14 AC, ou seja, 2300 anos antes de ser conhecido na matemática européia. E também é possivel que eles foram os primeiros a utilizar um lugar ao zero.

    TABACO

    Já falei em algum momento, mas vamos de novo: a China é o maior produtor e consumidor de tabaco no mundo (claro). O número aproximado de fumantes é de 350 milhões (no minimo...) e aqui são produzidos 42% dos cigarros consumidos no mundo. Especialistas afirmam que aproximadamente 1,2 milhões de chineses morrem anualmente vitimas do tabagismo. E apesar das tentativas de informação à população sobre os maleficios do fumo e de algumas leis de restrição aos locais de fumantes, que começaram em 2010, estima-se que o número de mortes pelo tabagismo será de 3,5 milhões de pessoas em 2030. Agora, 60% dos médicos chineses (homens) são fumantes, a maior proporção no mundo! Então fica super fácil conscientazar a população, né?

    POPULAÇÃO

    Nanjing Pedestrian Street - Shanghai - outubro/2009

    São mais de 160 cidades chinesas que possuem mais de 1 milhão de habitantes! Nos EUA são 9 cidades e no Reino Unido, somente 2. Shanghai é a mais populosa, com 23 milhões de habitantes, segundo os dados de 2012. Me sinto literalmente uma ‘gota no oceano’!

    FRONTEIRAS

    A China possui aproximadamente 190.000 kilometros de fronteiras e é o país que faz fronteira com o maior número de países no mundo (alguma dúvida?). São 14 países, em sentido horário: Mongólia, Russia, Corea do Norte, Vietnã, Laos, Myanmar, Bhutão, Nepal, India, Paquistão, Afeganistão, Tadjiquistão, Quirguistão e Cazaquistão. Fora os países que estão muito próximos, mas o mar é a grande fronteira, haja visto as últimas discussões entre China e Japão. Talvez por isso eles se auto-denominem o ‘país do meio’ 中国 Zhōngguó.

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 00:20
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    E já é dezembro... de novo!

     
     

    E já é dezembro... de novo!

    Mas é não é que dezembro chegou... de novo!!!

    Pois é, no ultimo post já falei sobre isso, mas realmente não me conformo. Deve ter algo errado com a tal engrenagem que gira a terra.

    Outro dia ouvi uma amiga dizer que o filho dela, de 6 ou 7 anos disse que achava que esse ano tinha passado muito rápido. Para tudo! Se uma criança está achando que faz pouco tempo que o Papi Noel passou na casa dele, e também acha que o tempo está passando depressa tem algo errado... me lembro que quando era criança os meses se arrastavam, e quando minha mãe dizia: será no Natal... Meu Deus, que angustia...

    Agora só me resta saber que essa sensação é só aqui no oriente, ou é geral... veremos.

    Mas como dezembro já está ai, começamos o ritmo alucinado natalino, mesmo na China. Aqui não se comemora Natal, mas como disse ontem para uma amiga no facebook, tudo é ‘made in China’ então a coisa ganha uma proporção astromica, isso sem falar que você ainda pode comprar direto do fabricante no TaoBao (lembram??). Poderíamos resumir que, para quem gosta de enfeitar a casa para receber o bom velhinho, entra em parafuso... uma verdadeira tortura chinesa. Literalmente.


    O interessante é que os chineses também aderem ao enfeites, não com tanto afinco como nós, mas eles acham bonito e divertido. E vamos combinar que enfeitar as coisas até a exaustão é com eles mesmo! Mas o fato é que eles gostam do Papi Noel, ou Santa Claus ou ainda o 圣诞老人- Shèngdàn lǎorén. Nunca pesquisei sobre isso, mas acho que eles devem encarar o Papai Noel como uma lenda, personagem do folclore ou coisa assim. E reverenciam esse personagem como amam o Mickey Mouse ou a Hello Kitty. Existem Chineses cristãos, inclusive tem um numero interessante de igrjas católicas aqui. Mas o numero no final é insignificante perante a população Nacional, para movimentar tanto o comércio assim.

    Os estrangeiros também não são pareo para o consumo chinês, até porque uma grande parte dos expatriados, principalmente os que tem filhos pequenos e/ou em escolas internacionais, que podem faltar algumas semanas na escola, vão para o seu pais nessa época. Sendo assim, não enfeitam as casas e nem se preparam para a ceia e festividades. Não é meu caso, pois meus filhos estão em universidades por aqui, e no caso do que estuda em Shanghai, tem prova até no dia 24, que é uma segunda feira. Só que depois eles tem quase 4 semanas de parada junto ao Ano Novo Chinês.


    Mas o fato é: não aguento mais ouvir ‘jingle bells’ em toda e qualquer loja, café e elevador que entro... Essa é a China globalizada... hallowen, Natal e só falta mesmo a Páscoa ser mais intensa. Eles até tentam, mas ainda não conseguiram captar o ‘espirito’ da data. Nesse ano não se achava mais do que uma ou duas marcas completamente desconhecidas de ovos de chocolate no Carrefour, o que já era de se esperar... E cada um se virou como pode para a festa de páscoa. Mas aí uns 10 ou 15 dias depois do domingo de Páscoa, descobri num supermercado de bairro que tem produtos importandos prateleiras e prateleiras de ovos de tudo que é marca, estilo e personagens que qualquer ocidental pode imaginar e, o melhor, numa super promoção! Comprar um ovo da Lindt de meio kilo, por menos de 50 reais é algo surreal, mesmo na China...


    Mas o que aconteceu? Não se deram conta que a Pácoa é uma data móvel, se basearam no anterior para fazer o pedido... e ainda pode ter havido algum atraso na alfandega... imagina o prejuizo! Mas a noticia se espalhou e todos correram para comprar os ovos de Páscoa fora de época!

    Pelo menos desta vez o estrangeiro levou alguma vantagem com o comércio local!

    E vamos voltar ao ‘Jingle bell’, ou quem sabe alguém tem a ideia de enviar o cd de Natal da Simone para um chinês... ia ser de matar...rs

    Então é Natal...

    Zài Jiàn!



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 10:06
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    A Arte da Guerra - Livro

     
     

    A Arte da Guerra - Livro

    Como ando numa fase um pouco tumultuada, e ainda não consegui fazer com que o dia se estenda por mais umas 6 horas (uiii), o negócio é pensar em estratégias para encaixar o número de compromissos dentro das 24 horas disponíveis do dia (incluindo, ao menos 6 horas de sono!). Aí, como minha consciência fica muito pesada quando passo uma semana sem postar nada aqui, fiquei pensando e lembrei desse livro: quem sabe ele me ajuda a guerrear contra minha própria proscratinação para ir deixando para trás o que é mais complicado ou ir mudando as prioridades em questão de minutos.


    Mas brincadeiras a parte, ‘A Arte da Guerra’ – de Sun Tzu, é um clássico desde sempre. E muito antes da China ser o que é hoje , esse livrinho de não mais que 110 páginas já ocupava a cabeceira de muitos empresários, politicos e militares pelo mundo afora. A fama é tão grande a ponto de ser conhecido como ‘a biblia da Wall Street’ e ter sido comparado e considerado superior ao classico ‘O Principe’ de Maquiavel. Isso inclusive foi o que fez o livro ocupar a lista dos mais vendidods em todos os cantos do planeta ad eternun.

    O livro foi escrito há cerca de 2500 anos atrás, durante o periodo conhecido como “Primavera e Outono”(722 a 481 AC), por Sun Tzu, um general do exército chinês,  que serviu entre 544 a 496 AC.  O livro é composto de 13 capitulos, onde cada um deles é dedicado a uma estratégia de guerra e/ou batalha. Resumindo grosseiramente, Sun acreditava que a guerra é um demônio necessário, que jamais pode ser evitado ou menosprezado. Na realidade é o desafio que move o homem a conquista, certo?


    A estratégia primordial segundo Sun Tzu, a qual eu acredito ser a mais importante mesmo, é o autoconhecimento: entender qual é sua força e suas limitações de maneira clara, já te coloca em vantagem pois vc não irá fazer o que tem plena consciência que não sabe fazer, certo? Ok, nem sempre... =/ Mas, a teoria é perfeita. E com disciplina é possivel coloca-lá em prática.

    A segunda, tão ou mais importante que a primeira, é conhecer e estudar o inimigo. Buscar pelas suas fraquezas e reconhecer a sua força. Com isso se pode quebrar a resistência do inimigo sem lutar. E ainda completa “se você se conhece e ao inimigo, não precisa temer o resultado de uma centena de combates”.

    Para ele a arte de guerrear precisa ser governada por 5 fatores constantes: a Lei Moral, o Céu, a Terra, o Chefe e o Método e disciplina. E devem ser familiares a cada General: “quem os conhecer, será vencedor; quem não os conhecer, fracassará.”

    Em 1782, o livro teve sua tradução para o francês, por um jesuíta. E reza a lenda que o sucesso de Napoleão, principalmente no que diz respeito à mobilidade, deve-se a ele. Mas um dia, seguro que estava de si por tantas conquistas deixou o livro de lado e... foi derrotado! Somente em 1905 “A arte da Guerra’ foi traduzido para o inglês.

    Sun Tzù é leitura obrigatória no exército e pelos politicos soviéticos e Mao Tsé-Tung usou praticamente todo o livro na composição do seu famoso “Pequeno Livro Vermelho”, que era a compilação da doutrina e estratégia do partido comunista chinês.

    Para os nossos dias, posso dizer que nos ajuda e muito a entender a ‘logistica’ de uma batalha, seja na sala de reuniões do chefe ou na disputa de um cliente ou fornecedor. Me admiro de perceber que um livro escrito há quase 3 séculos pode ser tão atual e util. Mais uma vez concluo que o progresso avança a passos largos, mas o ser humano ainda age como seus ancestrais. E a história se repete, as ações e reações vão se tornando mais sofisticadas, mas a essência ainda está lá. Forte e presente.

    Esse deveria ser um livro mais aproveitado por todos e, principalmente, entendido e aplicado no dia a dia. No final, se todos usassem essa estratégias e seguissem o conselho maior de Sun Tzé: ‘quebrar a resistência do inimigo sem lutar, não chegaríamos às guerras! Simples assim.

    Por ser um best seller, o livro tem inúmeras versões, edições de luxo, de bolso, digital, além dos livros de auto ajuda que usam os ensinamentos de Sun Tzù para deixarem seu inteligentes autores estrategistas milionários! =] Pensem nisso... O ensinamento está lá, gratis para quem quiser entender.

    O que carrego há anos, é uma edição simples, cheia de anotações que adoro reler e ver como foi meu entendimento naquele momento e como é agora. Sim, às vezes uma frase pode ter vários significados dependendo do seu inimigo, da sua conquista, da sua estratégia.

          

    Mas meu tesouro é um edição especial que ganhamos em Chang Chun, acomodada em gaveteiro de cedro, numerada, com selo e carimbo e com 2 edições: uma escrita em mandarim e impressa em seda e a segunda com algumas gravuras e impressa em inglês, mas em papel arroz. Dentro de uma das gavetas vem uma luva para usar ao manusear o livro. Uma obra de arte e de edição limitada (se bem que isso aqui na China não é muito confiável...). Às vezes abro a caixa, calço a luva (que é super fina) e manuseio aquelas páginas. Um prazer inexplicável.

     


    Leiam, releiam. Não considero que esse livro deva ser lido como um romance. Mas sim em pequenos trechos, pensado. E depois retomado.

    Fica a dica!

    Zài Jiàn!

     

     



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 14:57
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    Adaptação do corpo e do cérebro...

     
     

    Adaptação do corpo e do cérebro...

    Ando sumida, eu sei... mas final de ano é loucura em qualquer lugar, mesmo na China! Só que aqui tem um fator a mais para deixar tudo mais complicado: o ano letivo que começa depois do meio do ano.

    Sim, estamos acima da linha do Equador (agora estou do lado de cima do Equador... isso é para quem tem mais de 40 anos e conhece a musica do Ney Matogrosso...).


    Por causa dessa posição geográfica, quando o Brasil está na primavera, estamos no outono. E agora vocês estão curtindo um calorzinho gostoso e nós começando o processo de resfriamento. A vantagem é que aqui Papai Noel não sofre. Muito pelo contrário, até agradece as roupas felpudas e pesadas que tem que usar.

    Mas ai, quando vemos estamos em setembro e é quando a vida começa entrar na rotina, as aulas começam, as pessoas voltam de viagem, porque as férias de verão começam em meados de junho e terminam no final de agosto. Só que setembro, outubro, novembro...pronto! Acabou o nosso ano... porque para o chinês está tudo certo. Não celebram natal e o ano deles só termina quando a lua estiver afim (em 2013, 9 de fevereiro).

    E mais uma vez o estrangeiro nas Terras de Mao tem que enfrentar um ano truncado e cheio de feriados, porque tentamos continuar respeitando os nossos, ao menos os universais, e ainda temos que usufruir dos deles. Tudo bem, vocês devem estar pensando: mas ela tá reclamando do quê? Mas é demais mesmo... e ai os nossos feriados ficam meio confusos, pois como meu filho estuda numa Universidade chinesa, vai ter prova no dia 24 de dezembro. E dia  2 de janeiro também. Ou seja não dá nem para dar uma escapadinha e aproveitar o feriado ocidental para conhecer a China, já que quando é feriado Chinês é humanamente impossivel se aventurar.

    Nós brasileiros e latinos de um modo geral, sofremos mais ainda porque além dessas coisas que citei, ainda tem a mudança de clima, de fuso e de calendário escolar. Coisas que o europeu e o americano não tem nenhum tipo de problema.

    Fora que é estranho para nós mudar os conceito estabelecidos desde sempre, como datas e estações do ano. Meu aniversário é em agosto, então nasci no inverno. Mas aqui é pleno verão, do tipo janeiro... É muito estranha a sensação. Outra coisa é quando os amigos falam (ai são os estrangeiros mesmo, que tem o mesmo calendário escolar): para que ano seu filho vai no ano que vem? Ai no começo, eu pensava... ano que vem até junho ele estará no 10° ano e depois de agosto no 11° ano. Mas não é isso... o ano que vem é agosto. Ano escolar ela se referia. E pior, que eles não tem o hábito de falar ‘ano letivo’ ou ano escolar.

    Parece uma besteira, mas no dia a dia faz uma confusão na cabeça... tem as palavras usadas em inglês e os termos que também nos confundem: ‘push’ em inglês é ‘empurrar’ e ‘pull’ é puxar. Mas não tem jeito... não há uma vez que eu não entre numa porta onde está escrito ‘push’, sei que tenho que empurrar, mas o meu pensamento é mais lento que o piloto automático do meu cérebro! E lá estou eu pagando o mico de puxar a porta que é para empurrar. Outra coisa que me deixou maluca e tive que educar meu cérebro para assimilar é a questão do tempo futuro. Se falamos na ‘próxima sexta feira vou na sua casa’, como estou na quarta feira, entendemos que é depois de amanhã, certo? Sim, está certo no Brasil... Aqui na China e, pelo que pude ver, no resto do mundo, se falo ’próxima sexta-feira’ estarei me referindo a semana que vem, porque apesar de ainda não ter chego, já estamos nessa semana e então tem que se usar ‘esta sexta-feira’. E com dias do mês é a mesma coisa: ‘no próximo dia 22 é aniversário do meu filho’, o que você entende se ainda estamos no dia 15? Só que aqui eles entendem 22 de dezembro, porque o correto seria ‘neste dia 22’, já que já estamos em novembro. Gente, é muita informação para um cérebro assimilar... e ainda tenho que  aprender o mandarim?!?


    Mas esse conceito de data ainda é algo que temos em outros locais do mundo. Agora o que eu não consigo ainda entender, que minha lógica não conseguiu alcançar, é a relação do chinês com os números, principalmente os milhares e pior : envolvem dinheiro...

    Quando nós queremos nos referir a 1,000 usamos os números completos, escrevemos a palavra ‘mil’ ou podemos usar o K. Sempre um número seguido de K é mil (12K=12.000, 12,4K=12.400).

    Mas o chinês usa 4 digitos depois do numero que apareceu escrito. Isso significa basicamente que se você vai numa imobiliária para comprar um apartamento e está escrito que ele custa RMB 80.0 deduzimos que seria 80 mil remembies, certo? ERRADO!

    80.0 = 800.000 o valor é oitocentos mil remembies.

    Teoricamente esse código é utilizado na linguagem escrita somente. Mas o pior é que até os chineses se confundem na hora de interpretar o número. Outro dia numa reunião com a controler da empresa do meu marido, perguntaram quantos habitantes havia na cidade. Rapidamente a moça foi à internet  e achou o número 300.08. Para nós seria simplesmente 300 mil e 80 habitantes. Mas sabemos que isso não é o numero de habitantes nem de uma vila chinesa, o que dirá da população de uma cidade industrial. Só que a moça também ficou confusa, pois sabia que não era mil, mas não conseguia colocar direito os zeros suficientes à direita. No final a conclusão dela mesma é que o numero de habitantes de Jiaxing é de 300.080.000 (trezentos milhões e oitenta mil).

    Nem preciso contar para vocês que lá nos longiquos 2004, Mario assinou uma ordem de compras que estava escrito 10,0, achando que havia feito um negócio da China, e quando veio a fatura....uiiiiiii.RMB 1.000.000 era o valor real.

    Não é para fazer os miolos ferverem???

    Zái Jián!

     



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 15:17
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    Ópera Chinesa

     
     

    Ópera Chinesa

     

    A ópera chinesa é famosa pelo mundo afora, mais pelo mito do que por ser reaamente conhecida pelo publico. De fato ópera de qualquer lugar do mundo é algo que não é popular, apesar de todo mundo saber basicamente o que é esse espetáculo. Mas a chinesa, alem de todos os mitos e pré-conceitos da ópera, ainda é made in China. O que dá um ‘it’ a mais nessa nossa história! =]

    A ópera chinesa é o tipo de drama dominante através da história da China de séculos e séculos. Acredita-se que há mais de 300 estilos de óperas, cada um com seus atributos particulares, mas sempre com alguma caracteristicas e influências dos ancestrais.


    Acredita-se que Qinqiang foi o antecessor da ópera chinesa, pois misturava danças e musicas folclóricas à pequenas performances. As primeiras informações palpáveis dessa prática vem de 2 séculos AC, in Shaanxi que fica ao lado do rio Amarelo. O amadurecimento e reconhecimento dessa prática como arte se deu durante a Dinastia Yuan (1279-1368 DC), com a inserção de outras performances como poesia, mimica e canto.


    Mas na Dinastia Ming (1368-1944 DC) se desenvolveu um peculiar estilo chamado Kunqu, com movimentos e musica mais elegantes e puros, que se tornou a mais popular manifestação artistica na China por mais de 200 anos. Esse estilo influenciou vários outros que foram surgindo depois e foi nomidado pela UNESCO em 2001 como “Obra-prima Oral e Intocável da História da Humanidade”.

    Depois de 2 séculos, o Kunqu caiu na popularidade graças a nova modalidade Jingju, que tinha como patrono a côrte real, o Império, e ficou conhecida como Peking Ópera, ou Ópera de Pequim. Obvio que ela sofreu forte influencia das duas peincipais antecessoras, Qinqiang e Kunqu, mas com um estilo mais simplificado e a introdução de acrobacias. E apesar de ser jovem, para os padrões seculares chineses, hoje ela é conhecida como a a Ópera Nacional da China.


    Basicamente a Tradicional Ópera Chinesa é formada por 4 personagens, que não possuem idade ou profissão, e tem suas perfomances baseada na história que está sendo encenada. São eles: Sheng , o herói; Dan , a  mulher; Jing  , representante do mal e que pode ter 3 versões principais (vocal, atuação e acrobacia) de acordo com seu papel na história; e Chou , o palhaço, que às vezes pode ser sombrio, outras espirituoso e ainda comico.

    As 4 óperas mais famosas na China são: Romance for the West Chamber, The Peony Pavillon, onde a original tem 55 atos e dura mais de 20 horas, mas nos dias de hoje é sensivelmente abreviada (porque ninguém merece, né?); The Peach Blosson Fan, que levou 10 anos para ser escrita; e The Palace of Eternal Youth, que foi baseada em fatos reais de um Imperador que se apaixonou por uma concubina. Resumindo, todas são histórias de amores impossiveis no melhor estilo estilo Romeu e Julieta, até onde consegui entender. =]

    Como já era de se esperar, durante a Revolução Cultural, a ópera também foi desacreditada pelo sistema e hoje é dificil retomar a tradição com a juventude chinesa, dentro de um ambiente informatizado e sem paciência para as peculiaridades dessa manifestação artistica.

    Hoje ela é apresentada em casas de óperas e no sétimo mes do calendário lunar, Chinese Ghost Festival, como forma de entreternimento aos espiritos e ao publico em geral. Uiii!


    Quando são usadas as máscaras,ou a pintura diretamente na face, as cores colocadas a cada personagem, não são aleatórias. Elas tem o significado, baseado na cultura chinesa e retratam as caractiscas de personalidade e emocional dos seus personagens.

    Branco é sinistro, diabólico, suspeito. Quem usa essa máscara geralmente é o vilão. E vejam que interessante, pois para nós ocidentais o branco é a cor celestial, de paz e harmonia. Só para completar, aqui se usa branco em enterros e luto.

    Verde é impulsivo, violento e sem auto-controle (caracteristica importantíssima nos relacionamentos interpessoais aqui na China).

    Vermelho é valente, nobre, virtuoso.

    Preto é imparcial, feroz, rude.

    Amarelo é ambicioso, cabeça fresca.

    Azul é inabalável, firme e leal.


    Como tudo que escrevo aqui, isso é somente uma pincelada na história da Ópera Chinesa, mas ao menos sabendo essa base a gente já pode entender muita coisa que se passa por aqui.

    E parafraseando um professor que tenho no MBA, para se viver bem aqui você tem que aprender a lingua, entender a história e a cultura. Os dois ultimos são moleza... rs

    Mas como Confucio tentava ensinar a séculos e séculos atrás: ‘Conhece o passado e entenderás o futuro’, não sei se exatamente assim, porque é o que retive na memória, mas tá valendo...

    Zài Jiàn!

     

     



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 12:14
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    Instrumentos Musicais - Bianzhong

     
     

    Instrumentos Musicais - Bianzhong

    Sinos sempre foram usados nas celebrações do império e nas campanhas militares na China. O Bianzhong  , que na tradução literal quer dizer ‘grupos de sinos’, apareceu na história há aproximadamente 3500 anos atrás, durante a Dinastia Shang.

    Esse sino de bronze difere dos demais tanto no som que emite, como na forma que possui. Seu formato ovalado não permite que as vibrações do som durem por muito tempo, além do que ele emite dois sons diferentes quando tocado por diferentes lados.


    Usado para armadura e armas, o bronze tinha um valor inestimado na China antiga, e a construção do Bianzhong cessou durante a Dinastia Han (206AC – 220DC), já que as guerras consumiram muito das riquezas e um sino desses poderia ter centenas de kilos.

    Graças a tecnologia moderna, pessoas com dinheiro suficiente podem encomendar seu próprio Bianzhong hoje em dia de algumas seletas fábricas de instrumentos. Aqui em Shanghai, no Bund, onde os prédios são do inicio do século 19, há um deles que ostenta um conjunto desses sinos, que foram encontrados na Provincia de Henan, por volta de 1957. A cada 15 minutos, o relógio da torre toca um pequeno trecho de ‘The East is Red’.


    O Bianzhong mais famoso da China, provavelmente é o de ‘Tomb of Marquis Yi of the State of Zeng’, o túmulo com os restos mortais do Marques Yi Zeng, um dos poucos encontrados intactos. Datado de uma época onde os nobres eram enterrados com seus tesouros de bronze, incluindo muitos instrumentos musicais, como esse bianzhong.  Calcula-se que esse conjunto de 65 sinos, com peso total de 2,5 toneladas, é de antes de 433AC e foi encontrado em 1977.

    Desde então ele foi ouvido somente 3 vezes: em 1978, logo após sua descoberta; em 1984 por ocasião das celebrações de 35 anos do PRC (Partido da Republica da China); e em 1997, quando Hong Kong voltou a pertencer à China.  E usado uma vez na apresentação da ‘Symphony 1997: Heaaven, Earth and Mankind’, composta por Tan Dun.

    Mais uma raridade da musica chinesa. =]

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 13:49
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    Criatividade sem limites.

     
     

    Criatividade sem limites.

    Não adianta, eu me surpreendo a cada dia nesse país. As vezes ficando brava e querendo sumir daqui, outras espantada com a capacidade deles de dar o famoso ‘jeitinho’ em tudo (aqui entre nós, nós brasileiros estamos há anos luz atrasados nesse quesito chinês!rs), outras ainda assustada com as coisas que eles fazem e constroem da noite para o dia e, de vez em sempre, rs, morro de rir com as ‘invenções’ inusitadas e completamente ‘no sense’.

    Realmente os chineses tem uma criatividade sem limites. Acho que é porque eles não tem barreiras estéticas, nem religiosas. Não se importam com o que os outros pensam e gostam de possuir coisas que chamem atenção, que dê a cada um uma posição de ‘destaque’ no seu circulo, seja pelo valor astronômico ou pela completa aberração (aos nossos olhos) que esse bem possa representar. Aqui discrição, a velha frase ‘menos é mais’, ser chique é ser discreto não fazem o minimo sentido e nem surtem efeito na sociedade.

    E para saciar toda essa sede de consumo criativo e de gosto duvidoso, o TAOBAO é um prato cheio. Como já disse é impossivel descrever tudo que é possivel se comprar no taobao, mas para vocês perceberem o alcance da coisa, eu e mais não sei quantas brasileiras, compramos botas e sapatos da AREZZO, made in Brazil, mesmo. De verdade. E nem vou falar o preço, senão vai ser um tal de gente querendo que eu leve sapato brasileiro para o Brasil, que não vai ter mala para caber. Rs. Mas a ressalva tem que ser feita: não são lançamentos. São modelos que já vi nas vitrines algum tempo atrás, mas o prazer de comprar um sapato brasileiro que não machuca seu pé quando você mora na China, é indescritivel! E também para botas, a moda não tem muita influência, mais é a cor, o tipo de salto. E comprar uma bota brasileira na China por 250RMB (pronto falei...) é um prazer mais prazeroso ainda!!

    Tem esses achados no Taobao, mas também tem os falsificados, que são anunciados como ‘não genuinos’. Olha, eu não acreditava que os chineses iriam vender fake online. Ai vi um sapato super hiper caro, por 200rmb e comprei. CLARO que não era original, por sinal era aquele fake de camelô nas calçadas de Copacabana para quem sabe o que isso significa, rs. Entrei no chat e chamei a vendedora e disse que queria meu dinheiro de volta, que ela havia me vendido um sapato fake. Ela, na maior cara de pau, disse ‘de jeito nenhum. Eu não vendo coisa fake. O sapato não é genuino, mas fake não!!!”, perguntei qual seria a diferença entre ‘não genuino’ e ‘falsificado’ e ela pediu para eu enviar o sapato pelo express e me devolveria o dinheiro. E assim foi feito. Sabe que no final eu me divirto com isso.

    O melhor mesmo para mim, é não ter que barganhar, nem me sentir ‘idiota’, enganada pelo vendedor, que acha que porque sou estrangeira tenho que pagar mais pelo mesmo produto. E a prova tive no aniversário da filha de uma amiga. Comprei uma caixinha para colocar lembrancinha e paguei RMB 0,40/cada. A caixa veio errada e eu pedi para trocar, mas não havia tempo para correio. O vendedor me disse que se eu era de Shanghai poderia ir na loja dele. Gente... o vendedor era do mercado dos lençois, aqui perto de casa, e eu paguei 0,40 pela caixa! Que delicia! Há uns 3 meses atrás, comprei algumas muito parecidas, no mesmo lugar e paguei RMB 1,20 cada uma. Dava para comprar 3! Agora se eu fosse lá com meus olhos redondos, NUNCA ele me venderia pelo preço certo. Por isso que virei fã do Taobao.

    Mas... como Taobao é chinês, nas minhas andanças pelo mundo  ‘taobaolistico’ encontrei algumas pérolas. Essas até copiei para colocar aqui, porque é impossivel resistir.

    Você quer dar uma ‘repaginada’ na sua sala de estar? Te mando as mais novas tendências made in China. Pode escolher...

     


    Adora um banho de imersão, mas não tem banheira em casa? Seus problemas acabaram! O TaoBao tem a solução!


    Gente, juro que agora, escrevendo isso, me lembrei das ‘organizações Tabajara’, e escrevi cantando a musiquinha!!!rs

    Zài Jiàn!



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 13:43
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    TAOBAO – o paraiso do consumo online

     
     

    TAOBAO – o paraiso do consumo online

    Além de tudo que se houve falar sobre os preços baixos na China, existe um paraiso paralelo, além das lojas de rua, que se chama ‘TAOBAO’. Acho que já comentei aqui, mas bem por cima. Taobao é um ‘hipermercado’ online, no mesmo padrão do Mercado Livre, Ebuy o Alibabá, só que com um alcance estratoférico, afinal a China tem uma população gigantesca, e os preços de cair para trás. Falei hipermercado, porque eles simplesmente vendem TUDO que você sonhar, imaginar, precisar (ou não... e esse é o maior perigo do taobao), para sua casa, carro (inclusive a casa e o carro), seu esporte, roupa, sapato, viagens aéreas, jóias, brinquedos, sementes de flores, vinho, artigos importados e, claro, os falsificados... é impossivel descrever o quão louca a coisa é. Somos capaz de ficar 3 horas navegando pelo site e nem se dar conta do tempo que passou.


    Quando falo que é um perigo, é porque quando você procura uma cadeira, por exemplo, a busca te mostra milhões de cadeiras e também, numa barra lateral, trilhões de coisas que ficariam perfeitas (de acordo com o critério chinês) ao lado da sua futura cadeira. E aí, a curiosidade mata, e você vai dar uma espiada naquele cachepô que vimos na semana passada numa loja de rua por 300RMB e no Taobao está por 89RMB. Sim, não digitei errado. A diferença é absurda em alguns casos.

    Hoje, sinceramente, não compro quase nada de cara, quando vejo numa loja. Eu observo, fotografo, de preferência o nome do fabricante, e volto para casa para uma imersão no mundo virtual chamado Taobao! Rs. E assim milhões de chineses o fazem e cada vez mais estrangeiros também. Mas nada é tão simples assim na China: acessar um site, escolher um artigo, clicar para pagar, pagar e receber em casa depois de 2 ou 3 dias. Ou melhor: para quualquer chinês é simples assim! Mas para os Laowai (estrangeiros) ai que martirio achar o caminho das pedras... Com excessão daqueles que por uma benção da natureza e capacidade pessoal de aprendizagem de idiomas, falam e escrevem fluentemente em mandarim. Bom, mas esse não é meu caso e nem da maioria dos estrangeiros que vivem  nas terras de Mao.

    Vamos começar acessando o site. Tudo em mandarim, ideogramas. Aí você vê aquelas fotos de coisas legais e os numeros super convidativos. Mas mais nada! Uma frustração. Aí toca baixar Google Chrome com tradução simultânea do mandarim para o inglês. Pode ser para português também, mas já percebi que pelo ingles a tradução é menos ruim. Com esse recurso já é possivel entender o esquema do site e da loja que você está acessando. Quantas peças tem da mercadoria, a descrição do produto, tamanho, preço do frete etc.


    Para escolher um artigo é a segunda maratona. Se o produto não foi aquele que você resolveu comprar porque ele apareceu na sua frente numa oferta irresistivel, você tem que descobrir a palavra chave. Moleza, né? Não, não é. Abrimos nosso amigo fiel dos estrangeiros na China, Google translator e digitamos ‘vase’ – vaso., que aparecerá em mandarim no quadrinho ao lado. Copia-se esses desenhinhos e cola-se na barra de busca do Taobao. Aperta o enter e... aparece um monte de coisas que não sei porque diabo eles acham que é um vaso e, às vezes até aparece um vaso no meio. Aí você tem que copiar a palavra em mandarim e colar no GT (google Translator, para faciliatar minha vida, ok?) invertido, e ver o que sai em inglês. E então você descobre que vase do inglês para o mandarim, gerou uma palavra que nada tem de sememlhança com um vaso, ou pode ser que apareça vaso sanitário.

    Essa luta se estende até que se consiga descobrir a palavra certa em inglês para chegar na tradução certa ou mais aproximada para o mandarim. Ufa.... Chegou no seu destino, escolheu, apertou a tecla ‘compre’. Ai entramos na fase do pagamento. Pegar o cartão de crédito ou do banco e pagar? Não, óbvio! Primeiro tem que ir ao banco e pedir para liberarem sua conta para compras online, depois tem que entrar no net bank e criar um nome ‘falso’ para sua conta, e autorizar você mesmo a pagar on line, criar mais 3 senhas diferentes e, depois de anotar tudo num papel que valerá mais que seu passaporte, pronto. Vc pode pagar.Um processo que no meu caso levou quase um mês e na ultima fase praticamente umas 4 horas para achar o caminho das pedras, ainda graças a uma amiga que veio me ajudar.  Claro que nem todo banco é tão complicado como o meu, mas... foi um parto!

    Fora que todas as suas informações tem que ser colocadas em mandarim, como endereço, cidade, etc. Aí o cara liga para confirmar o endereço... uiiii... corre e chama a ayi, o porteiro, qualquer um que possa se comunicar ao vivo com você depois do telefonema. Porque entender mandarim não é fácil ao vivo, imagina pelo telefone!

    Produto entregue, você confere, vai no taobao e autoriza o pagamento. E classifica o vendedor. E o taobao dá pontos para quem classifica, já que esse é um fator de extrema importância para os chineses: avaliação de usuários. Esses pontos, ainda não descobri direito como se usa, mas um dia chego lá!

    Bom, e se ao invés de telefonar o vendedor te chama no chat? Sim, Taobao tem seu próprio chat que você instala quando faz seu cadastro. Moleza. Lembra de como faço para descobrir a palavra chave da busca? Mesmo sistema: copia o que o vendedor te perguntou, cola no GT, inverte os idiomas, escreve a resposta. Copia em mandarim, inverte os idiomas do GT de novo e confere se a tradução faz sentido, afinal agora você está discutindo com o vendedor sobre o produto que comprou. Fez sentido, copia e cola no chat. Ai ele responde e o processo se repete até a conversa acabar... Fácil, fácil... =]

    Mas garanto. O esforço compensa e nos ajuda a poupar...rs

    Depois eu conto sobre o que podemos encontrar nesse mundo inusitado chamado TAOBAO!

    Zài Jiàn!

     



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 10:52
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    Guqin

     
     

    Guqin

    A China possui muitas curiosidades, que com certeza vocês já notaram! E nada é diferente em relação à musica.

    A musica chinesa tem seu ritmo e cadência próprias e, de verdade, eu gosto de algumas que já ouvi. Em Chang Chun, por falta de opção, chegamos até a comprar alguns CDs chineses que acabaram caindo no nosso gosto musical. =]

    Mas alguns instrumentos merecem um capitulo à parte. E aos poucos vou compartilharalgumas informações a respeito de alguns deles que possuem uma história bem interessante. Começando pelo:

    Guqin  古琴


    A construção desse instrumento é toda baseada em simbolismos. Originalmente ele tem 5 cordas que representam os 5 elementos (metal, madeira, água, fogo e terra). King Wen of Zhou (1152-1056 AC) adicionou a sexta corda para chorar pela perda de seu filho. E seu sucessor King Wu, inplementou a sétima para motivar suas tropas nas batalhas. Os 13 entalhes no corpo do instrumento, representam os 13 meses do ano (incluindo o mês que existe a mais dentro do ciclo do calendário lunar). A superficie arredondada representa o Céu ou Paraíso, e a parte plana representa a Terra. O comprimento dado através de 3chi (), 6bu () e 5li () (sistema de medidas da China antiga), representam os 365 dias do ano.

    Resumindo, todos esses detalhes colocados juntos representam o conceito chinês de harmonia entre o homem e o universo.


    Literalmente, quer dizer ‘instrumento musical antigo’ (alguma dúvida?). Foi criado a mais de 3000 anos e tocá-lo era um das boas quatro habilidades que os literatos e as filhas de familias abastadas deveriam ter para serem bem vistos na sociedade. Era considerado um perfeito meio de se expressar espirutualmente e cultivar a mente.

    Mas mesmo com toda a importancia desse instrumento, não era de bom tom tocá-lo em determinadas situações como durante uma tempestade, em locais muito barulhentos, frente há um grupo de estranhos, quando não haviam assentos para todos se acomodarem durante a execução ou quando o musico não estavisse devidamente trajado e limpo!


    Guqin foi o unico instrumento a ser banido como um dos ‘4 demônios’ durante a Revolução Cultural, o que fez as pessoas deixarem esse instrumento de lado e se perder a tradição. Apesar disso alguns artistas o mantiveram, de alguma forma, vivo.

    Em 2003, a UNESCO declarou o Guqin como ‘Obra-prima da história oral e imaterial da humanidade’. E apesar do instrumento estar novamente em circulação como um belo ‘presente’ para impressionar, dificilmente ele voltará aos seus tempos de glória.


    Esse instrumento sempre foi retratado através da pintura e escultura chinesa e pode ser colocado no colo, como em mesas especiais para melhor acomodar o instrumento e o músico.

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 16:21
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    NUNCA?!? Tem certeza?

     
     

    NUNCA?!? Tem certeza?

    Pois é, sumi por uma semana. Mas aqui foi um feriadão de verdade! Primeiro tivemos o ‘Midd-autumm Festival’, o que se troca moom cakes.  Tem post sobre esse tema nesse link.


    E na continuação, o Dia Nacional da China, que foi em primeiro de outubro. E também tem um post nesse outro link. Esse feriado é o segundo mais importante na China e, como no Ano Novo Chinês, ninguém trabalha mesmo!


    E o que temos de novo por aqui? Nada...rs. Tudo na mesma, e estou num período de falta de criatividade para escrever, ou melhor para escolher o assunto. Às vezes ter opções demais acaba dando ‘overdose’ de informação. E eu tenho um processo pessoal criativo meio complicado. Não adianta eu olhar para a tal lista de assuntos em pauta que tenho aqui. Tem uns tópicos que não consigo fazer ir para frente. A coisa tem que dar aquele click, sabe? E assim do nada o texto vai saindo, nem eu sei explicar direito. Quantas vezes nesses dois anos já comecei a pesquisar sobre um assunto e quando vi escrevi um post que nada tinha haver com a pesquisa inicial, que voltou para a fila, oh dó!!!

    E nessa briga insana da minha necessidade de postar com a minha falta de ‘feeling’ sobre o que postar, lembrei que outro dia uma amiga me escreveu dizendo que quem iria imaginar, lá no inicio de 2000 que eu, 12 anos depois estaria vivendo e escrevendo sobre a China. E comecei a , lembrar do fato que gerou esse comentário e resolvi contar para vocês. Morri de rir sozinha de lembrar e estou postando para enfatizar minha teoria que a única coisa na vida que NUNCA podemos dizer é NUNCA!

    Pois bem, carnaval de 2000, meus filhos foram passar a semana com o pai e eu ia ficar sozinha em casa, com todos os amigos viajando. Meio depressivo... Mas meus pais moram no Rio de Janeiro e iam ficar lá no carnaval. Aí pensei: “Christine.... helloooo!”, e lá fui eu comprar passagem e me aventurar na nova companhia aérea Gol. Quando sentei no avião, olhei para os lados e havia um rapaz e uma moça me fazendo companhia. A moça morrendo de nervoso porque era comissária de bordo de uma outra cia aérea e estava de licensa médica, ou seja não poderia estar voando, muito menos indo curtir o carnaval no Rio. Mas, por conta disso, ela estava explodindo e começou a falar. A história toda era muito divertida (ao menos para mim), e aí o rapaz que estava do meu lado esquerdo achou que também tinha que aliviar a sua tensão, afinal estava indo para o Rio, para embarcar num outro voo para a............ CHINA!!! Isso mesmo, tá vendo? Eu não perdi o foco do blog, não!

    Bom, ai a história da moça deixou de ser o foco e nós duas, em uníssono, perguntamos: “Mas que diabos você vai fazer na China??” E ai começamos as duas a discutir como uma pessoa em sã consciência poderia pagar uma fortuna, viajar ‘trocentas’ horas para ir para a CHINA???!!! Eu NUNCA ia fazer uma loucura dessas!!!

    Perceberam o negrito? Mas o coitado do moço, com sua calma confuciana, só falou no meio das duas tagarelas: ‘sou médico e vou me especializar em acupuntura, na China.’ Bom, primeiro o choque que emudece, depois os olhares mais perplexos ainda e, de novo em coro, ‘acupuntura na China??? Você só pode estar louco!’. E começamos de novo nossa discussão sobre a vida de um terceiro que conhecíamos há mais ou menos 20 minutos! Mas isso eram 2 da manhã, porque esqueci de mencionar que nesse dia o voo atrasou e não pode sair de Congonhas, tivemos que ir de ônibus para Guarulhos... bom, ‘door to door’ (pois sou de Santos), levei exatas 7 horas para chegar ao Rio! E esse foi mais um motivo para os ânimos estarem ansiosos...rs

    Olha, não lembro direito o que foi conversado depois disso, mas algumas perguntas padrão foram feitas: ‘como você vai comer? E como vai se comunicar? E como vai sobreviver?’ e ele pacientemente, nos explicou e rimos muito. Foi a viagem de avião mais divertida da minha vida. No final ele nos deu seu cartão de visita, escrito em mandarim e ingles. Que máximo!! Nem preciso dizer que o coitado, que nem lembro o nome, foi o assunto da semana para mim, quando alguém me perguntava sobre meu feriado na Cidade Maravilhosa: ‘Gente, o carnaval foi normal, mas vocês não sabem: conheci um maluco no avião, que estava indo para a CHINA!!’ e a resposta era: ‘ Meu Deus, para a China??” Infelizmente joguei o cartão fora, ou se perdeu no meio de alguma caixa, sei lá. Mas se tivesse o contato dele, juro que hoje mandaria um email...rs

    E, 4 anos depois desse episódio, começava a MINHA história com a inimaginável China.

    Realmente havia esquecido disso, e agora lembrando só posso dizer que nossa vida é uma caixa de surpresas de verdade. Por essas e outras que mudei muito minha maneira de encarar a vida e reagir às coisas ruins, e até às boas, que nos acontecem todos os dias. Perdeu a hora, vamos reagendar para amanhã o compromisso. Estressou com alguma coisa? Respira fundo e pensa que poderia ser pior (sempre pode, acreditem...).

    O desapego material também vem na esteira, no sentido deque  nada é tão importante que não possa ser substituido, além da nossa saude e integridade fisica e mental. Copos de cristal? Se tenho é para usar, se quebrar compro outros. Ahhh, mas esse cristal é muito caro. Ok, compro outros de um cristal não tão especial e uso o dinheiro da diferença (se tiver...rs) para encher as taças mais vezes com um bom vinho e brindar com os amigos. Pode até soar futil esse exemplo que escolhi, mas transfiram isso para tudo que possa ser substituido em termos materiais.

    Bom, ainda bem que eu não estava inspirada para escrever hoje, mas foi muito bom, dar essa relembrada num fato tão distante e tão ‘premonitório’ (rs) da minha vida. E lembrem-se NUNCA digam NUNCA! Além do que, hoje eu mesma posso responder todas as perguntas que fiz para o rapaz, aliás esse ‘questionário’ deve fazer parte de algum ‘manual para lidar com um maluco que te diz que vai para a China’, ou coisa que o valha. Porque a ordem das questões podem variar, mas a essência é sempre a mesma!

    Zài Jiàn! =]



    Categoria: Viver na China
     Escrito por Christine Marote às 16:18
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    O filho unico chinês.

     
     

    O filho unico chinês.

    Não é a primeira vez que escrevo sobre esse assunto, mas depois do post sobre a quantidade de homens na China e a previsão nada animadora para o futuro, algumas pessoas colocaram comentários, outras me escreveram, e sei que um monte fica sempre com o pé atrás em se tratando das ‘regras’ chinesas.

    A primeira atitude, em quase todos os casos e baseada na nossa cultura, na politica adotada em nosso pais e na experiência de cada um, é de indignação. Como pode um governo determinar quantos filhos cada casal pode ter? Como pode uma lei interferir na vida privada de tal maneira que obriga as pessoas a cometerem atos que são tão condenados na nossa sociedade cristã, como o aborto?

    E esse é mais um assunto polêmico, principalmente quando tento explicar o que para muitos é inexplicável: isso tem uma razão e dentro da realidade deles faz sentido e é completamente aceitável. É uma medida tomada em função da históra, do passado e por isso é possivel ao menos se tentar entender. E, por favor, explicar baseada em fatos passados e observação do dia a dia aqui, não quer dizer que eu concorde, que ache que é o modelo ideal, ou que apoie. Só procuro entender o sentido de coisas que são tão estranhas à nós ocidentais.

    Cartaz do governo na época que iniciaram a campanha do filho único.

    Na verdade, também já falei isso em algum momento nesse blog, a China conseguiu desestruturar razoalvemente minhas convicções, minha maneira de enchergar o mundo. Hoje pondero muito sobre certos assuntos, certas verdades e certezas e, sinceramente isso me incomoda bastante pois me tornou uma pessoa mais questionadora ainda, mais ‘advogada do diabo’ ainda, e no final ainda não encontrei o ‘fiel da balança’ para todos esses questionamentos. Sobre esse assunto especificamente, realmente não acho certo a proibição de ter mais de um filho (principalmente num pais onde há uma discriminação ao sexo feminino tão enraigada), mas também questiono a falta de planejamento familiar no Brasil, onde o próprio governo estimula através das tais ‘bolsas’, a procriação desenfreada. Onde o pobre, infelizmente, vê mais vantagem em ter filhos e não precisar trabalhar, já que para o universo deles o básico é o suficiente, sem se preocuparem com o futuro dessas crianças. Bom, mas isso é assunto para mais de metro, e só citei para que vocês possam entender como muitas vezes fico desesperada...rs. Sem saber para que lado ir. Claro, o ideal seria um ponto neutro, justo e que não fosse nem tanto ao céu e nem tampouco ao inferno, se é que vocês me entendem...

    Bom, a China possui mais de 50 etnias, 56 para ser mais exata. Mas 88% dos chineses pertencem a etnia HAN. Isso nos leva a fácil dedução de que todas as outras etnias são consideradas minorias. E como minorias, tem  alguns de seus direitos assegurados, ou seja, para esses grupos não há restrição ao número de filhos.

    Apesar de minorias, esses 55 grupos representam um pouco mais de  130 milhões de pessoas. Vamos combinar que se cada casal resolver ter 3 filhos, é gente prá chines nenhum botar defeito, né? Mas os 88% da etnia Han, realmente sofrem um rigido controle de natalidade. Abortos são encarados como procedimento normal, que se faz em qualquer hospital publico. Essa para mim é a parte mais desumana da lei. Porque de certo modo, facilita demais a falta de cuidados e coloca, mais uma vez, a mulher em situação de risco. Às vezes me pergunto quantas não morrem, quantas não ficam estéreis por um procedimento mal feito. E nem vamos entrar na questão do feto/bebê, pois não há limite para o procedimento.

    Quando foi adotada, no final da década de 1970, a medida tinha o objetivo de controlar o crescimento da população e facilitar o trabalho do governo, porque dar assistência médica e educação para mais 1 bilhão de pessoas é algo surreal. De acordo com estatísticas governamentais, foram evitados o nascimento de 400 milhões de bebês nesse período.

    Esse tópico tem sido motivo de bastante dor de cacbeça ao governo chinês. Há quase 30 anos, que a China iniciou sua abertura política e econômica, muita coisa mudou no pais. Inclusive a voz dos jovens da geração pós Mao, que não concordam com todas as regras impostas pelo governo.  E a questão do filho único é sempre motivo de protestos (dentro dos padrões de um governo comunista tentando abrir algum espaço para a manifestação popular). Por isso algumas excessões acabaram sendo autorizadas, mas isso causando mais polêmica e ambíguidade.

    Na zona rural, pode-se ter o segundo filho, principalmente se o primeiro for menina. E, principalmente pela falta de informação, o número de crianças que nascem com deficiência, seja ela qual for, são abandonadas sem se pensar duas vezes.

    Em Shanghai, devido ao custo de vida estar cada vez mais alto, um casal onde ambos forem filhos únicos, podem ter o segundo filho, quando o primeiro atingir uma certa idade. Acho que por volta dos 8 anos. Isso é baseado na cultura de se cuidar dos idosos da familia de forma digna, e cada dia ficaria mais dificil para o jovem que tivesse que assumir o sustento de seus pais e muitas vezes dos avós.

    Em Sichuan, na época em que houve o terremoto, que destruiu escolas em pleno período letivo, os pais que perderam ou tiveram os seus filhos gravemente comprometidos pelo acidente, puderam ter o segundo filho.

    E assim vai, cada dia uma nova regra aparece. Mas não pensem que nesses casos acima, os casais simplesmente possam engravidar. Antes disso eles precisam ter uma certificação do governo que permite a eles a segunda gravidez.

    Resumidamente é isso o que ocorre na China. Quem não segue essas regras acaba sendo punido com severas multas, além de ter que custear toda a educação e saude do segundo filho, que nesse caso é calculada pelo governo e tem que ser paga ‘in advance’, ou seja, antes da criança entrar na escola, por exemplo, toda a educação básica dela tem que ser paga.


    Polêmica é pouco para esse assunto, mas quando a gente anda nas ruas e vê tanta gente, mas muita mesmo, ficamos imaginando se não houvesse essa lei como seria. Por outro lado quanta injustiça foi cometida por conta disso. Entender a questão de uma forma teórica é uma coisa. Aceitar na vida prática, principalmente se é a SUA vida, é outra bem diferente.

    Fica aí para vocês pensarem... gostaria muito que o mundo, principalmente os paises em desenvolvimento, encontrassem um meio termo. Algo mais inteligente, humano e menos agressivo. Mas é dificil. Os extremos sempre ganham força. A ponderação não é uma das prioridades pelo que vejo.

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 07:45
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    Curiosidades Chinesas... de novo! =]

     
     

    Curiosidades Chinesas... de novo! =]

    Eu não sei ao certo quantos posts já escrevi com esse titulo, mas é que sempre acho alguns ‘tips’ em revistas, livros, jornais locais. Aí vou juntando e quando tem um bom conteudo, passo para o blog. Mas esse pais tem curiosidade para mais de séculos de blog! Uiiiii e também estatistica para tudo!! Nunca vi tantos dados compilados e comparativos como aqui, disponibilizados em notas de rodapé, em destaque nas matérias, em colunas especializadas em divulgar esses curiosos dados.

    Então vamos às curiosidades selecionadas para hoje:

    ·         Existem hoje cerca de 52 bilhões de meninos a mais do que meninas na China. E com 119 meninos nascendo para cada 100 meninas (no mundo os dados são de 107 meninos para 100 meninas), a China será um pais de solteiros em breve. Segundo as estatísticas oficiais, a previsão é de mais de 40 milhões de homens solteiros em 2020!

    ·         De acordo com a lista da Forbes, 6 das 10 mulheres que construiram suas próprias fortunas no mundo estão em Mainland China, sendo a mais rica do mundo, com um patrimônio estimado em US$4.9 bilhões, Zhang Yin, conhecida como a “rainha do papel” de Guangdong.

    ·         Esclarecimento: a expressão ‘Mainland China’, que literalmente quer dizer China Continental, se refere a China dentro da jurisdição do PRC, ou seja a China propriamente dita excluindo-se as regiões  com Administração Especial como Hong Kong e Macau. Como vocês podem ver, os próprios chineses traçam em linhas bem claras o que é China e o que não é!

    ·         O ‘Exército da Libertação do Povo’ é a maior força militar do mundo, com aproximadamente 3 milhões de soldados. Também é o que tem maior número de reservas, chegando a 2,25 milhões de membros, parece muita gente, não é? Mas pensando na população da China que é imensa, esse número é somente 2,6  soldados por 1000 cidadãos chineses.  Só para comparar, os EUA possuem  7,9 soldados por 1000 americanos e a Russia 153,4 por 1000.

    ·         Durante a primeira metade do século 20, Shanghai era o unico porto no mundo com as fronteiras abertas aos Judeus fugidos do holocausto mesmo sem visto de entrada na China. A população de judaica na China em 1940 foi estimada em aproxidamente 36mil pessoas.

    ·         Acredita-se que há mais de 350 milhões de usuários de internet na China, sendo 2/3 deles jogadores compulsivos de jogos online.  O valor da Industria de Jogos online chinesa em 2010, era de mais de RMB20 bilhões.

    ·         China carrega uma infinidade de recordes no Guinness Book por maior quantidade de pessoas envolvidas em uma atividade (alguém  tinha alguma duvida sobre isso??). Entre elas podemos citar: 1197 jogadores de tenis de mesa se reuniram em Guangzhou para um torneio; 1032 pessoas participaram de uma aula de golf em Beijing (ao mesmo tempo...uiii);  1141 se juntaram para uma caminhada descalços em  Chengdu; 10.267 chineses montaram uma linha de dominó humano no interior da Mongólia. Impressionado? Dá uma olhada no website do Guinness... tem muitos outros ‘non sense’ recordes!

                

    ·         Os Jogos Olimpicos de Beijing em  2008 foram os mais caros da história dos Jogos, com o custo estimado em absurdos RMB 263 bilhões, cerca de R$ 85 bilhões (espero que o Brasil não esteja pensando em quebrar ESSE recorde). Os atletas chineses ganharam 51 medalhas de ouro, a maior marca do mundo. Foi a primeira nação, além da Russia e dos EUA, a ir ao topo da lista de medalhas desde os Jogos Olimpicos de 1936 (esse recorde nosso Brasil DEVERIA quebrar).

    Então por hoje é só pessoal! Em breve mais curiosidades sobre essa complexa, curiosa e intrigante cultura chinesa.

    Zài Jiàn!



    Categoria: China
     Escrito por Christine Marote às 07:43
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